Snapshot da economia americana

Abel Fiorot Loureiro é consultor financeiro e mestre em Economia e Finanças. - Foto: Reprodução

Por enquanto, o cenário é bastante positivo. Mas há riscos a se considerar na economia americana

Estamos chegando ao terceiro ano de governo do republicano Donald Trump. É o momento de avaliar os principais indicadores econômicos dessa potência chamada Estados Unidos da América, o país mais rico e poderoso do mundo e para as quais estão voltadas todas as atenções da comunidade financeira e empresarial.

O FED (o Banco Central americano) possui uma posição única, como o coração dos mercados financeiros mundiais. Isso em virtude do vigoroso mercado de fixed income (renda fixa), no qual o governo americano realiza a emissão de títulos de dívida do tesouro. Esses títulos e seu mercado, denominados em inglês como “U.S. government bond market”, ditam as regras e a precificação de ativos em todo o planeta. Não é à toa que vários economistas dizem que “um resfriado nos Estados Unidos gera uma forte gripe em todo o mundo”.

Depois de quase três anos de governo do Trump, um outsider, com pouca experiência política, é importante tirarmos uma foto instantânea (snapshot) da situação econômica dos Estados Unidos. Para fazer esta análise de forma simples e direta, escolhi os seguintes indicadores:

  • GDP growth rate”, ou taxa de crescimento do PIB, publicado trimestralmente;
  • Unemployment rate”, ou taxa de desemprego, calculada mensalmente;
  • Inflation rate”, ou taxa de inflação, calculada mensalmente;
  • Interest rate”, ou taxa de juros, divulgada diariamente.
Indicadores

Começo falando sobre o crescimento do PIB. A economia americana apresentou uma alta anualizada de 2,1%, em dados apurados no final do terceiro trimestre (setembro/2019), número um pouco maior que o resultado anterior, denotando expansão da economia. Quem mora aqui percebe isso facilmente. Os negócios e as contratações estão em avanço.

Em relação à taxa de desemprego, há recordes históricos, tendo chegado à marca de 3,5%, o patamar mínimo dos últimos 50 anos. Uma notícia bem animadora foi a geração de posto de trabalho. A criação de vagas, excluído o setor agrícola, foi de 266 mil no mês de novembro de 2019, acima das previsões de vários economistas. Outro fator que registrou aumento foi a produtividade do trabalhador americano.

Devido ao bom desempenho e a toda euforia que isso gera, a taxa de inflação anualizada subiu para 2,1% em novembro. No mês anterior fora apurada em 1,8%, uma taxa meio que consenso para países desenvolvidos e com economia estabilizada. Mesmo assim, o FED manteve as taxas de juros estáveis. Meta na faixa de 1,5% a 1,75%, durante a última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), em 11 de dezembro de 2019. O Banco Central americano não prevê mudanças de taxa de juros no ano de 2020.

Riscos consideráveis

Desde que me mudei para os EUA, tenho lido a respeito de uma possível crise e/ou desacelaração econômica no país. Por enquanto, a economia está indo muito bem, obrigado!

Mas nem tudo são flores, existem riscos a serem considerados. O déficit público americano é muito alto e há tensões comerciais com China. Há também o processo de impeachment do presidente Trump. Acho pouco provável esse trâmite para impedimento do presidente avançar, devido principalmente aos números apresentados pela economia até aqui. Mas, em se tratando de política, nunca se sabe. Importante ressaltar que no ano que vem temos eleições presidenciais, e Trump, naturalmente, é candidato à reeleição.

Uma coisa é certa, estamos todos torcendo para que as coisas continuem bem por aqui. Quando a economia americana vai bem, a economia mundial também vai, gerando crescimento e desenvolvimento em várias regiões do planeta, inclusive no Brasil.

Deus abençoe a América! Deus abençoe o Brasil!

Como sempre digo: vamos em frente!


Abel Fiorot Loureiro é consultor financeiro e mestre em Economia e Finanças. Escreve diretamente dos EUA, onde reside.

 

Conteúdo Publicitário