Segundo economista, consumo aquecido, 13º salário e alta do turismo deram segurança às empresas para ampliar vagas de emprego no último trimestre no ES
Por Maxieni Muniz
A aproximação do último trimestre do ano voltou a impulsionar setores diretamente ligados ao consumo e ao turismo no Espírito Santo. Em outubro, o varejo e as atividades de alojamento e alimentação concentraram a maior parte das novas contratações formais no estado, sinalizando um ambiente mais aquecido para o comércio e os serviços e antecipando a dinâmica típica do fim de ano.
Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), analisados pelo Connect Fecomércio-ES, mostram que o varejo criou 721 novas vagas no mês, com destaque para supermercados e lojas de vestuário e acessórios. Já o segmento de alojamento e alimentação abriu 727 postos de trabalho, beneficiado pelo aumento do fluxo de consumidores, pela retomada do turismo regional e pela preparação para as festas de fim de ano.
Esse movimento reforça o peso da sazonalidade sobre o mercado de trabalho capixaba, especialmente nos setores mais sensíveis ao comportamento do consumo. Com a renda em patamares mais elevados e a taxa de desocupação em níveis historicamente baixos, empresas do comércio e dos serviços ampliam seus quadros para atender à maior demanda prevista para os próximos meses.
Na avaliação de Eduardo Araújo, economista e consultor do Tesouro Estadual na Sefaz, o reforço das contratações em comércio e turismo em outubro reflete um movimento típico do fim de ano, mas também a boa fase do mercado de trabalho capixaba.
Para ele o Espírito Santo chega ao último trimestre com nível de emprego historicamente elevado e taxa de desemprego em patamar mínimo, o que sustenta o consumo das famílias e dá segurança para as empresas se anteciparem à demanda da Black Friday, do 13º salário e do verão.
“Nesse contexto, varejo, hotéis e restaurantes funcionam como termômetro do bom desempenho da economia estadual e ajudam a manter o ritmo de geração de vagas no fechamento do ano”, conclui. Além do efeito imediato sobre o emprego, o avanço das contratações nesses segmentos tem impacto direto sobre a cadeia econômica local.

O desempenho positivo desses setores também ganha relevância diante dos ajustes observados em áreas como indústria e construção, que registraram fechamento de vagas no mesmo período.
Assim, comércio e serviços funcionam como amortecedores do mercado de trabalho, sustentando o nível de ocupação e evitando uma desaceleração mais intensa da economia.
No acumulado do ano, o Espírito Santo mantém trajetória positiva na geração de empregos formais, com o setor terciário concentrando a maior parte das novas vagas. A expectativa para os próximos meses é de manutenção desse ritmo, ainda que em um cenário de mercado de trabalho mais restrito, no qual o desafio das empresas tende a ser a contratação e a retenção de mão de obra.

