A produção industrial capixaba registrou o maior avanço entre os estados, segundo o IBGE, destaque para minério de ferro pelotizado e petróleo offshore
Por Amanda Amaral
No período de um ano, a produção da indústria do Espírito Santo cresceu 15,3%. A alta levou o estado a primeira posição no ranking entre as Unidades Federativas (UFs) que mais prosperaram no período. Liderança também na comparação dos oito primeiros meses, com crescimento de 6,1%.
Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal Regional (PIM-PF) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), compilada pelo Observatório Federação das Indústrias do Estado do Espírito Santo (Findes). Em setembro, o setor industrial também cresceu no mês.
Os outros estados que apresentaram as maiores altas na comparação mensal foram Rio de Janeiro (+6,1%), Pará (+5,8%) e Paraná (+3,8%), tendo a média nacional caído 0,7%. Já com relação aos oito primeiros meses de 2025, o ranking ficou assim: Pará (+5,0%), Paraná (+4,2%), Rio de Janeiro (+4,0%) e Santa Catarina (+3,3%), com média nacional de 0,9%.
O presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), Paulo Baraona explicou que, mesmo diante de desafios do mercado interno e externo, a indústria capixaba se adaptou e foi em busca de novas oportunidades. “Esses resultados reforçam o protagonismo da indústria do Espírito Santo no cenário nacional e sua importância para o desenvolvimento econômico do Estado”, afirma.
Na comparação mensal, o desempenho do setor industrial no estado foi puxado pela indústria extrativa (+25,5%). Alta nas produções de minério de ferro pelotizado e petróleo e gás natural. Já a indústria de transformação, recuou 3,6%. só houve crescimento nas atividades de fabricação de alimentos (+1,9%) e produção de papel e celulose (+2,8%).
“O Estado vem consolidando sua posição como um dos principais polos de produção de petróleo e gás do país. A expansão observada no setor está relacionada ao aumento da produção offshore (no mar). Em agosto de 2025, essa produção cresceu 5,7% em relação a julho de 2025 e 49,6% em relação a agosto de 2024. Já o gás natural no ambiente marítimo cresceu 10,9% em relação a julho e 86,2% na comparação com agosto de 2024”, destaca o gerente de Ambiente de Negócios do Observatório Findes, Nathan Dirr.

O FPSO Maria Quitéria, no Campo Jubarte, contribui para o desempenho industrial do Espírito Santo. “Mesmo operando abaixo da capacidade total, a produção do navio-plataforma de 54,7 mil barris de petróleo por dia e 1,9 milhão de metros cúbicos de gás natural, ele mostra a eficiência das operações offshore e reforça a relevância do setor para a economia capixaba”, complementa. Nos oito primeiros meses de 2025, a indústria da transformação cresceu nas atividades metalurgia (+1,6%), fabricação de produtos alimentícios (+0,2%) e papel e celulose (+1,1%), com baixa na fabricação de produtos de minerais não-metálicos (-4,5%).
“Esses resultados mostram que, apesar dos desafios do mercado interno, setores estratégicos como a metalurgia continuam impulsionando a indústria capixaba. A alta se deve à demanda nacional por produtos siderúrgicos, embora tenha registrado uma leve desaceleração no início da segunda metade do ano, refletindo a oscilação do mercado interno”, aponta a gerente executiva do Observatório Findes e economista-chefe da Findes, Marília Silva.

