Fotojornalista, curador e sócio da Mosaico Fotogaleria, Gabriel Lordêllo discute evolução e desafios da fotografia no Espírito Santo
Por Mariah Friedrich
O fotojornalista, curador e sócio da agência de fotografia Mosaico Imagem e Mosaico Fotogaleria é o entrevistado do site ES Brasil para falar sobre a fotografia no Espírito Santo, e as transformações que impactaram essa arte e ofício com a digitalização e a popularização dos smart phones e redes sociais. Segundo Lordêllo, a missão do fotógrafo se modificou, por isso os profissionais tiveram de se adaptar.
“Houve uma revolução”, afirma Gabriel Lordêllo, que compreende o fotógrafo como um médium, com a capacidade de levar as pessoas a lugares onde não estão, fazendo com que se sintam presentes. “Quando tem uma enchente, uma tragédia, uma pandemia, a gente vai para a rua para contar o que está acontecendo e as pessoas ficam dentro de casa”, acrescenta.
Assista a entrevista completa a seguir:
O fotógrafo aponta o olhar como elemento que diferencia um profissional de um amador. “Fica a questão da história, do olhar, do documento que você pode criar”, reflete. Segundo ele, a experiência como fotojornalista marcou sua maneira de enxergar o mundo e se expressar a partir das imagens.
“É uma experiência de vida. Você lida com pessoas, com os fatos, a história está acontecendo e você está ali participando disso”, compartilha o profissional, que em 2016 recebeu o prêmio Findes de Jornalismo pela fotografia “Mar de Lama”, que registrou a chegada no mar de Regência a lama de rejeitos tóxicos do vazamento das barragens da mineradora Samarco (da Vale do Rio Doce e da anglo-australiana BHP), em 2015.
Gabriel Lôrdello relata que a experiência contemporânea de consumo da fotografia o levou a desejar um espaço na capital onde essa arte pudesse ser apreciada de forma não-digital, com tempo para contemplação e em dimensões maiores. Com o fotógrafo Tadeu Bianconi, fundou a Mosaico Fotogaleria, único local dedicado a esse fim em Vitória.
“A ideia surgiu justamente com a popularização do Instagram, Facebook, dessas coisas de você ter a imagem no celular, desse tamaninho, e passando, sempre passando. Quantas pessoas param para olhar uma foto ali e analisar uma foto?” questiona.
*Entrevista publicada originalmente em 16 de setembro de 2024

