Novos portos vão colocar o Espírito Santo na rota das grandes embarcações, aumentando a competitividade logística do estado em comparação a outros portos
Por Kikina Sessa
Enquanto o Brasil perde competitividade por conta de um complexo portuário defasado e com capacidade de carga no limite, o Espírito Santo caminha a passos largos na direção de se posicionar como um dos principais hubs logísticos do país. Portos brasileiros não têm profundidade para receber os grandes navios. O Porto de Santos, por exemplo, tem profundidade de 15 metros e, por conta disso, deixa de receber até um milhão de toneladas por ano, segundo o Centro Nacional de Navegação Transatlântica (CentroNave).
A entrada em operação do Imetame Logística Porto, prevista para o segundo semestre de 2026, na região Norte do estado, e do Porto Central, em 2027, no Sul do estado, colocam a costa capixaba apta a receber os maiores navios do mundo.
Com profundidade atual de 17 metros, e potencial expansão para 25 metros no futuro, o Imetame contará com uma infraestrutura de ponta capaz de receber a próxima geração de navios porta-contêineres (New Post Panamax), além de oferecer a robustez necessária para acomodar a mudança no perfil de transporte, com a operação de granéis sólidos em navios Capesize.
Já o Porto Central terá profundidade prevista de até 25 metros e 54 berços de atracação, com condições de atender os mais diversos segmentos, como granéis líquidos e sólidos, fertilizantes, minerais, grãos, contêineres, cargas gerais, gás natural, apoio offshore e estaleiros.
“O início da operação de portos como o Imetame Logística Porto e o Porto Central representa uma virada estratégica para o Espírito Santo no cenário do comércio exterior. Esses investimentos vão ampliar significativamente a capacidade do estado de receber grandes embarcações, o que vai nos posicionar como um dos principais hubs logísticos do país”, comenta Sidemar Acosta, presidente do sindicato das empresas de comércio exterior (Sindiex).
O presidente do Sindiex destaca que além da infraestrutura moderna e da localização estratégica próxima aos grandes centros consumidores do Brasil — que facilita operações logísticas mais ágeis em comparação a outros portos brasileiros —, o que está sendo construído no litoral norte capixaba é um complexo logístico de classe mundial. “A proximidade com uma Zona de Processamento de Exportação (ZPE) totalmente privada e com modelo inovador é uma vantagem exclusiva que tende a atrair ainda mais empresas para o estado”, disse Sidemar.
Eficiência logística
Professor do Ifes e coordenador da Câmara Temática de Gestão de Materiais e Logística do Conselho de Administração (CRA-ES), Denilton Macario destaca que o mercado internacional movimenta algo em torno de 95% via modal aquaviário e a tendência mundial tem sido a movimentação em grandes embarcações, com grande capacidade de carga, seja granel ou por contêineres, exatamente para melhorar a eficiência logística de suas operações, ou seja, navios maiores transportam mais cargas e com isso o custo por tonelada ou TEU (medida do contêiner) transportado diminui bastante.
“Ter um porto com profundidades maiores propicia o recebimento de embarcações com calado maior e isso obviamente colocará o Espírito Santo no centro das operações, sendo mais vantajoso importar ou exportar pelo estado”, afirma o professor.
O consultor José Ernesto Conti faz uma observação quanto aos equipamentos nos portos brasileiros. “Boa parte dos portos brasileiros tem equipamentos obsoletos e funcionam com uma legislação muito antiga e isso limita o aumento da capacidade do porto. Há pouco investimento em modernização dos portos brasileiros”. Esse é mais um motivo para que Espírito Santo se destaque no cenário nacional, com portos mais modernos.

