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domingo, 14 abril, 2024

Home Office: Sonho ou pesadelo?

O que era tendência virou obrigação da noite para o dia e empregados e empregadores tiveram que aprender a trocar a roda com o carro andando

Por Leticia Vieira

Trabalhar de casa parecia um sonho que muita gente gostaria de realizar. Não precisar enfrentar trânsito, poder ficar no conforto do próprio lar, fazer o horário de acordo com as demandas… Enfim, podemos listar uma série de benefícios sobre o que se convencionou chamar de home office.

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Na verdade, esse trabalho à distância pode ser feito de outro lugar além da casa do profissional: um hotel, um café, o aeroporto ou, até mesmo, algum parque.
Não importando a localização, a ideia dessa modalidade laboral é desempenhar as atividades onde quer que se esteja. Para isso, geralmente é fundamental que se tenha acesso, pelo menos, a um computador e à internet.

As vantagens parecem tão sedutoras que já haviam apostas de que o home office responderia por grande parte do mercado de trabalho nos próximos anos. Mas devemos ficar atentos ao fenômeno que se estabeleceu como saída empresarial devido a Pandemia do Novo Coronavirus e que cresceu e transformou as relações entre empregados e empregadores e o próprio processo de trabalho. Essa é a nova realidade imposta e que ainda não se convencionou se é sonho ou pesadelo.

Tendência super atual

O home office já era apontado como tendência mesmo antes da pandemia. Uma pesquisa realizada no primeiro semestre de 2018 pela SAP, Consultoria Brasileira Especializada em RH, mostrou um aumento de 50% no número de empresas brasileiras que aderiram ao trabalho de casa. E em pesquisa divulgada em 2019, menos de 1 ano antes do vírus ser notado pelo mundo e suas consequências atingirem todos os continentes, a consultoria de recrutamento Hays comprovava o avanço do trabalho remoto no mundo. Em 2017, 35% das organizações permitiam que seus funcionários trabalhassem à distância.
Em 2018, esse número subiu para 51%.

Em outro levantamento com 1.121 profissionais que trabalhavam em pequenas e médias empresas no Brasil, feito e divulgado em 2019 pela Convenia, startup com soluções para automatização do departamento pessoal, e a Ahgora, que oferece soluções em nuvem para gestão de pessoas e controle de acesso, 36,5% dos respondentes afirmaram que as empresas onde trabalhavam tinham política de trabalho remoto. Entre os participantes da pesquisa, 58,8% gostariam de atuar no formato home office e, de acordo com 47,5% deles, a empresa em que trabalhavam, pretendiam, aquela época, implementar a política de trabalho remoto.

Em 2020, podemos afirmar que de fato as expectativas se concluíram, o aumento no trabalho fora do escritório e de fato dentro de casa, se confirmou. Mas não só por tendência e sim, por obrigatoriedade, por uma pandemia que assola o mundo e forçou adaptação dos dois lados. Empresas e empregadores.

 

Mas a adoção do home office em função do isolamento social, que veio como estratégia para conter o novo coronavírus, tem afetado a saúde mental de profissionais brasileiros. O modelo de trabalho que se desenhava como tendência, foi imposto as grandes e pequenas empresas, sem distinção de tamanho e de preparo de equipe, e já apresenta resultados positivos para alguns, mas aumento de problemas para outros.

Uma pesquisa do Linkedin, divulgada pela Agência Brasil, e realizada com duas mil pessoas na segunda quinzena de abril, mostra que 62% estão mais ansiosos e estressados com o trabalho do que antes. Além disso, o trabalho remoto também tem significado horas extras de trabalho, 68% dos profissionais que estão em casa têm trabalhado pelo menos uma hora a mais por dia, com alguns (21%) chegando a trabalhar até quatro horas a mais/dia.

Desafios trabalho em casa

Além das preocupações com as atividades do trabalho, a necessidade de conciliar o trabalho com a atenção à família e, ao mesmo tempo, gerenciar a preocupação com o avanço do coronavírus representam desafios em casa.

O estudo do Linkedin mostra, também, que 34% acabam por se distrair ouvindo ou assistindo notícias sobre a covid-19, 20% enfrentam dificuldades para conciliar o trabalho e o cuidado com os filhos e 22% consideram desafiador trabalhar com o parceiro em casa.
Mesmo que com impactos negativos em algumas áreas, o trabalho remoto trouxe benefícios em outros aspectos.

Os entrevistados indicam ganhos na convivência familiar: 59% afirmam que, com a quarentena, o tempo de qualidade com a família aumentou. Outro ponto positivo foi a adoção de uma alimentação mais saudável, apontada por 32%.

Expectativa do retorno ao trabalho presencial

O número de empresas que pretendem adotar o home office após a crise do novo coronavírus deve crescer 30%. A avaliação é do diretor executivo da Infobase e coordenador do MBA em marketing, inteligência de negócios digitais da Fundação Getulio Vargas (FGV), André Miceli, que realizou o estudo Tendências de Marketing e Tecnologia 2020: Humanidade Redefinida e os Novos Negócios.

O levantamento levou em conta as respostas de tomadores de decisão e gestores de 100 empresas. “Nosso entendimento é que, logo após a abertura, algumas empresas ainda vão precisar manter o home office por uma questão da recomendação de distanciamento social, não do isolamento social como a gente vive hoje, mas, quando as empresas voltarem, vão voltar com áreas de refeitório fechadas, com demanda de espaço entre os funcionários que vai impedir que todo mundo volte ao mesmo tempo”, disse Miceli.

Carlos Aros, Jornalista e Diretor de Conteúdo no Grupo Jovem Pan, afirma no relatório que “As culturas organizacionais já começaram a mudar e agora têm a chance de unir vantagens para empresas e colaboradores. E, no pós crise, o home office pode ser ferramenta para auxiliar na adequação de parte das empresas a uma nova realidade econômica. Quando a pandemia for superada, vamos encontrar um novo normal nos escritórios de todo o mundo, com maior incentivo ao home office.

Não há dúvida disso. No entanto, para alcançar esse novo estágio, será preciso inovar na reestruturação das empresas – com a adoção de mais tecnologia – e melhor aproveitar os profissionais, com capacitação e um olhar mais atento para as necessidades de cada um – com mais atenção à qualidade de vida.”

A adaptação a tendência forçada não parece ter agradado a todos, nem empregados e nem empregadores. Nota-se uma expectativa em relação ao retorno ao trabalho presencial. Na mesma pesquisa realizada pelo linkedin, está presente uma percepção de que a volta para o escritório implique em mudanças de comportamento, tanto nas relações pessoais e aspectos emocionais quanto no uso de recursos tecnológicos.

Quando voltarem ao trabalho, 52% acreditam que os contatos com os colegas serão mais frequentes, 41% apostam no uso mais intenso da tecnologia e 28% acreditam que a ansiedade vai diminuir por poderem interagir com outras pessoas ao voltar
para o escritório.

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