Vestuário e calçados: e-commerce, sustentabilidade e novos nichos deram o tom

Setor de vestuário consegue driblar a crise apostando na criatividade e em novos mercados consumidores

A inovação e a aposta em novos nichos fortaleceram a produção e as vendas do setor de vestuário

A busca por outros mercados, por meio de negociações on-line, também foi crucial para que a moda capixaba conquistasse mais compradores e os caixas das empresas, maior fôlego.

“Observamos, este ano, crescimento dos micro e pequenos empreendimentos capixabas que investiram em design e encontraram nichos. Além disso, há aqueles que se lançaram em canais da internet para as transações, o que se revelou uma escolha bem-sucedida”, avalia o presidente da Câmara Setorial da Indústria do Vestuário da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), José Carlos Bergamin.

E a vitrine eletrônica na web foi realmente certeira, sobretudo para organizações de menor porte que vendem, para todo o Brasil, roupas com identidade própria. “Uma delas criou uma marca forte focada no skate, outras oferecem a moda praia mais elaborada. É um grupo que se saiu muito bem no período”, ressalta.

Os fornecedores de roupas para as grandes redes nacionais, no entanto, enfrentaram um pouco mais de dificuldade, mas também conseguiram sobreviver a 12 meses marcados por dificuldades em várias outras atividades. Isso porque o comércio, mesmo as grandes varejistas, buscam coleções que fiquem rapidamente prontas, mas não abrem mão da qualidade das peças. Assim, os produtos asiáticos, principalmente os chineses, que já foram considerados os predadores, já não impõem tanto medo. “Os itens orientais importados seguem um processo lento para chegar ao mercado brasileiro. Isso, por si só, já os faz perder força.

O câmbio também ajudou a dar mais competitividade aos nossos produtos. Além disso,
a certificação ambiental, o controle nos processos operacionais e a preocupação com o trabalhador colocam o Espírito Santo em um patamar muito positivo diante das grandes redes varejistas”, explica Bergamin.

Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), de janeiro a setembro de 2018, foram extintas 183 vagas na indústria têxtil. No total, o período somou 3.415 admissões contra 3.598 demissões. Os números, no Estado, não mostram retração,
já que muitos estágios de produção foram terceirizados.

Calçados

A indústria de calçados, por outro lado, apresentou leve crescimento de empregos nos primeiros nove meses de 2018, com 304 contratações e 249 desligamentos, o que gerou um saldo positivo de 55 postos profissionais. A mesma tendência se verificou no restante do país, com 9.786 ocupações abertas. No entanto, no Espírito Santo, ainda não é momento para se comemorar. “Foi um ano modesto.

Nossa expectativa está em 2019 e nas mudanças que o novo governo trará”, avalia o presidente do Sindicalçados, José Augusto Rocha.

Mesmo a alta da moeda norte-americana não animou o setor, que também tem vocação exportadora. “O dólar alto é uma oportunidade. Mas, como o mercado interno ficou restrito de todas as formas, todas as grandes indústrias brasileiras apostaram no mercado externo, o que gerou grande concorrência.

Quer dizer, a exportação ficou também travada. Para se ter uma ideia, aqui no Espírito Santo temos apenas duas empresas com capacidade de exportação, uma de calçados infantis e a outra com uma linha mais diversificada. Elas ainda conseguem vender para a América do Sul e países árabes, mas ainda de forma travada.”

Em relação aos investimentos, Rocha afirma que foi um ano de arrefecimento.
“Em alguns segmentos registramos até mesmo queda na produção. Só para citar um exemplo, na indústria da qual faço parte temos retração na produção desde outubro de 2014. Hoje, estamos trabalhando com 40% da capacidade instalada. E isso se repete em outras fábricas. Mas estamos confiantes na retomada da economia”, salienta.

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