Findes defende o direito a propriedade e MST alega que ocupação integra o conjunto de ações em defesa da Reforma Agrária
Por Amanda Amaral
Alegando violação flagrante o direito a propriedade e os prejuízos econômicos e sociais causados, a Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes) repudiou à invasão do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), na manhã desta quinta-feira (13), a uma área de cultivo de eucalipto, em Aracruz, propriedade da Suzano – fabricante de papel celulose.
Em nota assinada pelo presidente da Federação, Paulo Baraona, a instituição afirma que “reitera o seu compromisso com a livre iniciativa, com o desenvolvimento econômico e social sustentável e reforça que continuará defendendo o direito à propriedade e a legalidade como pilares essenciais para o progresso e a estabilidade econômica”.
A Findes também ressaltou em sua manifestação que a Suzano segue as leis brasileiras, promove o desenvolvimento sustentável e é responsável pela geração de milhares de empregos diretos e indiretos, além de investir em projetos sociais que beneficiam milhares de pessoas em diversas comunidades.
Em torno de mil mulheres participaram da ocupação ocorrida nesta quinta-feira (13), segundo divulgação do MST. Ação integra a Jornada Nacional de Lutas e foi motivada pela defesa da reforma agrária como caminho para o enfrentamento à fome, à violência no campo e à crise ambiental. De acordo com o Movimento, há 22 áreas em conflito com a Suzano no Estado e em todo Brasil, que não avançaram em negociação.
A Suzano informou que a ocupação aconteceu em imóvel produtivo da empresa e que possui sua legítima posse. Afirma na nota enviada à imprensa que a ação está sujeita a medidas judiciais para reintegração da posse do local e ressarcimento dos prejuízos. Diz ainda que a empresa mantinha diálogo com o MST.
Confira a nota da Suzano na íntegra:
“A companhia confirma a invasão de um imóvel produtivo de sua legítima posse e propriedade no município de Aracruz (ES) e reforça que tais ações são ilegais, violam o direito à propriedade privada e, portanto, estão sujeitas à adoção de medidas judiciais para a reintegração de sua posse e ressarcimento por todos os prejuízos causados, as quais já estão sendo adotadas. Informações mais precisas quanto a eventuais danos no local ainda estão sendo coletadas.
Esta invasão no Espírito Santo causa estranheza uma vez que acontece em um contexto de diálogo frutífero entre a companhia, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), com importantes convergências alcançadas em agendas entre os envolvidos e representantes do governo federal.
A companhia ressalta a importância do diálogo produtivo e a crença de que as conversas devem ocorrer em um ambiente colaborativo e de absoluto cumprimento aos acordos, às Leis e à manutenção do Estado de Direito. Da mesma forma, repudia qualquer tipo de violência e relembra que acordos vigentes envolvendo a empresa, o MST e o Incra estão sendo integralmente cumpridos pela companhia até o momento, e são colocados em risco por conta de ações como esta.
Por fim, cabe ressaltar que a empresa cumpre integralmente as legislações ambientais e trabalhistas aplicáveis às áreas em que mantém atividades, tendo como premissas em suas operações o desenvolvimento sustentável e a geração de valor e renda, reforçando assim seu compromisso com as comunidades locais e com o meio ambiente.”

