Forças de segurança do ES acompanham detalhes, inclusive nas comunidades, e se apoiam em repressão qualificada, inteligência e tecnologia
Por Amanda Amaral
A notícia do “acordo de paz” entre o Primeiro Comando da Capital (PCC), São Paulo, e o Comando Vermelho (CV), Rio de Janeiro, foi negada pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski.
Foi identificado um conluio entre advogados destas facções segundo ele, com intuito de flexibilizar as condições carcerárias. Contudo, um possível pacto entre as duas facções ascendeu a preocupação das instituições públicas e também da população. Mas e para o Espírito Santo, quais seriam as consequências dessa aliança?
O diretor-geral do Instituto Jones Santos Neves (IJSN), Pablo Lira, afirma que o Estado aposta em tecnologia citando o Centro de Inteligência e Análise Telemática (CIAT) da Polícia Civil, na integração com o Cerco Integrado e Inteligente, por exemplo, e na repressão qualificada citando as prisões realizadas sem disparo de arma de fogo como a do Fernando Marujo – um dos criminosos mais procurados do Espírito Santo.
“Hoje as forças de segurança no Estado estão preparadas. Elas têm feito este acompanhamento, inclusive com um nível de detalhes nos bairros daqui. O trabalhado da Sesp – Secretaria de Segurança Pública do Estado, da Polícia Civil, da Polícia Militar, é integrado com outras forças como as Guardas Municipais. Esse acordo entre as facções, aqui no Espírito Santo, terá mais dificuldade ao tentar impor uma ação por meio do medo na população. Por meio do programa Estado Presente, foi possível retirar de circulação milhares de lideranças criminosas de 2019 e para cá, sem a necessidade de um único disparo de arma de fogo, disse.
O diretor-geral do IJSN destaca ainda as especificidades de cada estado brasileiro com relação à atuação das facções criminosas. “No nordeste do Brasil e no Sul, há facções locais. Aqui no Espírito Santo também existem facções locais. Se este acordo entre PCC e CV está acontecendo, as facções locais ainda mantém em alerta as forças de segurança, que estão combatendo a criminalidade com repressão qualificada”, comenta.
Pablo Lira também chama atenção para o que pode estar por trás do possível “pacto” entre as duas facções. “Pode maximizar o lucro de atividades ilegais. Além do tráfico de drogas, a venda ilegal da TV a Cabo, da internet, do gás. Essa ‘paz’ gera preocupação sobre o que as comunidades podem sofrer, por mais que tenham um acordo estabelecido, continuam aterrorizando a população”, disse.
Contexto histórico
O IJSN conta com o Observatório de Segurança Cidadã do Espírito Santo para subsidiar ações estratégicas de controle e prevenção à criminalidade e à violência. Este espaço articula com o Fórum Nacional de Segurança Pública, do qual o diretor-geral do IJSN é membro. “O Fórum acompanha, desde 2007, essas grandes facções do Rio e de São Paulo, que começaram a expandir seus negócios para outros estados”, disse Pablo Lira.
Em um contexto histórico, a grave crise de segurança pública, em fevereiro de 2017, mostrou desarticulação política devido a falta de diálogo com as categorias de segurança pública, de acordo com Pablo Lira: “não havia casos de criminosos fechando a Leitão da Silva, roubando carro na Reta da Penha para assaltar o comércio. Depois da crise, essas facções nacionais passaram a atuar com maior influência aqui no território capixaba”.
Desarticulação financeira
Em todo o Brasil, o crime organizado movimenta pelo menos R$ 146,8 bilhões por ano, segundo dados do Fórum, por meio da exploração de mercados ilícitos de ouro, combustíveis, cigarros e bebidas, impactando diretamente na economia e na segurança pública.

Em nota à ES Brasil, a Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) informou que serviço de inteligência monitora, de maneira sigilosa as atividades criminosas em diversos ambientes. O texto destaca investigações contra o tráfico de drogas, organizações criminosas e toda a movimentação relacionada a facções em todo o Espírito Santo. Nos últimos anos, diversas prisões das principais lideranças criminosas do Estado foram realizadas e as forças policiais mantém o monitoramento constante dessas movimentações nacionais, combatendo o crime organizados em todas as frentes e, recentemente, com foco principalmente na desarticulação financeira, explicou a SESP.
A Secretaria também destacou que a população desempenha um papel significativo nas investigações e pode contribuir de forma anônima por meio do Disque-Denúncia 181 ou disquedenuncia181.es.gov.br).

