Jovens adotam rotinas de cuidados desde cedo, mas o excesso de informações e de procedimentos pode gerar riscos e efeitos indesejados
Por Jessica Coutinho
A Geração Z, composta por jovens nascidos entre 1997 e 2010, é líder no consumo de produtos e tratamentos estéticos. Com a crescente pressão estética e os padrões de beleza amplamente divulgados nas mídias sociais, esse público cria novas tendências e comportamentos a cada dia. Um simples vídeo pode influenciar o comportamento do grupo. Mas, afinal, quais são os riscos e prejuízos associados a esse comportamento?

Para a dermatologista Karina Mazzini, que atende muitos pacientes dessa faixa etária, o cuidado com a pele é uma consequência natural do amplo acesso à informação. “Atendo diversos jovens e acredito que, com tanta informação, todos sabem da importância de começar a cuidar da pele desde a adolescência. Nessa idade, se o paciente tem acne ou não, já indicamos medicamentos e fotoproteção”, explica. Karina observa que muitos jovens são entusiastas do skincare, acompanhando as últimas novidades e buscando tratamentos eficazes.
Segundo a dermatologista, os procedimentos mais procurados pelos jovens são: laser para melhorar a qualidade da pele e eliminar marcas de acne, depilação a laser e botox. “Esses três tratamentos são os mais solicitados”, enumera.
Apesar da popularização do skincare entre os jovens, o excesso de cuidados pode trazer efeitos negativos. Renata Melo, referência em tratamentos capilares e estéticos, alerta para os riscos do uso indiscriminado de produtos e rotinas complexas, comuns entre a Geração Z. “Cuidar da pele desde cedo é excelente, desde que feito com critério. Nem tudo o que viraliza nas redes sociais é benéfico para a pele jovem”, aponta. Ela observa que o uso inadequado de ativos potentes e rotinas excessivas podem resultar em irritações, acne, sensibilidade e até desequilíbrio na barreira cutânea.

Renata destaca que o cuidado ideal deve ser personalizado, respeitando as características individuais da pele. “O ideal é que o skincare seja ajustado ao tipo de pele, à idade e às necessidades específicas, sempre com a orientação de um médico. Cuidar da pele desde jovem é ótimo, mas o exagero, sem critério, pode ter o efeito oposto ao desejado.”
Para a médica, os cuidados essenciais são simples e eficazes quando realizados de forma consistente. “O básico bem feito funciona. E funciona muito. Limpeza adequada, duas vezes ao dia, com produtos compatíveis com o tipo de pele; hidratação, inclusive para peles oleosas, que também precisam de equilíbrio; e proteção solar diária, mesmo em dias nublados ou dentro de casa, são passos fundamentais para prevenir o envelhecimento precoce e o câncer de pele”, orienta.
Renata reforça que o skincare não precisa ser complicado, mas deve ser consistente e bem direcionado. “A rotina ideal é aquela que a pessoa consegue manter no seu dia a dia, com segurança, prazer e resultados reais.”
Procedimentos estéticos: Quanto antes melhor?
Dados da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS) indicam que a toxina botulínica é o procedimento não cirúrgico mais realizado no mundo, com 8,8 milhões de aplicações. Já o uso de ácido hialurônico aumentou 29%, alcançando 5,5 milhões de procedimentos. Com o surgimento da chamada “harmonização facial”, cada vez mais jovens recorrem a tratamentos para atingir o ideal do “rosto perfeito”.

O cirurgião plástico Dr. Humberto Pinto, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, relaciona essa tendência a uma mudança nos valores e comportamentos da Geração Z, que busca melhorias sutis e harmoniosas. “Hoje, além do botox, procedimentos de harmonização facial e técnicas como o preenchimento com ácido hialurônico permitem pequenas correções e realces sem que o paciente perca sua essência”, afirma. Segundo ele, o que motiva essa geração é a busca por melhorias discretas, que proporcionem um rosto mais harmônico sem transformar radicalmente os traços.
Além disso, a faixa etária dos jovens também recorre a procedimentos cirúrgicos para correções, como otoplastia (cirurgia para correção de orelhas de abano), rinoplastia e ginecomastia (redução das mamas masculinas). “Essas são as principais queixas entre adolescentes e jovens. A partir dos 7 anos, há procura para correção das orelhas, sempre com o acompanhamento dos pais, como exige a legislação”, explica o médico.
Quanto ao início dos tratamentos estéticos, a dermatologista Karina Mazzini, explica que a idade mínima varia conforme o caso. “A idade mínima depende das necessidades de cada paciente. Por exemplo, se o jovem tem acne e cicatrizes, a partir dos 15 anos já é possível realizar procedimentos como laser ou radiofrequência para tratar as marcas. Quanto ao uso de botox, gosto de indicar a partir dos 25 anos, quando as primeiras rugas de expressão começam a aparecer”, esclarece.

