Com 5,2 mil vagas criadas, Estado cresce 0,6% no ano liderado pelos setores de serviços e indústria; comércio apresenta retração
Por Letícia Arcanjo
O Espírito Santo registrou a criação de 5.182 postos de emprego formais, entre janeiro e fevereiro deste ano. Com essas novas vagas, o estado apresentou crescimento de 0,6% em relação ao ano passado, alcançando um estoque de 928.138 empregos com carteira assinada.
O economista do Conselho Regional de Economia do Espírito Santo (Corecon-ES), Vaner Corrêa, explica que o mercado de trabalho capixaba apresenta um quadro de crescimento moderado, marcado por diferenças entre os setores.
Segundo ele, há geração líquida de empregos formais, porém em ritmo menor do que em períodos de recuperação mais intensa.
De acordo com o especialista, a taxa de formalização se mantém relativamente estável, com predominância de vínculos no setor de serviços. Além disso, há uma dinâmica desigual entre os segmentos, com serviços (+3.730) e indústria (+2.362) sustentando o saldo positivo, enquanto o comércio (-947) apresenta maior volatilidade.
Entre os fatores que explicam o resultado, Corrêa cita o efeito de continuidade do crescimento observado no fim de 2025, com a economia mantendo um nível de atividade estável.
O economista ressalta que há, também, fatores estruturais que sustentam esse desempenho, como a diversificação da economia capixaba, que reduz a dependência de um único setor, a forte presença em atividades exportadoras, como minério, celulose e siderurgia e a expansão do setor de serviços, que tem maior capacidade de gerar empregos.
“Além disso, políticas de investimento privado em infraestrutura e logística contribuem para a sustentação do nível de emprego formal”, afirma.
Em entrevista à ES Brasil, o coordenador do Observatório do Comércio do Connect Fecomércio-ES, André Spalenza, ressalta que, apesar do avanço, o crescimento percentual é menor quando comparado a anos anteriores. Segundo ele, o mercado de trabalho enfrenta atualmente desafios relacionados à formalização da força de trabalho.
“Hoje vivemos um novo momento no mercado de trabalho, que exige melhor entendimento entre as demandas das empresas e o perfil dos trabalhadores”, explica.
Nesse cenário, Spalenza destaca ainda a importância da qualificação profissional como fator essencial para ampliar o acesso a melhores oportunidades e salários.

