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Hiperidrose: 67% das pacientes desenvolvem ansiedade crônica

Mulheres com hiperidrose nas axilas e palmas das mãos têm três vezes mais chances de desenvolver fobia social

Por Amanda Amaral

A hiperidrose – suor excessivo e anormal, é uma doença que possui cura. Contudo, segundo especialistas, o diagnóstico deve ser precoce e o tratamento de imediato, pois essa condição disfuncional pode gerar grande impacto social, emocional e profissional.

Um estudo publicado na revista Anais Brasileiros de Dermatologia revelou que 72% das mulheres com hiperidrose evitam atividades sociais. Já uma pesquisa do International Journal of Dermatology constatou que 67% das pacientes tiveram ansiedade crônica e 45% desenvolveram depressão.

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Além disso, um estudo do Brazilian Journal of Psychiatry mostrou que 60% das pacientes também apresentavam transtorno de ansiedade social (TAS) e que mulheres com hiperidrose axilar ou palmar têm três vezes mais chances de desenvolver fobia social. Outro estudo, este do Hospital do Servidor Público Municipal de São Paulo, analisou mais de 1.500 pacientes, do total diagnosticado, 78% eram mulheres. 

Qualidade de vida

“O comprometimento da qualidade de vida dessas pacientes é comparável ao de indivíduos com doenças crônicas como psoríase severa, insuficiência renal, esclerose múltipla e artrite reumatoide em estágio avançado”,  explicou a psicóloga e psicanalista Deborah Klajnman, professora da Faculdade Sírio-Libanês, mestre e doutora em Psicanálise pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro.

Isso porque a doença interfere em atividades simples como apertar as mãos, abraçar, praticar esportes ou até escolher roupas. “Muitas pacientes carregam roupas extras na bolsa para trocar várias vezes ao dia, o que evidencia como a hiperidrose afeta a rotina e impacta diretamente a vida pessoal e profissional”, ressalta Deborah, que também é pós-doutora em Psicologia pela USP e especialista em Clínica Psicanalítica pelo Instituto de Psiquiatria da UFRJ.

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Tratamento

Hiperidrose tem tratamento. Existem diversas opções para controlar o problema, desde fórmulas tópicas e medicamentos até tecnologias mais avançadas. “Os produtos de uso externo são uma das primeiras linhas de defesa contra o suor excessivo, ajudando a controlar a hiperidrose em áreas como axilas, mãos, pés e rosto”, explica Paula Molari Abdo, que é farmacêutica bioquímica pela USP, diretora técnica da Formularium, membro da ABC (Associação Brasileira de Cosmetologia), além de ser especialista em Atenção Farmacêutica pela USP.

Estão entre as principais opções para tratamento: antitranspirantes com cloreto de alumínio e sais de zircônio; geis e soluções de glicopirrolato; toxina botulínica tópica; oxibutinina e glicopirrolato oral; probióticos e reguladores da microbiota; suplementos de magnésio e vitamina B6; microagulhamento com radiofrequência; e géis e soluções com oxibutinina 10%.

De acordo com a psicóloga, quem convive com a hiperidrose dificilmente consegue levar uma vida normal. “Para que seja devidamente reconhecida como uma condição disfuncional, a hiperidrose requer a busca de um diagnóstico precoce e o início imediato do tratamento indicado. Vale lembrar que o acompanhamento psicológico deve fazer parte deste processo. Tão importante quanto tratar a hiperidrose é cuidar das feridas emocionais que a doença causou“, finaliza Deborah Klajnman.

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