Selos dos Correios que homenageiam Salgado e sua esposa, Lélia Wanick, têm fotos tiradas por fotógrafo do ES
Por Izabelle Sampaio*
O legado de Sebastião Salgado segue inspirando gerações. O renomado fotógrafo brasileiro, que percorreu mais de 120 países registrando realidades sociais e ambientais ao redor do mundo, influencia diretamente o trabalho do capixaba Leonardo Merçon, fundador do Instituto Últimos Refúgios. E agora as imagens produzidas por Merçon são utilizadas em selos comemorativos dos Correios que homenageiam Salgado, sua esposa Lélia Wanick Salgado e o Instituto Terra, organização criada pelo casal em Aimorés, Minas Gerais, dedicada à recuperação ambiental.

O fotógrafo Leonardo Merçon ressaltou a honra e a influência que Sebastião Salgado exerceu em sua trajetória profissional. Segundo ele, o reconhecimento vai além do uso das imagens nos selos comemorativos.
“Eu me senti muito valorizado por terem escolhido as fotos que fiz do Instituto Terra e ainda me concedido os créditos no material de divulgação dos selos. Mas, para mim, o mais significativo é poder homenagear Sebastião Salgado, que admiro profundamente. Durante a minha graduação e iniciação científica, estudei muito as fotografias feitas por ele, assim como as causas que elas defendem, e foi nele que me inspirei para me tornar um fotógrafo de natureza”, afirmou.
A relação de Leonardo Merçon com o Instituto Terra teve início entre 2010 e 2011. O casal convidou o fotógrafo para registrar a flora e a fauna do local. Durante cerca de um ano, ele documentou os resultados do processo de recuperação ambiental iniciado no final da década de 1990. Entre os registros mais marcantes está o retorno de uma jaguatirica à área, símbolo da regeneração da floresta e da retomada do equilíbrio ecológico.

Em 2019, a convite da BBC Londres, Merçon retornou ao Instituto Terra para documentar o avanço desse processo de ressurgimento ambiental. Na ocasião, encontrou uma paisagem ainda mais transformada, com árvores de maior porte e a presença de diversas espécies, como lobo-guará, macaco-bugio e onça-parda, evidenciando a consolidação da recuperação da fauna e da flora na região.

