O objetivo foi criar um instrumento norteador de políticas públicas e estratégias que impulsionem o turismo na Rota da Ferradura
Por Amanda Amaral
Foi realizado um diagnóstico turístico e econômico para identificar o potencial das comunidades, caracterizar os atrativos e o estágio atual dos empreendimentos das comunidades que pertencem a Rota da Ferradura, em Guarapari. O documento apontou os principais problemas e as vantagens para o desenvolvimento do turismo na região.
O documento Diagnóstico Turístico e Econômico da Rota da Ferradura foi elaborado entre os anos de 2023 e 2024, nas comunidades de Buenos Aires, Boa Esperança e Jabuti, além de locais como Barra do Limão, Arraial do Jabuti, São João do Jabuti, Iguape e Cachoeirinha.
O objetivo é que o documento seja um instrumento norteador da política pública e foi construído com base no diagnóstico socioeconômico e inventário da oferta turística e se baseia em quatro aspectos: economicamente viável, ambientalmente correto, sustentável e socialmente justo.
Foram consultados para elaboração do diagnóstico, proprietários de empreendimentos turísticos, proprietários rurais, agricultores familiares, povos e populações tradicionais, lideranças, gestores públicos, técnicos e pesquisadores que contribuíram nas reflexões e sugestões de melhorias para o turismo, na Rota da Ferradura.
O documento foi apresentado no final de junho pela Agência de Desenvolvimento das Micro e Pequenas Empresas e do Empreendedorismo (Aderes). Na ocasião, Alexandre Passos, Diretor de Fomento e Inovação da Agência, destacou a relevância do projeto ao ressaltar que compreender e apoiar a cadeia produtiva do turismo é essencial para a criação de emprego e renda.
Desafios e potencialidades

As considerações finais documento Diagnóstico Turístico e Econômico da Rota da Ferradura apresentaram os desafios e as potencialidades das comunidades da região. Um destaque foi sua localização estratégica entre o mar e as montanhas de Guarapari e a proximidade com Vitória – capital do Espírito Santo.
A região também oferece oportunidades para os segmentos do Turismo Rural, Agroturismo, Turismo Gastronômico, Turismo Ecológico, Turismo de Observação de Aves, Turismo de Aventura (cicloturismo, rapel, arvorismo e trilhas), que podem gerar experiências únicas sensoriais, visuais e afetivas para quem visita a região.

Outro potencial da Rota da Ferradura é o polo gastronômico, que apresenta diversidade de cardápio com gastronomia brasileira e internacional (argentina, francesa e mediterrânea). Contudo, foi identificado que a gastronomia típica da região (dos italianos e dos quilombolas) ainda é menos explorada.
São problemas enfrentados pelas comunidades: a intensa atividade imobiliária informal; necessidade de investimentos em infraestrutura, acessibilidade, equipamentos e sinalização turística e rodoviária; carência de uma mão de obra treinada e qualificada; criação de uma instância de governança para um planejamento unificado, sendo que o empreendedorismo na Rota da Ferrado é praticado em sua maioria por mulheres.
Rota da Ferradura

A Rota da Ferradura é denominação dada à região serrana de Guarapari que desponta como área de interesse para o desenvolvimento econômico e turístico. Foi institucionalizada pela Lei nº 11.786, de 27 de março de 2023. Tem início na BR-101, km 335, onde começa a Rodovia Arthur Arpini, em Várzea Nova, ligando esta à comunidade de Buenos Aires, no total de 6 km. Localiza-se na área rural do distrito de Guarapari, onde predomina clima de montanha com relevo de até 700 metros de altura.
A origem do nome da Rota da Ferradura foi definida pelo formato do trajeto da estrada, que liga Buenos Aires à Arraial de Jaboti. Existe outra versão, que indica que o nome seria uma homenagem aos tropeiros, que antigamente escoavam de cavalo a produção agrícola até o centro de Guarapari.


