Lula é o novo ministro da Casa Civil

Após duas longas reuniões com Dilma Rousseff e muita polêmica em torno do assunto, o ex-presidente é finalmente anunciado como ministro.

O acerto foi fechado em reunião no Palácio da Alvorada, que teve as presenças também dos ministros Nelson Barbosa (Fazenda) e Jaques Wagner, que deixará o comando da Casa Civil e será chefe de gabinete de Dilma, o que significa que comandará o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, chamado de Conselhão.

Líder do PT na Câmara, Afonso Florence (BA), afirmou que a ida de Lula pra Casa Civil tem o objetivo de ajudar o Brasil a sair da crise e de evitar o
processo de impeachment contra Dilma Rousseff. “Temos um ministro chefe da Casa Civil com larga experiência para ajudar o Brasil. A decisão de Lula na Casa Civil decorre do compromisso com o país, única e exclusivamente imbuído do propósito de ajudar o país a sair da crise”, afirmou o deputado, em coletiva no Salão Verde da Câmara. O deputado afirmou aidna que a ida de Lula para o ministério não irá atrapalhar as investigações da Lava Jato. “Foi no mandato de Lula que a Procuradoria Geral da República ganhou autonomia.”, defendeu Florense.  

Em Brasília, a ida de Lula para o governo foi considerada tanto uma estratégia do ex-presidente para fugir das investigações da Lava Jato, quanto a a última cartada da presidente Dilma Rousseff para evitar a abertura do processo de impeachment. Na noite da terça-­feira (15), após mais de quatro horas de jantar, o petista havia pedido à presidente mais tempo para analisar o convite. Para assumir um ministério, Lula impôs como condição, ter autonomia na articulação política com a base aliada e mudanças na política econômica para garantir a retomada do crescimento. Isso preocupa o mercado pelo receio de demandar medidas como venda de reservas internacionais, queda forçada dos juros e liberação de mais crédito na economia.

Foro Privilegiado – Alvo principal da 24ª fase da Lava Jato, Operação Aletheia, Lula foi levado em condução coercitiva a prestar depoimento na Polícia Federal no último dia 11 de março. As investigações dizem respeito a três pilares: reformas e benfeitorias feitas pela construtora OAS no polêmico tríplex no Guarujá (SP); ocultação de propriedades no nome de terceiros (os dois sítios em Atibaia que teriam sido adquiridos em 2010); e “pagamentos vultuosos” feitos por construtoras beneficiadas no esquema de corrupção na Petrobras em favor do Instituto Lula e da Lils Palestras.

Ao assumir como ministro, o ex-presidente passa a ter foro privilegiado e não poderá mais ser investigado pelo juiz Sérgio Moro, que coordena a Operação Lava Jato. Agora Lula só poderá ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal, última instância do Judiciário, mas na qual alguns ministros foram nomeados por Lula e Dilma e já deram declarações favoráveis a ambos. 

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