Gestão Humanizada – Um novo olhar no Gerir

Falar de Gestão atualmente podemos dizer que é relativamente simples e complexo. Isso porque estamos em plena transição corporativa, mercadológica e também social. E cada vez mais exige-se dos profissionais resultados e respectivos papéis sociais.

Com os avanços tecnológicos que surgiram na última década, teoricamente poderíamos dizer que gerir ficaria mais simples. Porém, quando se trata de “Ser Humano” isto nunca é um pensamento simples, por mais que a tecnologia nos dote de recursos, facilidades, agilidade de respostas e processamentos.

Fato é que não podemos desconsiderar toda a complexidade que é o Ser Humano. Basta lembrar que nenhuma tecnologia até hoje foi capaz de desvendar todas as interligações e formas de comportamentos. Também não se chegou a todas as respostas e pensamentos que um Ser Humano é capaz de emitir, seja ele qual for.

Adversidade

Não podemos também deixar de falar sobre as diversidades tão debatidas e contextualizadas em nosso dia-a-dia. Cada vez mais os diferentes devem ser incluídos e deixar de ser diferentes. Cada vez mais busca-se estruturar equipes multidisciplinares.

É como se falássemos à sociedade: “A partir de agora, vamos deixar de lado todos os preconceitos e diferenças culturais. Seremos um só”. Porém, mantenham suas diferenças do “conhecer”.

Sabemos também que toda esta confusão Organizada Social, o que me faz lembrar da teoria do Caos, não surgiu de uma hora para outra. Da mesma forma, este novo olhar de Gestão Humanizada não é consequência de nenhum rompante social ou mercadológico. Podemos dizer que este processo tem sido construído de várias formas, há três décadas, pelo menos de forma mais enfática.

Equilíbrio

Podemos dizer que a busca por este equilíbrio entre mundo corporativo e vida pessoal de todo e qualquer profissional vem sendo traçado desde a década de 1990. “Seus problemas devem ser deixados fora da empresa” deixou de ser uma das máximas de muitos gestores e organizações. Pois teve início um olhar muito tímido do profissional como Ser Humano.

E foi exatamente nesse período que houve o grande “Boom” dos programas de “Qualidade de Vida” dentro das organizações. E embora, em muitos casos, tenha começado como um movimento muito tímido, aos poucos foi tomando as devidas proporções, até chegarmos no momento atual.

Hoje já falamos não apenas de Gestão Humanizada, mas sim de Empresas ou Corporações Humanizadas, que é um olhar muito mais amplo do ser humano. Um olhar onde “como alcançar os resultados necessários” passou também a ser prioridade e não somente os resultados de forma isolada.

Gestão Humanizada

Passou-se a se preocupar com o trabalhador em sua tríade de papeis (social, pessoal e profissional) e as respectivas influências que esta é capaz de trazer para dentro das organizações, assim como potencializar e polarizar os resultados e criar, além disso, um legado.

Passou-se a se falar de felicidade no trabalho e os benefícios que isto traz para dentro das organizações em seu âmbito mais amplo. Passou-se a se falar de saúde do trabalhador e isto, em muitos casos, se tornou metas grandiosas dentro dos planejamentos estratégicos. Isso porque busca-se, não mais o cumprimento de processos, e sim a maximização do Ser Humano dentro de seu potencial máximo.

E, por meio de diversos estudos, já ficou comprovado que uma pessoa feliz é mais energética, é mais produtiva. E ainda passa pelas adversidades com muito mais rapidez e facilidade. Então, por que não expandir isto para dentro do ambiente organizacional?

Desta forma, diversas empresas buscam atualmente romper suas barreiras da tradicionalidade e do pensamento “trabalho é para se trabalhar”. Hoje já tentam oferecer, cada uma da sua forma, um ambiente mais leve. Um local de trabalho onde as pessoas possam ser mais “elas”, com mais liberdade no seu verdadeiro “eu”. Assim, melhoram e potencializam seus resultados.

Gestão

E então nos perguntamos: onde fica a gestão com tudo isto? Os gestores também buscam se reinventar. Afinal, apesar de toda a “liberdade” oferecida sob esse novo conceito do mundo do trabalho, eles continuam com o grande papel de Gestionar suas equipes. O desafio de potencializá-las e direcioná-las para o alcance dos resultados almejados pelas organizações. Isto não mudou. Porém, o como fazer isto passou a ser tão importante quanto os resultados alcançados.

Desta forma, também estamos falando de novos papéis de Gestores dentro de todas as teorias de Gestão já existentes. Nesse novo cenário, além de resultados, o gestor deve conhecer sua equipe para que possa potencializá-la. Precisa estar mais perto, identificar os algozes nos processos e, juntamente com a equipe, eliminá-los. Ele deve ser mais participativo, interativo, comunicativo, ser capaz de aceitar o erro e a se redirecionar.

A visão da Gestão Humanizada nos traz algo com maior amplitude do papel do trabalhador. Uma nova atuação no gerir e um novo olhar sobre o trabalho onde a Felicidade e o Ser Humano são os atores principais, Assim, devem fazer parte na contextualização dos resultados organizacionais.


Natache Barros é psicóloga, gestora e consultora de RH.