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terça-feira, 2 junho, 2020

Como o Espírito Santo pretende se recuperar economicamente no turismo?

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Com a crise provocada pelo novo coronavírus, estabelecimentos estão fechados, levando muitos a perderem receita. No Dia Nacional do Turismo, saiba como o setor está se adaptando e pretende se recuperar. Confira!

Conhecido por suas lindas praias, montanhas acolhedoras, atrativas cachoeiras e rico de monumentos históricos, infelizmente o Espírito Santo precisou se concentrar em outra causa: o enfrentamento ao novo coronavírus (Sars-Cov-2), que já fez várias vítimas ao redor do mundo.

Nesta sexta-feira (08), é comemorado o Dia Nacional do Turismo, mas será que há algo a celebrar? Isso porque o setor de turismo foi o primeiro a ser impactado pela pandemia, deixando de arrecadar em impostos por conta das redes de hotéis fechadas, pelo segmento de eventos parado, além dos bares e restaurantes que atuam em horários restritos, de acordo com recomendações do governo estadual.

Para falar um pouco sobre o assunto, o secretário de Estado do Turismo (Setur), Dorval de Assis Uliana, conversou com ES Brasil e explicou como está o cenário capixaba e como o setor pretende se recuperar desse período tão difícil enfrentado pelo país.  Acompanhe!

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O secretário de Estado do Turismo, Dorval de Assis Uliana. – Foto: Divulgação

A Fundação Getúlio Vargas projeta queda de 38,9% do PIB turístico este ano, rebaixando-o de R$ 270,8 bilhões para R$ 165,5 bilhões. Os investimentos destinados ao setor foram reduzidos ou serão mantidos?

Nós ainda não sabemos ainda o impacto total que o Espírito Santo teve em questão de valores, por isso não há como precisar. Algumas atividades do turismo, como o segmento de eventos, por exemplo, está proibido. Bares e restaurantes, que estão vinculados ao turismo, tiveram 40% de queda na produtividade. No setor aéreo, somente 10% do volume está atuando, isso representa cerca de 20 mil pessoas por dia circulando. Empresas de ônibus, aplicativo, combustível sofrem. Todos foram impactados de alguma forma. A hotelaria não foi proibida, mas evita atuar com todos os hotéis, deixando apenas alguns para receberem os poucos turistas que ainda vem ao Estado. Ainda não temos o dado precisamente.

De acordo com o período em que vivemos, houve muitas dispensas no setor?

Antes da pandemia, o setor tinha 8,9% da mão de obra, aproximadamente 176 mil pessoas. Esses dados são de 2019, os mais atualizados. Hoje, temos um estudo muito seguro, com metodologia avaliada pelo Ministério do Turismo. Não temos como avaliar ainda a queda, pois o cenário está se estendendo. Os últimos dados são do início de março, ainda não contabilizamos o mês de abril, então não temos como precisar a redução.

A previsão é de que o coronavírus mude tudo no mundo. O senhor acredita que o setor de turismo também precisará se adaptar?

Posso afirmar que está se adaptando e fazendo mudanças em uma série de protocolos e procedimentos. O setor de transporte, por exemplo, terá que rever como levar as pessoas dentro de um ônibus ou uma van toda fechada, por exemplo. Já o setor aéreo garante que não há chance de contaminação por causa do tudo de ventilação, considerado muito seguro, pois o sistema de refrigeração capta o ar e o coronavírus não sobrevive a temperatura. Os hotéis estão com a perspectiva de alterar também, estimulando o distanciamento social, utilizando novos equipamentos, atendendo com os novos protocolos orientados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Com um senso comum, perspectiva de segurança e vacina até 1 ano e meio, é possível que haja um pouco de relaxamento, mas todos já se adaptam, sim.

Há expectativa de que o Estado continue recebendo turistas ou cada vez mais reduza?

Temos expectativa de redução de turistas, principalmente de receita no turismo. A tendência agora é retomar as atividades, mas as pessoas estão com a ideia de fazer viagens mais curtas, num raio de até 300 km, a fim de se deslocarem menos. O turista, como o mineiro, que fica 12 a 30 dias no Estado, a perspectiva é de ficar menos. A expectativa é que fique cada vez menos, e, menor tempo e destinos mais próximos. Fluxo rodoviário também será mais preponderante do que o aéreo. Agora, quanto às pessoas que vem de carro, nós não temos como mensurar também.

Nesse período de pandemia, quais ações o Estado está realizando para que o setor de turismo não seja tão prejudicado?

As diretrizes são manter os municípios assistidos. Primeira preocupação do governo do Estado foi colocar o Painel Covid-19 no ar para que as pessoas saibam como está o número de casos em cada região e, até mesmo, evitar as fake news, assim também se evita especulações. Desde que foi lançado, o portal ajudou as pessoas a acreditar que a crise é séria e para que elas tomassem mais providências o quanto antes. Depois começamos com toda uma ação complexa de prover crédito. Sabemos que, infelizmente, tudo é regulamentado pelo Banco Central, então conseguimos pouco benefício, mas estamos em comum esforço com as entidades do setor como a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Espírito Santo (ABIH-ES), o Sindicato de Hotéis e Meios de Hospedagem do Espírito Santo (Sindihotéis), que nos ajudam a buscar créditos mais favoráveis para as pessoas que encerraram suas atividades por conta da doença. Pelo tempo que essas empresas estão com as atividades paradas, estamos criando parceiras com Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-ES) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) para avaliar o nível de segurança. Uma equipe do governo do Estado verificará se é possível divulga-lo para que o turismo seja retomado. Faremos esforço de mídia, faremos caravanas com empresários do ramo para atualizar o que há de novo e estimular às atividades econômicas.

Como os municípios estão lidando nesse período de pandemia, considerando que muitos deles vivem do turismo?

A base agrícola do estado é principalmente o café. O agroturismo tem muita força. Existem muitos municípios na região de montanhas, por exemplo, que estão sentindo muito o impacto financeiro nas suas atividades. Guarapari que é mais sazonal, por causa do verão, nesse momento está ainda mais parado. No Caparaó capixaba, inclusive, os empresários se organizaram e decidiram fechar tudo, pois entendem que quando maior o isolamento, menos casos confirmados do novo coronavírus terão. E isso é muito importante para a retomada do comércio. Não recomendamos o turismo agora. É necessário seguir as recomendações das organizações da saúde nesse momento é sinônimo de voltarmos mais rápido às nossas atividades.

O turismo de negócios gera muita renda e investimentos no Espírito Santo. E muitos empresários, donos de redes de hotelaria, por exemplo, estão sofrendo os impactos do vírus na economia. Existe alguma ação voltada a esse segmento?

O que tem é uma grande articulação para avaliar o impacto nas grandes empresas. Entramos em contato com a Vale, por exemplo, para saber o quanto ela está perdendo para chegarmos a um resultado e soluções para esse segmento. O setor atacadista tem uma contribuição importante nos negócios, pois várias empresas têm sedes no Estado. Com a pandemia, temos uma certeza: os negócios e a vinda de gestores aqui vão diminuir. As empresas encontrarão soluções para não precisar se locomover. Mas temos que aguardar para avaliar mais profundamente.

Praia de Camburi
A Praia de Camburi, em Vitória, é um dos locais que recebe mais turistas ao ano. – Foto: Reprodução

Em janeiro deste ano, Vitória foi considerada uma das capitais mais procuradas para visitar. Como estava o turismo de lazer antes da pandemia?

Estava crescendo 3% ano. A capital estava sendo mais procurado pelas operadoras de turismo, sendo descoberto no último período. Estávamos crescendo mais que a média nacional. Eram ofertados passeios fartos, verão com eventos de varias regiões, ônibus de turismo, o que atrai muito o público. Mas se não tem movimentos de pessoas, não há turismo. Tem menos rapel, menos voo livre, menos montanhas, menos visitas às praias e cachoeiras. Vitória estava sendo a capital mais procurada, graças aos buscadores que funcionam como indicadores que concretizam a viagem. Começaram a verbalizar e mostrar uma grande busca da capital e o tornaram o destino mais procurado.

Quais serão os desafios que o setor enfrentará no pós-pandemia?

O principal é o que será feito para controlar a pandemia. Os Estados que não tiverem preparo e não souberem administrar a doença não se sairão bem. A capacidade de gestão da crise e do pós-crise, vai nos dar mais autorização de divulgar, voltarmos a anunciar os passeios e o fluxo turístico voltar a crescer. É necessário saber gerenciar. Lançar mão de informações verdadeiras, aprimorar a qualidade da mão de obra, respeito à vida humana que cada estabelecimento deverá ter. Cada empresa precisa pensar em um protocolo próprio. É muita coisa diferente para cada um tomar conta. É diverso e complexo ao mesmo tempo. O momento pós-pandemia recisará de mais preocupação das pessoas que estão envolvidas com o setor. Novos hábitos virão. Acredito que uma parcela mais consciente da população adotará uma série de medidas de segurança. E quando falamos de turismo, mexemos com sonho. Viagem é sentimento e ser marcado por um contágio não é nada bom.

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