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quinta-feira, 30 junho, 2022

PIB do 4° trimestre de 2021: Economia brasileira Preto-no-Branco

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“Que o fôlego para o crescimento, neste momento, é curto, sabemos todos. As estatísticas do PIB do 4º trimestre de 2021 respondem por quê”

Por Arilda Teixeira

Seus resultados, e os das contas externas – Transações Correntes e Conta Capital e Financeira – sinalizam o que a economia brasileira tem pela frente. O lado bom de pegar esses dados é que o fato de serem números, tira espaço para interpretações casuísticas que desviam o foco do problema.

E, neste momento em que a Euroasia enfrenta situação de guerra criada para sancionar autoritarismo, arbitrariedades contra civis, e disseminar injustiça social, o terreno fica fértil propostas de soluções mágicas.

Esse assunto absorveu a maior parte do debate/noticiário que procura explicar seus significados, e seus efeitos econômicos, financeiros e sociais.
Resumindo, para onde vai a economia brasileira e mundial? O que se pode prevê para o fluxo de negócios? O que acontecerá com o emprego?

Pelo que se apresentou até agora, na melhor das hipóteses, haverá aumento da inflação e queda da atividade econômica. Na pior, isso, e protecionismo, no estilo beggar thy neibour. Retrocesso.

Naturalmente, a economia brasileira também será penalizada. Menos por suas posições geopolíticas – que é nenhuma – e mais por sua dependência externa.
O conflito da Euroasia afetará o comércio exterior, chegando nas commodities mineral e energética. Daí, para alcançar o Brasil, é um pulo.

No setor Serviços, não há muito o que esperar. Em média, as receitas de exportações de serviços, correspondem a 50% das despesas – o Brasil paga suas importações de serviços com o dinheiro obtido dessas exportações.

Mas, a baixa previsibilidade do atual cenário não permite indicar qualquer rota para seguir. Sobretudo porque o saldo comercial está positivo em 2021, mas muito pequeno para sustentar um superávit em 2022, se permanecer o cenário atual.

Situação análoga será enfrentada pela Conta Capital e Financeira do Balanço de Pagamentos. Seus superávits estão em queda. Cabe otimismo em relação ao estoque de Reservas Internacionais do País. A princípio, há recursos para honrar seus pagamentos externos. Permanecendo assim resguarda sua reputação no mercado internacional.

Principalmente se o aumento das importações em 12,4% no 4º trimestre de 2021, se mantiver em 2022. Aumento de Importação é perspectiva de produção. É muito bem-vindo porque, apesar de a Taxa de Investimento ter aumentado 17,2%, esse percentual não garante que volume de produção também aumentará – essa taxa manteve-se em queda de 2014 até 2017; e o crescimento de 2021 não recuperou a queda. Pelo lado da oferta a Agropecuária sustentou crescimento médio de 2% a.a. desde 2018; alcançou 3,8% em 2020; e -0,2% em 2021.

A Indústria teve taxas de crescimento negativas de 2014 a 2017; crescimento zero de 2017 e 2018; 0,5% em 2019; queda de 3,4% em 2020; e crescimento de 4,5% em 2021.
O Serviços teve ritmo análogo. Taxas de crescimento decrescentes entre 2011 e 2014; crescimento negativo em 2015 e 2016; positivo em 2017, 2018 e 2019, respectivamente, 0,3%, 1,1% e 1,3%. Em 2020 caiu 4,3%; e 2021 cresceu 4,7%.

Do cenário descrito até aqui, o indicador com alguma perspectiva de se confirmar é a Taxa de Investimento. Sustentando o ritmo e direção que está, a economia brasileira pode esperar o crescimento.

Arilda Teixeira é economista e professora da Fucape Business School.

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