A transição para uma matriz mais renovável requer armazenamento, digitalização e integração setorial
Por Débora Cristina Niero
A transição energética é impulsionada por preocupações com as mudanças climáticas, segurança no fornecimento, eficiência e sustentabilidade econômica. Essa mudança para fontes mais limpas também exige que ocorra de forma justa. Entre as principais estratégias estão a ampliação do uso de fontes renováveis como a energia solar, eólica, hidrelétrica, biomassa, geotérmica e a energia das marés.
Para que a transição energética justa se concretize, é essencial dispor de dados consolidados sobre oferta e consumo.
Nesse contexto, o Balanço Energético Nacional (BEN) é referência. Em âmbito regional, destaca-se o Balanço Energético do Estado do Espírito Santo (BEES), que detalha a movimentação energética no estado, subsidiando políticas públicas, expansão da matriz e atração de investimentos. O BEES permite análises estratégicas por meio de plataforma interativa de Business Intelligence (BI).
Nos dados de 2024, o BEES aponta que 40,6% da energia produzida no Brasil vem de fontes renováveis. No Espírito Santo, esse percentual é de 13,9%, há 10 anos representava cerca de 6,4%. O consumo de eletricidade no estado cresceu 2,5%. Esses dados orientam e avaliam o impacto de políticas públicas.
Em se tratando de políticas públicas, o Espírito Santo atua para diversificar a matriz energética. Destacam-se programas como o de Geração de Energias Renováveis do Espírito Santo – GERAR, o GERAR Hidrogênio, a Política Estadual de Biometano e o Plano de Descarbonização e Neutralização das Emissões de GEE, com metas até 2050. Na área da indústria, o plano propõe incentivar a energia solar, eólica e hidrelétrica, além da compra de energia renovável no mercado livre.
A transição para uma matriz mais renovável requer armazenamento, digitalização e integração setorial. Baterias e gestão inteligente compensam a intermitência, enquanto a digitalização otimiza o consumo e reduz custos. Micro redes e DERs ampliam a resiliência, especialmente em regiões remotas.
No aspecto regulatório, mecanismos como net metering, tarifas horárias e leilões de longo prazo incentivam a inserção de renováveis no portfólio energético nacional, enquanto, as discussões sobre créditos de carbono, certificações ambientais e taxonomias verdes impulsionam práticas ESG. Ferramentas como PPAs corporativos e contratos indexados a desempenho aproximam oferta e demanda comprometida com metas climáticas.
As renováveis geram empregos, impulsionam inovação e reduzem a dependência de fósseis, mas enfrentam desafios de infraestrutura, integração, licenciamento e armazenamento. O planejamento deve garantir complementaridade e segurança energética.
Portanto, as renováveis são essenciais para a descarbonizarão e constituem o pilar da transição energética justa – processo que demanda tecnologia, regulação, políticas eficazes, instrumentos de mercado e visão estratégica de longo prazo. Onde esses fatores convergem, a transição torna-se inevitável, competitiva e socialmente benéfica.
Débora Cristina Niero é diretora de Gás Canalizado e Energia da Agência de Regulação de Serviços Públicos do Espírito Santo.
*Artigo publicado originalmente na revista ES Brasil 229, de outubro de 2025. Leia a edição completa aqui.


