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Por que o modelo da Vports não se espalhou pelo Brasil?

Gestão privada elevou eficiência e investimentos no Porto de Vitória, mas experiência ainda não inspirou política nacional

Por Samantha Dias

Quando a então Companhia Docas do Espírito Santo (Codesa) foi concedida à iniciativa privada, em março de 2022, o Governo Federal colocou em prática um projeto-piloto nacional. Pela primeira vez, a autoridade portuária sairia do controle estatal. Com a execução desse formato inédito, a Vports viria a se tornar a primeira autoridade portuária privada do Brasil, responsável pelos portos de Vitória, Vila Velha e Barra do Riacho, em Aracruz, pelo período de 35 anos.

O modelo de desestatização seria uma referência para outras companhias docas federais. A proposta era testar se a gestão privada poderia imprimir mais agilidade decisória, ampliar investimentos, reduzir entraves burocráticos e elevar a competitividade em um setor historicamente marcado pela forte presença do Estado.

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Passados quatro anos da concessão da Codesa, o volume de recursos anunciados e executados pela Vports, além dos investimentos para ampliação e modernização da infraestrutura e da eficiência operacional, são indicativos poderosos da viabilidade do projeto.

O CEO da Vports, Gustavo Serrão, enumera os bons resultados da gestão: “Desde o início da concessão, a Vports conduziu um movimento de transformação nos Portos de Vitória e Vila Velha. A partir de um modelo de gerenciamento ágil e flexível, foram firmados 18 novos contratos, com investimentos da ordem de R$ 1,5 bilhão, considerando o que já foi realizado até o momento e o que está contratado até 2027. Os aportes aumentaram a produtividade e a competitividade do porto e permitiram sucessivos recordes de movimentação no período”.

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Por que o modelo da Vports não se espalhou pelo Brasil?
Gustavo Serrão, CEO da Vports, avalia que a ampliação dos portos de Vitória e Vila Velha para receber navios de até 83 mil toneladas contribuiu para o aumento de competitividade e atratividade dos portos capixabas – Foto: Gabriel Lordello/Mosaico Imagem

O executivo afirma que, dentre os avanços e melhorias executados, a ampliação dos portos de Vitória e Vila Velha para receber navios de porte bruto de até 83 mil toneladas – equivalentes a cerca de 6 mil a 8 mil TEUs – contribuiu para o aumento de competitividade e atratividade dos portos capixabas.

Além disso, desde 2022 houve aumento significativo das importações, do número de atracações, da movimentação de contêineres e de diversas cargas, sendo que 2025 registrou recordes na movimentação de cargas importadas, com destaque para veículos: 215 mil unidades chegaram ao Brasil pelos portos de Vitória e Vila Velha ao longo do ano. No mês de junho, por exemplo, a movimentação foi recorde, atingindo 49.650 unidades.

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A transferência da concessão para a iniciativa privada marcou, sobretudo, uma mudança de governança, com a adoção de um modelo orientado à agilidade operacional, à redução de entraves burocráticos e à atração de investimentos. Na prática, essa reconfiguração se reflete de forma mais evidente no desempenho de determinadas cadeias produtivas, que passaram a operar em um ambiente mais eficiente e competitivo.

Confira as cargas que mais cresceram após a concessão:

• Veículos (+269%)
• Trigo (+115%)
• Café (+104%)
• Carvão e coque (+93%)
• Granito em bloco (+76%)
• Offshore (+64%)

Essa matéria foi publicada originalmente na Edição 232 da Revista ES Brasil — Portos: O Poder da Logística, de março de 2026. Clique neste link para conferir a edição completa.

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