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domingo, 23 junho, 2024

Oncologista alerta que o câncer de ovário é uma “doença silenciosa”

Em entrevista, Camila Beatrice comenta sobre situações que a mulher precisa estar atenta, pois podem ser sinais da doença

Por Kebim Tamanini

Todo câncer tem uma origem genética, decorrente de transformações no DNA ao longo da vida, resultando em mutações que propiciam o desenvolvimento da doença. Em uma parcela de 5% a 10% dos casos, essa alteração genética é herdada desde o nascimento. Contudo, o câncer de ovário destaca-se com uma influência hereditária mais expressiva, atingindo 25% dos diagnósticos, ou seja, uma em cada quatro mulheres diagnosticadas com a doença.

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Mundialmente, é o oitavo câncer mais comum entre mulheres e o terceiro mais frequente entre os tumores ginecológicos, com 324 mil novos casos anuais, ficando atrás apenas do câncer de colo do útero e endométrio. Estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) prevêem 7.310 novos casos anuais no Brasil, entre 2023 e 2025, representando 6,62 novos casos a cada 100 mil mulheres.

A despeito dos avanços médicos, o câncer de ovário continua com altas taxas de mortalidade. Segundo a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), aproximadamente 70% a 80% das mulheres diagnosticadas com a doença no Brasil faleceram em menos de cinco anos após o diagnóstico, principalmente devido ao diagnóstico tardio. Cerca de 80% dos casos são descobertos já em estágios avançados da doença.

Em entrevista exclusiva à ES BRASIL, a oncologista do Hospital Evangélico de Vila Velha (HEVV), Camila Beatrice, explica que “em comparação com o câncer de mama, o câncer de ovário enfrenta desafios únicos devido à sua natureza silenciosa e à falta de opções de rastreamento eficazes”. Ela destacou que diagnosticar a doença precocemente é fundamental para garantir um tratamento eficaz e aumentar as chances de sobrevivência.

Diante desses desafios, a conscientização sobre os sintomas e fatores de risco, juntamente com o acesso a cuidados médicos adequados, a detecção precoce facilita o tratamento contra o câncer de ovário. “O inchaço abdominal, dores na região do abdômen ou da pélvis, uma sensação de plenitude persistente, fadiga, dores nas costas, desconforto durante a relação e mudanças menstruais, devem estar especialmente alertas”, ressalta a oncologista.

Entrevista

  • O câncer de ovário, muitas vezes referido como ‘O Assassino Silencioso’, é notável por seus sintomas, que podem ser atribuídos a outros tipos de câncer ou a doenças distintas. A que sinais e circunstâncias, então, uma mulher deve estar atenta?

Camila Beatrice: Os sintomas do câncer de ovário, apesar de sua natureza silenciosa, são notavelmente específicos. Mulheres que experimentam inchaço abdominal, dores na região do abdômen ou da pélvis, uma sensação de plenitude persistente, fadiga, dores nas costas, desconforto durante a relação e mudanças menstruais, devem estar especialmente alertas. Além disso, o inchaço abdominal acompanhado de perda de peso merece atenção.

  • Existe algum método eficaz de detecção do câncer de ovário?

Camila Beatrice: A maioria dos cânceres ovarianos não está relacionada à hereditariedade, embora pacientes com histórico familiar de câncer de mama, ovário, pâncreas ou com mutações genéticas específicas, como as mutações BRCA1 e BRCA2, tenham um risco aumentado. No entanto, é um equívoco comum acreditar que apenas pessoas com histórico familiar estão em risco. Diagnosticar a doença precocemente é fundamental para garantir um tratamento eficaz e aumentar as chances de sobrevivência.

Em entrevista, Camila Beatrice comenta sobre situações que a mulher precisa estar atenta, pois podem ser sinais da doença
Na fase inicial, o câncer de ovário não causa sintomas específicos. Foto: Reprodução
  • Quais foram os principais avanços no tratamento do câncer de ovário nos últimos anos?

Camila Beatrice: Nos últimos anos, novas terapias direcionadas, como os inibidores de PARP, têm revolucionado o tratamento do câncer de ovário, alterando sua história natural. Essas terapias têm apresentado resultados promissores, especialmente em pacientes com determinadas mutações genéticas.

  • É possível engravidar após ter tido câncer de ovário?

Camila Beatrice: A possibilidade de engravidar após o câncer de ovário depende do estágio da doença no momento do diagnóstico. Em estágios iniciais, onde é possível realizar uma cirurgia de preservação da fertilidade, a gravidez é uma opção viável. No entanto, em estágios mais avançados, quando a cirurgia envolve a remoção total dos ovários, a fertilidade pode ser comprometida.

  • Qual é a relação entre histórico familiar e o risco de desenvolver câncer de ovário?

Camila Beatrice: Pacientes com familiares de primeiro grau com histórico de câncer de ovário ou mama, ou com mutações genéticas conhecidas, devem estar especialmente atentas ao risco da doença. No entanto, é importante entender que o câncer de ovário pode ocorrer mesmo na ausência de histórico familiar, e ignorar os sintomas com base nesse mito pode atrasar o diagnóstico e reduzir as chances de sucesso no tratamento.

  • Quais medidas podem ser adotadas para melhorar o diagnóstico precoce e o tratamento do câncer de ovário?

Camila Beatrice: Em comparação com o câncer de mama, o câncer de ovário enfrenta desafios únicos devido à sua natureza silenciosa e à falta de opções de rastreamento eficazes. Investimentos em conscientização pública, educação médica e pesquisa são essenciais para melhorar o diagnóstico precoce e o tratamento dessa doença. Além disso, estratégias de preservação da fertilidade e apoio psicológico para pacientes afetados também são fundamentais para melhorar o cenário do câncer de ovário.

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