Empresas adotam inteligência artificial como diferencial e mudam gestão, produtividade e competitividade nos principais setores do mercado
Por Thamiris Guidoni
A inteligência artificial deixou de ser um experimento pontual e passou a ocupar o centro das decisões estratégicas das empresas. Em diferentes setores da economia, como turismo, saúde, indústria e finanças, a tecnologia já redefine modelos de negócio, produtividade e competitividade, sinalizando uma mudança estrutural na forma de gerir organizações no Brasil e no mundo.
Antes restrita a pilotos e áreas técnicas, a IA hoje influencia diretamente decisões sobre eficiência operacional, crescimento, precificação, risco e experiência do cliente.
“Quando a IA” entra na agenda do CEO e do CFO, ela deixa de ser experimento e passa a ser estratégia, afirma Fabio Tiepolo, fundador da Starya AI, empresa que nasceu na área da saúde e atualmente atua na orquestração de agentes de inteligência artificial com governança em diversos setores.
Levantamentos recentes indicam que entre 78% e 88% das empresas já utilizam inteligência artificial em ao menos uma função do negócio. Para Tiepolo, esse movimento representa um ponto de não retorno.
“A IA virou infraestrutura, como a internet ou o mobile. A diferença é que agora a adoção não é apenas tecnológica, é competitiva. Ninguém quer ficar para trás enquanto o concorrente escala mais rápido e com menor custo”, diz.
Os efeitos já são perceptíveis nos modelos tradicionais: no turismo, a tecnologia permite precificação dinâmica e experiências personalizadas; na saúde, amplia a eficiência clínica e a prevenção; na indústria, reduz falhas com manutenção preditiva; e, no setor financeiro, fortalece análises de crédito, combate a fraudes e automatiza o atendimento.
“O denominador comum é menos custo marginal e mais inteligência embarcada em todos os processos”, avalia o executivo.
Apesar da rápida disseminação, ainda são poucas as empresas que conseguem extrair valor relevante da inteligência artificial. Segundo Tiepolo, os principais desafios vão além da tecnologia.
“Cultura, talento e governança ainda são os principais obstáculos. IA não é apenas software, é transformação organizacional. Cabe às lideranças darem direção, propósito e limites, garantindo que a colaboração entre humanos e máquinas aumente o potencial das pessoas e não o contrário”, conclui.


