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quarta-feira, 6 julho, 2022

Uma Vila Velha de 487 anos de superação

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Chegada da comitiva do fidalgo Vasco Fernandes Coutinho na, hoje, Prainha, em Vila Velha

Por Manoel Goes

A história capixaba é muito digna de comemorações em 23 de maio, nos seus 487 anos de muitas lutas e superações. Data da chegada da comitiva do fidalgo Vasco Fernandes Coutinho na, atualmente, Prainha, em Vila Velha. Nunca é demais lembrar a etimologia da palavra “comemorar”, que muitos estudiosos pesquisadores insistem em criticar, confundindo com “festejar”. Comemorar é uma palavra de origem latina – commemorare – que significa recordar, rever, trazer à memória, recordar coletivamente. E para fortalecermos a nossa identidade capixaba, temos que trazer à memória coletiva a nossa ancestralidade, origens e cultura histórica, com muitas vitórias e superações, orgulho e pertencimento de sermos capixabas.

Alguns pesquisadores e historiadores defendem que Vasco Fernandes Coutinho, primeiro donatário da capitania do Espirito Santo, morreu na miséria e abandonado. Que lhe faltou um simples lençol para cobrir o seu corpo. Que era viciado em mascar o fumo, hábito aprendido com os indígenas, chegando a ser excomungado pelo bispo Sardinha. Ele teve muitas dificuldades nos primeiros anos da recém-descoberta Vila do Espirito Santo, hoje Vila Velha.

Os confrontos com os índios, as dificuldades econômicas, e a precariedade do local, fomentados pelas constantes viagens do donatário da Capitania do Espirito Santo Vasco Fernandes Coutinho. Passados cinco anos, no Brasil não havia investidores interessados na Capitania do Espirito Santo, levando o Donatário de volta a Portugal em busca de recursos. Tempos difíceis para a então Vila do Espirito Santo. Teve toda sorte de dificuldades, como ocorreu em quase todas as capitanias do Brasil, à exceção das capitanias de São Vicente – SP e Pernambuco, nos primeiros 200 anos, mesmo assim Vasco Coutinho, realizou bastante, fez acordos com os índios do Espirito Santo, conseguindo até converter alguns à fé cristã, fundou os primeiro engenhos de açúcar, construiu duas vilas, a Vila Velha e a Vila da Vitória, hoje a capital Vitória. Viajou mais de uma vez à Portugal buscar recursos e colonos para a sua capitania.

A efetiva transformação de Vila Velha em município independente, não ocorreu de forma simples. Por duas vezes foi anexada à Vitória, até a emancipação em 30 de novembro de 1896 (126 anos atrás). A antiga Vila do Espírito Santo, como era conhecida, ganhou pela primeira vez status de cidade, passando a ser chamada de Vila Velha. No início do século XX a cidade tinha vida modesta, fartura em pescado e abundantes belezas naturais. Em 1910 a iluminação passou a ser elétrica, e com a água encanada chegando à cidade, início de grande desenvolvimento. A chegada dos bondes elétricos foi fundamental para o crescimento da cidade. Temos na Casa da Memória de Vila Velha, na Prainha, um único exemplar totalmente restaurado aberto à visitação.

Os capixabas precisam entender mais os seus mitos, símbolos, ritos, crenças e saberes. Devem conhecer e valorizar a rica cultura popular, tão importante quanto à literatura, à arte plástica, e a arquitetura. Vila Velha é a segunda cidade mais antiga do Brasil, fundada em 23 de maio de 1535, perdendo apenas para a paulista Cananéia e tendo Olinda (PE) em terceiro lugar, e que caminha, daqui a 13 anos, para o seu aniversário de 500 anos.

Manoel Goes é escritor e subsecretário de cultura de Vila Velha.

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