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Lua, Wi-Fi e outras Teorias de Pouso

Lua, Wi-Fi e outras Teorias de Pouso

A grande questão talvez não seja se fomos à Lua em 1969 ou se iremos em 2028. Ir à Lua, pelo visto, é possível. Difícil mesmo é voltar com consenso

Por André Gomyde

A missão Artemis 2 anda exibindo imagens tão bonitas que dá vontade de aplaudir o céu. É a humanidade ensaiando um retorno à Lua, com figurino novo, câmera em 4K e um roteiro que promete culminar na Artemis 3, lá por 2028. Tudo muito emocionante. E inevitavelmente surge a pergunta clássica, essa que não paga pedágio e sempre aparece: afinal, em 1969, a Apollo 11 pousou mesmo na Lua?

É curioso. Em 1969, com computadores do tamanho de uma geladeira e menos memória que um relógio de pulso atual, disseram que fomos lá, demos uma voltinha, fincamos uma bandeira e voltamos. Em 2026, com inteligência artificial, satélites, drones e aplicativos que te dizem onde tem pão de queijo aberto às três da manhã, ainda estamos “nos preparando” para voltar.

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Há quem veja nisso um grande mistério. Eu vejo um detalhe técnico importante: em 1969 ninguém precisava de Wi-Fi na Lua.

Imagine a cena hoje. O astronauta chega, olha ao redor, pisa na superfície lunar e pergunta:

— Tem sinal?

Sem sinal, não há selfie. Sem selfie, não há prova. Em 1969 bastava um grão de imagem granulada e todo mundo acreditava. Hoje, se não tiver três ângulos, transmissão ao vivo e filtro aprovado pela comunidade científica e pelos comentários da internet, já surgem dúvidas.

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Além disso, em 1969 não existia comentário em rede social. Ninguém perguntava, em tempo real, se a sombra estava coerente com a inclinação do Sol. Hoje, se um astronauta tropeça, alguém já escreve: “Claramente encenado”.

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Enquanto isso, a Artemis segue firme, com cronograma, orçamento, revisões e mais revisões. A tecnologia evoluiu tanto que agora precisamos ter certeza absoluta de tudo antes de fazer qualquer coisa. Em 1969, aparentemente, bastava coragem, um foguete e uma certa disposição para o improviso.

E ainda há a questão dos extraterrestres. Porque, convenhamos, se a gente voltar à Lua e encontrar alguém por lá, a discussão muda completamente de foco. Já pensou? O astronauta desce, encontra um ser estranho, com três olhos e um olhar cansado, e ouve:

— Demoraram, hein?

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Talvez os extraterrestres estejam nos observando há décadas, esperando a gente decidir se foi ou não foi. Uma espécie de reality show interplanetário: “Humanos — A Dúvida”.

No fundo, a grande questão talvez não seja se fomos à Lua em 1969 ou se iremos em 2028. A grande questão é por que, com toda essa tecnologia, ainda temos tanta dificuldade de concordar sobre algo que aconteceu há mais de meio século.

Talvez o maior salto não seja tecnológico. Seja mental.

Porque ir à Lua, pelo visto, é possível. Difícil mesmo é voltar com consenso.

André Gomyde é presidente do Instituto Brasileiro de Cidades Humanas, Inteligentes, Criativas e Sustentáveis e Mestre em Administração pela FCU, nos Estados Unidos. Instagram: @andre.gomyde

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