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Facções no ES motivam pedido de CPI na Assembleia

Parlamentares reagiram à morte de Alice e pedem investigação profunda sobre a atuação das facções, que ampliam influência e desafiam o Estado

Por Amanda Amaral 

Após a morte de uma criança de seis anos baleada por facção criminosa em Carapebus, na Serra, deputados estaduais cobram ação de Poderes e entes federados. O presidente da Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales), Marcelo Santos (União), classificou o episódio como terrorismo. O caso também gerou pedido para abertura da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI).

Alice Rodrigues estava com a família no domingo (24) em um veículo que foi confundido pelos criminosos. A sessão ordinária de segunda-feira (25) foi marcada pela indignação e cobrança dos parlamentares, e também pelos vários pedidos de minuto de silêncio.

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“A pequena Alice foi alvo de um ataque terrorista, é o nome que temos que dar não é troca de tiros. Precisamos fazer com que o Congresso Nacional entenda e pare de fazer vídeo para postar nas redes sociais, pare de ficar debatendo ideologia partidária e trabalhe em prol do Brasil. Nós precisamos dar uma resposta à sociedade que já não aguenta mais. Nós não temos mais o direito de ir à rua passear. São vários ‘comandos’ que já estão aqui no Espírito Santo”, criticou o presidente da Ales, deputado Marcelo Santos.

Para o parlamentar, é preciso encarar que o tráfico de drogas deixou de ser o ponto principal das facções, sendo atualmente “donos de universidades, postos de combustíveis, hotéis, motéis, empresas de ônibus… de quase tudo o que um cidadão comum, trabalhador honesto, gostaria de ter”.

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O presidente da Ales, Marcelo Santos, cobra prevenção ao terrorismo das facções. Foto: Paula Ferreira/Ales
O presidente da Ales, Marcelo Santos, cobra prevenção ao terrorismo das facções. Foto: Paula Ferreira/Ales

“Quantas mulheres iguais à Alice de seis anos, e tantas outras de um ano ou ainda no ventre da mãe, foram assassinadas por esses grupos terroristas? Nós vamos passar por um processo de tolerância, como se fosse algo normal, produto do meio que vivemos? Não! Nós queremos ter o direito de ir e vir, e para isso tem que ter uma política pública que chegue a esses lugares. Temos que ter número maior de policiais, equipamentos para que nossos policiais possam atacar esses bandidos das milícias antecipando à ação deles”, exigiu.

CPI das Facções

Alcântaro Filho (Republicanos) defendeu que o Espírito Santo não pode deixar o tráfico estabelecer por aqui, o que já estabeleceu no Rio de Janeiro. O deputado abriu um pedido para criação de CPI das Facções e defendeu maior entrega do Legislativo nessa pauta, com fiscalização.

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O deputado Alcântara Filho quer recolher assinaturas para abertura de CPI. Foto: Paula Ferreira/Ales
O deputado Alcântara Filho quer recolher assinaturas para abertura de CPI. Foto: Paula Ferreira/Ales

Ao voltar à tribuna, Alcântara Filho ressaltou ter colhido 7 das 10 assinaturas necessárias para a criação de uma CPI e voltou a defender investigação e fiscalização sobre o tema. “Alice foi vítima da violência, da guerra de facções no Estado. Há poucos dias tivemos Sofia Vidal, de 15 anos, em Vila Velha. Dessa vez na Serra, amanhã onde será? E depois de amanhã? Quantas vidas mais vamos perder para a guerra do tráfico no Estado? Tivemos estudiosos dizendo que o Espírito Santo vive reflexo com delay do que vive o Rio de Janeiro, ou seja, daqui a 15, 20 anos, poderemos viver dominados pelo tráfico de drogas”, alertou.

Força-tarefa

Outros parlamentares como Dary Pagung (PSB), tendo as forças de segurança já prendido os criminosos, cobrou penas duras aos responsáveis pela morte de Alice. Já a deputada Iriny Lopes (PT) propôs um debate que resulte em um produto a ser apresentado ao governador do Espírito Santo, Renato Casagrande.

O 2º vice-presidente da Ales, deputado Delegado Danilo Bahiense (PL), cobrou reforço de forças policiais e do próprio combate ao crime, e Alexandre Xambinho (Podemos) concordou com os pares pela urgência em resposta pesada das forças policiais. Janete de Sá (PSB) cobrou ação conjunta das Forças de Segurança, do Executivo, da Secretaria de Educação.

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