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terça-feira, 27 julho, 2021

Vendas digitais salvam negócios na pandemia

Como vender pela internet livrou empresas da falência

Por Samantha Dias

Com as mudanças de comportamento e hábitos dos brasileiros, provocadas pela pandemia de covid-19, e, principalmente, com as restrições de funcionamento do comércio para tentar frear a disseminação da doença, muitos lojistas e empreendedores, alguns ainda sem preparo e experiência, recorreram às vendas pela internet para sobreviver e manter vivos os seus negócios. O que era a “única” possibilidade de venda nos dias de portas fechadas foi revelando todas as potencialidades e benefícios.

No Brasil, o comércio eletrônico cresceu 75% em 2020, e a modalidade chegou a representar 11% das vendas do varejo, de acordo com um estudo divulgado pela Mastercard. A participação do comércio eletrônico nas vendas do varejo brasileiro antes da pandemia era de 6%, passando para 11% no auge.

O superintendente do Sebrae no Espírito Santo, Pedro Rigo, relata que os pequenos negócios, principalmente, não tinham se adaptado ao digital antes da crise sanitária do coronavírus, mesmo que, em todo o mundo, já se projetasse o poder do mundo digital. “Começou, então, uma corrida para se estruturar e se capacitar para esse novo formato. Porque não é simples, é preciso ter estratégia, aprender a manusear as ferramentas digitais, saber a melhor e mais precisa forma de abordagem ao consumidor”.

Ou seja, a pandemia fez com que as empresas que não estavam pensando ou se planejando para entrar nas plataformas digitais precisam aprender tudo de vez, de
forma repentina, e aquelas que tinham planejamento conseguiram avançar mais e saíram na frente, pois estavam mais preparadas.

O especialista do Sebrae no ES faz uma análise do mercado e deixa uma dica aos empreendedores: “O digital veio pra ficar, não tem volta. Quem tem negócio precisa ficar atento e acompanhar as novidades do mercado, ler o comportamento do consumidor, reformular as estratégias para melhorar as vendas, a qualidade no atendimento e ter competitividade”.

 

Renda que vem de aplicativos

Os aplicativos se tornaram um canal de negócios e “salvaram” a vida de muita gente nos últimos meses. Empreendedores e comerciantes recorreram aos apps de mensagens e de pagamento, além das redes sociais, para manterem seu negócio girando; consumidores recorreram a eles para adquirir produtos e serviços e não precisar sair de casa.
Além disso, muitas pessoas encontraram também nos aplicativos um trabalho ou uma fonte de complemento de renda. Pesquisa do Instituto Locomotiva mostrou que, no ano passado, 11,4 milhões de brasileiros recorreram aos aplicativos para garantir uma parcela ou a totalidade de sua renda.

O empresário Cloves Júnior apostou no on-line para a venda de roupas

Com isso, o Brasil tem hoje aproximadamente 20% de sua população adulta – o equivalente a 32,4 milhões de pessoas – que utilizam algum tipo de app para trabalhar. Em fevereiro do ano passado – antes do início da pandemia de covid-19 -, essa fatia era de 13%. Esse aumento expressivo de trabalhadores de aplicativos é justificado pelo crescimento da demanda por parte dos consumidores, – que passaram a comprar produtos de diversos segmentos – e pela ampliação dos serviços oferecidos – que demandou mais profissionais para entrega, por exemplo.

Além disso, houve a demissão de muitos trabalhadores do mercado formal. Ou seja, aplicativos garantiram renda para o empreendedor, por meio da viabilidade da venda, e também para quem precisa trabalhar. O vice-presidente financeiro e de estratégia do aplicativo de entregas iFood, Diogo Barreto, dá um exemplo desse cenário a partir dos números da empresa.

O número de pedidos pelo app passou de 30 milhões, antes da pandemia, para 48 milhões, no fim do ano passado. Já o total de estabelecimentos conectados passou de 150 mil para 230 mil, na mesma comparação.

O futuro das vendas pela internet depois da pandemia

Os negócios que já ensaiavam algum projeto digital certamente deram alguns – ou muitos – passos à frente daqueles que achavam que a transformação digital estava distante no tempo ou no espaço. Pequenas, médias e grandes empresas encontraram saídas para se manterem em funcionamento e entenderam que a transformação e atualização são para todos.

Segundo o relatório Recovery Insights: Commerce E-volution, a previsão é que cerca de 20% a 30% da mudança global para o digital impulsionada pela Covid-19 seja permanente. Então, qual será o legado que a pandemia deve deixar no que diz respeito às vendas? O especialista em e-commerce, marketing e negócios digitais Michel Torres ressalta que a maior dificuldade do empreendedor é a não preparação e compreensão adequada das estruturas online e suas possibilidades, muito em decorrência de um senso de urgência que gera atropelos e é pouco eficiente.

“Os clientes prezam por comodidade e bom atendimento. Comunicar corretamente e criar canais de compra funcionais e práticos ajudam bastante na hora da venda. Além disso, os empreendedores devem se aproveitar dos dados gerados por suas iniciativas online. Quem visitou? quem comprou? o que comprou? que horas visitam o site? quem interage no Instagram? Todas essas informações são valiosas e permitem ações de comunicação que podem ser muito eficientes se conduzidas corretamente”, disse. Torres defende, porém, que a venda presencial sempre será importante, com ou sem pandemia. “É fácil notar como o movimento nas lojas físicas aumenta quando os governos aliviam as medidas restritivas.

O ser humano é social por natureza e temos intrinsecamente essa necessidade de nos relacionarmos com outras pessoas. Tenderemos a buscar uma sensação de normalidade. No entanto, é possível que certos padrões mudem. Ir ao shopping passear, por exemplo, talvez não seja mais como era antes da pandemia. Empresários que conseguirem pensar além irão prosperar, tanto no online quanto no presencial. Vivemos numa era que é um verdadeiro campo aberto de possibilidades. As pessoas estão sempre dispostas a pagar por comodidade, bons produtos e serviços”, aconselha o especialista.

Mal inaugurou loja física, empresário teve de investir no atendimento remoto

Loja de tintas dobra número de funcionários para dar conta das vendas

A loja Politintas, que comercializa produtos para pintura no Espírito Santo, viu no canal digital a esperança para melhorar as vendas. Desde 2018, a loja tinha um site próprio para vendas, assim como uma equipe para atendimento por aplicativo de mensagens e telefone.
Porém, o faturamento por esses canais era pequeno, segundo o diretor-executivo da loja, Vinicius Ventorim.

“Pela característica do produto que vendemos, nosso cliente preferia comprar na loja física, olhar e escolher a cor da tinta. Quando passamos pelo primeiro momento de restrições no comércio e lojas fechadas, no ano passado, fizemos uma dos consumidores. “O resultado das vendas pelo site e por telefone chegou a ser, em determinado período, dez vezes maior que as vendas durante as campanhas de Black Friday, data em que o foco é voltado para o digital”, contou Ventorim.

Empresário apostou na capacitação para produzir boas fotos de divulgação e conquistar os clientes

Novos funcionários foram contratados e a equipe de televendas e e-commerce dobrou de tamanho. “A gente sabe que o digital tem potencial e que já era uma tendência, mesmo antes da pandemia Já estávamos investindo, mas o último ano acelerou o processo. O que a gente previa vender daqui a dois anos com as ferramentas digitais, já alcançamos hoje”, afirmou, com a vantagem de que o e-commerce alcança clientes em todo o Brasil.

Vendas pela internet já somam 60% do faturamento de empresário neste ano

Um dos maiores obstáculos que o empresário Cloves Júnior encontrava para aumentar as vendas pelo e-commerce era eliminar a barreira do desconhecimento do produto. Sua loja de roupas, localizada em Cariacica, conquistou a clientela da região, e as vendas no presencial sempre foram maiores do que pelo site próprio.

Até que no período de março a setembro de 2020, quando as restrições do atendimento presencial já estavam impostas, ele viu o faturamento das vendas pelo site aumentar consideravelmente. “Até o ano passado, as vendas online representavam 10% do faturamento. Agora, as vendas na internet já superam as presenciais, mesmo quando a loja está aberta”, disse Junior.

Ele conta que em março, logo no início da pandemia no Brasil, seu comércio ficou fechado. Com o passar dos dias, percebeu que precisaria encontrar alternativas para manter o faturamento da loja e investiu nas redes sociais e no teleatendimento para divulgação e informações.

Fonte: Especialistas consultados

O site, que existia desde 2016, passou por melhorias. “Mudei a plataforma para comportar os acessos simultâneos e investi na divulgação pelas redes sociais, com a ajuda da minha noiva, que se especializou para produzir boas fotos das peças. Sabemos que nas redes sociais, como o cliente não está pegando o produto na mão, 80% da compra é resultado de uma boa foto. Entendemos isso e fomos atrás de especialização para ajudar nas vendas online. Também direcionamos uma equipe só para o atendimento online”, contou. Atualmente, o faturamento de Cloves vem 60% do on-line e 40% das vendas na loja física. “No online, a venda não encontra fronteiras e atinge pessoas de vários lugares do Brasil”.

Enquetes e influenciadores para alavancar vendas digitais

A casa de porções, carnes e lanches que Igor de Boni, 23 anos, e sua família montaram em Jardim da Penha, Vitória, foi inaugurada durante a pandemia, em fevereiro deste ano. Ou seja, o momento não era tão favorável como em outras épocas, por isso eles tinham consciência de que deveriam apostar na divulgação e venda pelas redes sociais, nos aplicativos de entrega e delivery.

“Logo que abrimos, estava liberado o atendimento presencial, mas estávamos cientes de que havia a possibilidade de novos momentos de mais restrição no comércio, o que acabou acontecendo pouco tempo após a inauguração. Investimos fortemente na divulgação na rede social, e passamos a fazer também delivery próprio, além de delivery por aplicativo de entrega”, contou Igor.

Consciente das boas possibilidades para seu negócio a partir do digital, Igor conta que buscou com amigos dicas e informações para criar propaganda para as redes sociais, dicas de como fotografar os produtos e como impulsionar as vendas. “Procuro usar todas as possibilidades que a rede social oferece para o cliente conhecer meu produto: faço enquetes, parcerias com influenciadores e tem dado certo, atraído clientes e a experiência tem sido boa para nosso negócio”, contou o empresário.

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