Com recordes em movimentação e investimentos, os portos do ES reafirmam seu papel estratégico no desenvolvimento sustentável
Por Gustavo Serrão
O desenvolvimento socioeconômico do Espírito Santo está diretamente conectado, ao longo da história, aos portos capixabas. E, se vale para o passado, vale para o presente: em 2024, o comércio exterior movimentou US$ 24,58 bilhões no Estado, o que representa um aumento de 27,1% no volume em relação a 2023.
O valor é o maior registrado nos últimos 12 anos – um dado que nos enche de otimismo e nos lembra das inúmeras oportunidades que temos. Por outro lado, desafios adicionais, como a reforma tributária, nos mostram a importância de estarmos, cada vez mais, preparados para explorar a nossa vocação logística, trabalhando em conjunto e sabendo que a busca contínua pela eficiência é a solução para manter nosso estado forte.
Olhar de frente para oportunidades e desafios, como lados de uma mesma moeda, e entender que, neste cenário, não pode haver um único protagonista é, para nós, a melhor forma de trabalhar por um futuro profícuo, que, ao envolver a todos, também beneficiará a todos.
Na Vports, nosso caminho segue direcionado a um porto multipropósito, com toda a sua relevância em servir a sociedade e viabilizar negócios, com parcerias estratégicas, especialização e investimentos associados ao incremento de produtividade.
Nesses dois anos e meio de concessão privada, experimentamos de perto resultados de destaque construídos a partir da união de forças, da cooperação, do diálogo e do empenho em preparar nossos portos tanto para as demandas do presente quanto para as que surgirão no futuro.
Nosso modelo de gestão ágil e flexível foi um grande diferencial. O complexo portuário de Vitória movimentou 8,4 milhões de toneladas em 2024, registrando um crescimento de 15% em relação ao ano anterior, enquanto o da média nacional foi de 1,2%. O investimento, ao longo dos dois anos de concessão privada, realizado pela Vports e por empresas parceiras, foi de R$ 580 milhões, aplicados em melhorias de infraestrutura e modernização. Ao todo, 13 novos contratos foram assinados em dois anos, contra a média anterior à concessão de um contrato a cada quatro anos.
Esses números nos enchem de orgulho e demonstram na prática a nossa missão de ser um elo indutor do desenvolvimento sustentável. A partir do movimento portuário, influenciamos toda a cadeia logística, movimentando, por exemplo, o setor rodoviário, gerando oportunidades para empresários capixabas com o desenvolvimento de ativos logísticos para armazenamento e fomentando a mão-de-obra do setor. Para se ter ideia, cerca de 80 mil trabalhadores passaram pela Vports em 2024, entre empregados próprios, terceiros, trabalhadores avulsos e tripulações. Além disso, atuamos em conjunto com cerca de 400 importadores e exportadores, com participação relevante na importação de carros e vinhos e exportação de rochas e cafés.
Temos muita clareza que a logística eficiente tem que ser feita de forma integrada, desde o início da cadeia, com aproximação de clientes, setores produtivos, empresas, passando pela infraestrutura de acessos com governo, municípios, e incluindo a sociedade organizada e entidades relacionadas. Acredito que, cada vez mais, essa consciência existe por parte de todos os envolvidos, e o Espírito Santo só tem a ganhar, fortalecendo o seu protagonismo a nível nacional.
Vejo com muita animação o crescimento das iniciativas de desenvolvimento da infraestrutura em nosso Estado, tendo aproveitada toda a sua capacidade e ambiente propício a negócios. Como Autoridade Portuária, estamos há pouco mais de dois anos dos 35 da concessão. A Vports está no início da sua jornada e entende que tem um papel relevante e fundamental na construção de um futuro em que possamos aproveitar todo o potencial logístico do Espírito Santo. E quando se trata de infraestrutura, todos os investimentos e iniciativas são muito bem-vindos e nos tornam mais fortes como porto, como sociedade, como estado e como país.
Gustavo Serrão é diretor-presidente da Vports.

