Zé Preto propõe organizar eventos de fé e impulsionar a economia local com novas políticas públicas no estado
Por Denise Miranda
O turismo religioso, uma das modalidades que mais crescem no país, ganhou destaque na Assembleia Legislativa com a apresentação do Projeto de Lei (PL) 520/2025, do deputado Zé Preto (PP). A proposta cria diretrizes para fortalecer e organizar atividades ligadas à fé no Espírito Santo, incluindo romarias, peregrinações, visitas a templos e festas tradicionais. O objetivo é integrar políticas públicas, melhorar a infraestrutura e ampliar os impactos sociais e econômicos dessas celebrações, especialmente no interior, onde elas movimentam comunidades inteiras ao longo do ano.
O texto define o turismo religioso como prática motivada pela espiritualidade, devoção e busca de experiências culturais e simbólicas. Para isso, prevê que o Estado passe a sistematizar dados estatísticos, reunindo informações de municípios, entidades religiosas e organizações do setor. Segundo o parlamentar, essa integração é essencial para entender o fluxo de visitantes, o perfil dos participantes e a demanda por serviços. Com uma base de dados contínua, o governo poderá formular políticas mais eficientes, identificar necessidades e direcionar investimentos conforme cada rota ou celebração.
O projeto também estabelece como diretriz o apoio a eventos religiosos de relevância cultural, como romarias, procissões históricas, festas de padroeiros e manifestações tradicionais. Zé Preto argumenta que essas práticas integram a identidade capixaba e exigem atenção não apenas espiritual, mas cultural e econômica. O PL prevê ações de promoção e divulgação dos eventos, além da criação de rotas que interliguem atrativos religiosos, culturais e naturais. O texto ainda reforça a preservação da memória religiosa das comunidades, garantindo que tradições seculares continuem reconhecidas e valorizadas pelas novas gerações.
Na justificativa, o deputado destaca que o turismo religioso tem efeito multiplicador na economia, especialmente nos municípios do interior. Ele afirma que a chegada de devotos impulsiona o comércio, aumenta a ocupação hoteleira, fortalece restaurantes e movimenta serviços de transporte. Em muitos locais, eventos religiosos chegam a provocar crescimento temporário — e até permanente — de pequenos negócios. Para Zé Preto, políticas específicas podem organizar esse potencial, atrair investimentos privados e estimular práticas sustentáveis de preservação do patrimônio cultural.
Caso o PL seja aprovado e sancionado, a lei entrará em vigor na data da publicação oficial. As secretarias estaduais de Turismo (Setur), Cultura (Secult), Esportes e Lazer (Sesport) e outros órgãos terão 90 dias para regulamentar as ações previstas. Essa etapa deverá detalhar mecanismos de coleta de dados, critérios de apoio logístico e estratégias de integração das rotas. O projeto será analisado pelas comissões de Justiça, Cultura, Turismo e Finanças antes de seguir ao plenário. Ao levar o tema ao debate legislativo, Zé Preto busca consolidar uma política pública que reconheça o valor histórico e econômico do turismo religioso e fortaleça sua expansão de forma organizada e alinhada às tradições capixabas.

