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Inteligência e desequilíbrio emocional

Inteligência emocional tem muito mais a ver com desequilíbrio emocional do que com equilíbrio

Por Cosme Peres

Cada vez mais a inteligência emocional se torna uma das principais competências requeridas pelas empresas nos processos de seleção e na avaliação comportamental de seus colaboradores. Por outro lado, ainda há muito a aprendermos sobre o que verdadeiramente é essa competência.

Inteligência emocional tem muito mais a ver com desequilíbrio emocional do que com equilíbrio. Essa é uma afirmação que pode soar estranha aos nossos ouvidos porque fomos educados e treinados para sermos pessoas emocionalmente equilibradas, como se na vida real isso fosse possível.

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A inteligência emocional começa com a aceitação das emoções. Sentimos e está tudo bem! As emoções são manifestações fisiológicas em nosso corpo que aprendemos a nomear de medo, raiva, angústia, ansiedade, amor, alegria… Portanto, é simplesmente desumano lutar contra ou fingir que não estamos sentindo o que, sem que possamos controlar, sentimos.

Por sua vez, a aceitação das emoções passa pela consciência das manifestações fisiológicas e pela habilidade de nomeá-las corretamente. Sim, no nosso processo educacional nem sempre aprendemos a dar o nome certo ao que sentimos e, com isso, criamos também vários falsos sentimentos. Fome, por exemplo, não é uma emoção, apesar de muitas vezes ser a resposta que oferecemos à pergunta “como você está se sentindo?”. Raiva pode ser o que sinto quando estou com fome.

Depois de aceitar, reconhecer e nomear o que estamos sentindo, tornamo-nos mais conscientes da ação que escolhemos adotar em resposta à emoção. E essa resposta, diferentemente da emoção em si, está sob nosso controle. Estou com fome e não posso me alimentar agora, por isso estou com raiva. Como tenho consciência da origem da minha raiva, escolho não ser agressivo com as pessoas que não têm culpa da minha fome.
Então, isso é inteligência emocional.

Bonito, não é? Mas, na prática, não é tão simples e fácil assim! Esse processo de aceitar-reconhecer-nomear-agir explicado didaticamente nesse artigo acontece a todo instante na vida real. Nesse sentido, estamos o tempo todo oscilando entre o equilíbrio e o desequilíbrio.

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Embora não tenha teorizado sobre inteligência emocional, o biólogo e psicólogo suíço Piaget criou um conceito que se aplica muito bem a essa oscilação entre desequilíbrio e equilíbrio emocional. Equilibração é o processo de passagem do desequilíbrio para o equilíbrio. Vejam: é um processo!

Nesse sentido, ao aplicar o conceito piagetiano à inteligência emocional, torna-se muito mais salutar falar de “equilibração emocional” do que “equilíbrio emocional”. Estamos o tempo todo em um processo de equilibração emocional. Uma busca constante pelo equilíbrio, frente aos desequilíbrios que, naturalmente, ocorrem e que nos fazem ser aquilo que somos: pessoas humanas.

Cosme Peres é conselheiro da ABRH-ES, psicólogo e Executivo de Gestão de Pessoas.

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