Indústria capixaba defende início da redução da Selic a partir da próxima reunião do Copom, além do uso de instrumentos alternativos para conter a inflação
Por Amanda Amaral
A indústria capixaba, acompanhando o posicionamento nacional do setor, se manifestou após decisão, na quarta-feira (10), do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) de manter a taxa de juros em 15%. Seus representantes entendem que a política monetária é muito conservadora e defendem o uso de outros instrumentos para controle da inflação.
Tanto a Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), quanto a Confederação Nacional das Indústrias (CNI), acreditam que o ciclo de cortes da taxa Selic deve começar na próxima reunião. Também pontuaram que, o Copom deve acelerar esse ritmo utilizando outros instrumentos de política monetária. Entre eles: depósitos compulsórios, que segundo as entidades, têm menor custo fiscal e exercem papel semelhante ao da Selic ao restringir a disponibilidade de crédito no sistema financeiro.
A indústria capixaba, junto à CNI, destacou que o Brasil está entre os países com as maiores taxas de juros reais do mundo, atrás apenas da Turquia. Estimativas da CNI mostram que a taxa básica de juros de equilíbrio — compatível com o controle da inflação e o pleno emprego — deveria situar-se em torno de 10,5% a.a.
Para justificar o conservadorismo da política monetária do Banco Central, a Findes e a CNI destacaram a evolução de diversos indicadores econômicos. Na manifestação da CNI, o presidente Ricardo Alban, explica que a desaceleração econômica, a queda da inflação e a perda de ritmo do mercado de trabalho já seriam motivos suficientes para o início do ciclo de corte de juros na reunião de quarta-feira (10).
“A manutenção dos juros nesse patamar tão elevado é excessiva e prejudicial, uma vez que intensifica a perda de ritmo da atividade econômica, encarece muito o crédito, inibe o investimento e penaliza a competitividade da indústria”, afirma Alban.
Segundo ele, o próprio Copom reconhece que os efeitos dos juros elevados ainda não se materializaram por completo, “havendo espaço para uma mudança gradual na política monetária sem comprometer a convergência da inflação para a meta”.
Confira alguns dos indicadores econômicos apresentados pela Findes e CNI em contraposição a política monetária do BC:
- O Brasil segue entre os países com as maiores taxas de juros reais do mundo, atrás apenas da Turquia;
- O IPCA de novembro subiu 0,18%, trazendo a inflação acumulada em 12 meses para 4,46%, dentro da meta;
- A queda dos preços dos alimentos reforça o enfraquecimento da inflação: alta de 8,2% em 2024 para 2,5% no acumulado em 12 meses até novembro de 2025;
- A projeção do Boletim Focus para o IPCA de 2025 recuou para 4,4%;
- No 3º trimestre, o PIB cresceu apenas 0,1%, perda de ritmo expressiva em relação ao 2º trimestre, quando a economia avançou 0,3%, e ao 1º trimestre, cuja alta foi de 1,5%
- No trimestre encerrado em outubro, o número de pessoas ocupadas cresceu apenas 0,1% na comparação com o trimestre móvel anterior encerrado em julho;
- As concessões de crédito passaram de um crescimento de 10,7% no acumulado em 12 meses até dezembro de 2024 para apenas 4,5% até outubro de 2025.

