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Sobre gentileza, humanização e uma vida mais plena

Tratar o outro com respeito e atenção contribui para promover bem-estar inclusive do ponto de vista químico, pela liberação de endorfina. E isso vale para a relação que se estabelece dentro de consultórios e hospitais. 

A frase clássica do Profeta Gentileza, que circulava pelas ruas do Rio de Janeiro, pintando, escrevendo e pregando sobre a importância de ser gentil, diz que gentileza gera gentileza, o que é uma verdade incontestável. O que nem sempre se diz é que a gentileza pode produzir outros frutos, inclusive relacionados à saúde física e ao bem-estar, por ser capaz de interferir nas emoções.

Em qualquer ambiente ou forma de relacionamento, tratar o outro com respeito e atenção, receber com um sorriso e demonstrar apreço são comportamentos capazes de promover bem-estar, até mesmo do ponto de vista químico, pela liberação de endorfina, que resulta na sensação de conforto e prazer. Vale para a relação que se estabelece dentro de consultórios e hospitais.

É fundamental que o médico e todos os demais profissionais de saúde tenham em mente que, em geral, estão diante de seres humanos fragilizados física e/ou emocionalmente. Nesta situação, será ainda mais importante colocar em prática a gentileza.

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O papel do médico é ser firme no diagnóstico, mas terno no tratar; ser exigente com os processos, mas fraterno com as pessoas. Numa conversa, os olhos de médico e paciente devem estar um no outro. Nem um nem outro devem “olhar para cima”.

“Num hospital, a máxima vale para todos os profissionais envolvidos no atendimento. Ser gentil, ser respeitoso, ser parceiro significa imprimir a marca da humanização na prestação de um serviço tão importante como o de saúde.”

Quebrar essas barreiras que distanciam médico e paciente, como a arrogância e o sentimento de superioridade, estabelece uma relação de parceria e confiança que pode ser crucial para um tratamento bem-sucedido.

Num hospital, a máxima vale para todos os profissionais envolvidos no atendimento. Ser gentil, ser respeitoso, ser parceiro significa imprimir a marca da humanização na prestação de um serviço tão importante como o de saúde.

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Marca essa que há 22 anos é construída no dia a dia do Hospital Metropolitano e que nos levou a oferecer, por exemplo, a primeira unidade no Estado voltada exclusivamente para o atendimento ao idoso.

Nela, há infraestrutura adequada ao atendimento, com, por exemplo, corrimão nos corredores, banheiros adaptados, pisos antiderrapantes, além de uma equipe multidisciplinar formada por profissionais de geriatria, fisioterapia, fonoaudiologia, nutrição, assistência social, enfermagem, terapia ocupacional, psicologia e odontologia para oferecer cuidado diferenciado e integrado.

O objetivo é trabalhar para reabilitar e diminuir o tempo de internação dos idosos, evitando complicações e disponibilizando programas, palestras, oficinas e vivências para os próprios idosos, familiares e cuidadores.

Também vemos que a humanização norteia nosso trabalho quando nos deparamos com histórias de afeto e solidariedade entre colaboradores e pacientes. Em uma delas, por exemplo, uma colaboradora tentava estimular um paciente na UTI dizendo que ele era convidado do seu casamento e que precisava melhorar para comparecer. Ele se recuperou, foi e ainda dançou uma valsa com a noiva.

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E esse é apenas um caso que demonstra que a humanização se dá ao se investir em infraestrutura e qualificação técnica, mas também no estímulo à sensibilidade, à escuta atenta, ao olhar que enxerga além de um órgão e da doença.

Uma lição que vale para hospitais, para médicos, para outros profissionais de saúde e para todos nós, cidadãos, pais, filhos, esposos e esposas, profissionais, vizinhos, cidadãos, seres humanos. Uma lição que vale para vida.

Remegildo Gava Milanez é médico e diretor-presidente do Hospital Metropolitano


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