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segunda-feira, 13 julho, 2020

Existe cura para os viciados em trabalho?

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Você é daqueles que já acorda pensando na sua agenda do dia? Costuma ficar depois do horário no trabalho? Deixa de passear nos finais de semana porque tem um trabalho a fazer? Quando dorme, sonha com situações vividas na empresa? Se você “vestiu a carapuça” diante das situações citadas, é possível que seja um sério candidato a workaholic, ou seja, viciado em trabalho.

Essa palavrinha, criada pelos norte-americanos, é a junção de alcoholic (viciado em álcool) e work (trabalho), designando uma síndrome que, ao contrário do alcoolismo, é aceita e até bem-vista pela sociedade, que admira quem vive para o trabalho e trabalha muito. Apesar de não existirem estudos que os quantifiquem, sabe-se que os “viciados em trabalho” constituem um grupo cada vez mais numeroso, pois encontram na tão falada globalização um ambiente propício para proliferar.

As exigências empresariais, resultantes das rápidas transformações do mundo contemporâneo, ocasionaram um aumento da carga de trabalho associado ao aumento das horas trabalhadas, pressionando o profissional a ter um maior envolvimento com os afazeres profissionais e com a organização, levando-o a buscar aprender mais, decidir melhor, agir mais rápido e atender a demandas também cada vez maiores.

O surgimento desses cenários mercadológicos de alta competitividade fez acentuar a existência da compulsão pelo trabalho, cujos motivos vão desde a necessidade de sobrevivência até uma necessidade pessoal de provar algo a alguém ou a si mesmo, ou ainda de “fugir” de conflitos emocionais, familiares etc. Dentro dessas necessidades, não podemos excluir também a vaidade – o desejo de status -, a ambição e até mesmo a ganância.

A psicanalista clínica, consultora, coach de executivos e administradora Giovana Brioschi de Carvalho comunga do princípio de que somos seres biopsicossociais e considera que tratar da questão do workaholic é tratar da dinâmica comportamental, das afetações sociais que esta conduta proporciona e das consequências somáticas que atingem este indivíduo.

Ela analisa que atualmente percebe-se uma distância quilométrica entre valores pessoais e necessidades reais. “Assolados pela mídia, pressionados pelo status social e minados na autoestima por não dar conta de ser um modelo vencedor, vemos náufragos em luta insana por um destaque muitas vezes digno de um deus do Olimpo”, considera Brioschi.

Segundo descreve a especialista, parcialmente cegos e incapacitados de admitir fragilidades, os workaholics priorizam o mundo corporativo em detrimento da sua própria essência e para trás deixam a família, a espiritualidade, a saúde e o convívio puramente social, focados permanentemente em construir uma rede de negócios e sustentar resultados. Com seu desempenho e seu trabalho insano, tentam provar sua “capacidade” de serem “vencedores”.

Virando o jogo

Duas histórias, de dois colegas da mesma empresa, mostram na prática um pouco da realidade do que é ser um workaholic: Cátia Horsts, gerente geral da Senior Sistemas, e Thiago Pirajá, gerente comercial da mesma organização. Cátia conta que assumia o trabalho às 7h e só voltava para casa às 22h, quando não levava o notebook para responder uns 200 e-mails pela madrugada adentro. Vida social? No máximo um jantar, após as 22h, e aos domingos, quando almoçava na casa de seus pais.
“Via os meus filhos somente de manhã, quando preparava o café deles, às seis horas da manhã, e os levava para a escola. Na hora do almoço, muitas vezes contava com um taxista de confiança ou com meus sogros para buscá-los e levar para casa. Ou seja, tinha pouquíssimo tempo para estar com eles, e muitas vezes não era m tempo com qualidade, pois o meu nível de estresse não me deixava ter um mínimo de paciência para ouvi-los, porque a minha maior preocupação era com meus clientes, meu trabalho, os resultados da empresa”, relata a executiva.

Um dia, Cátia foi surpreendida por um pedido de seu diretor para fazer coaching, pois ele estava preocupado com a sua qualidade de vida. “E foi aí que tudo começou a mudar, para mim e para empresa, pois na sequência levei outros gestores a este mesmo trabalho. E hoje vemos claramente as mudanças, os benefícios. Estou evoluindo nesse aspecto, e tem sido uma melhora diária. Hoje sim, tenho paciência para ficar com seus filhos, ler um livro com eles, assistir um filme ou ir ao cinema. E o melhor é que estou fazendo tudo isso com muito prazer”, comemora a executiva. O coaching (palavra inglesa derivada de coach, que significa treinador) é o processo de equipar as pessoas com as ferramentas, o conhecimento e as oportunidades de que precisam para se desenvolver e se tornar mais efetivas e eficazes,

O gerente comercial Thiago Pirajá é mais um que aprendeu a procurar manter uma vida mais equilibrada e um convívio social um pouco mais intenso. “Sempre fui muito dedicado ao trabalho e era comum perder noites trabalhando, mesmo em casa. Não que agora seja muito diferente; continuo com muitas atividades, só que tudo feito de forma planejada, com estratégia e tempo definidos”, revela. Mesmo trabalhando intensamente, Thiago procura cultivar sua vida social, pois hoje consegue entender o peso e a importância dessa atitude. “Muitas vezes deixei de fazer coisas agradáveis com meus familiares para me dedicar a um determinado projeto profissional”, conta.

Hoje ele consegue separar e investir deliberadamente um período do seu dia na prática de esportes radicais, e buscou no surf a sua válvula de escape. “Essa atividade é o que me dá muito prazer e fôlego para enfrentar mais um dia de grande empenho e dedicação. Hoje acordo às cinco horas da manhã para surfar, pelo menos três vezes por semana”, comemora.

Cátia, por sua vez, também buscou a inclusão da atividade física no seu dia a dia. “Reservo algumas noites, por volta das 19h, para correr, além dos finais de semana, é claro. Tenho uma personal trainer que não me deixa desanimar e nem faltar por causa de trabalho. Muitas vezes ela vem me buscar na porta da empresa”, destaca.

Para ela, é natural que o ambiente empresarial fomente nesses indivíduos o estímulo para valorizar o negócio em detrimento das pessoas. “Também sou administradora e entendo, por ter passado por cargos operacionais, táticos e estratégicos, que os workaholics são, na verdade, vítimas de suas próprias armadilhas, criando ou administrando empresas focadas exclusivamente em resultados financeiros e ignorando aqueles que os constroem”, completa.

[important color=blue title=Como saber se sou um workaholic? ]

1.Você conversa mais animado sobre seu trabalho do que sobre a família ou qualquer outra coisa?
2.Há momentos em que você pode cobrar pelo seu trabalho e outros momentos em que você não pode?
3.Você leva o trabalho com você paraa cama? Nos fins de semana? Em férias?
4. O trabalho é a atividade que você gostaria de fazer mais e falar mais sobre?
5. Você trabalha mais de 40 horas por semana?
6. Você transforma seus hobbies em empreendimentos lucrativos?
7.Você se responsabiliza totalmente pelo resultado de seus esforços de trabalho?
8. A sua família ou amigos já desistiram de ficar esperando por você na hora certa?
9. Você aceita trabalho extra, porque está preocupado de que não vai conseguir fazer de outra forma?
10. Você subestima quanto tempo um projeto levará e então corre para terminá-lo?
11. Você acredita que é bom trabalhar longas horas se você ama o que você está fazendo?
12. Você se impacienta com pessoas que têm outras prioridades além do trabalho?
13. Você tem medo de que, se não trabalhar muito, perderá seu emprego ou será um fracasso?
14. Tem preocupação constante com um futuro para si mesmo quando as coisas estão indo muito bem?
15. Você faz as coisas enérgica e competitivamente, incluindo o jogo?
16. Você se irrita quando as pessoas pedem que pare seu trabalho, a fim de fazer outra coisa?
17. Seus horários já prejudicaram sua família ou outros relacionamentos?
18. Você pensa sobre seu trabalho quando está no trânsito, para adormecer ou quando os outros estão falando?
19. Você trabalha ou lê durante as refeições?
20. Você acredita que mais dinheiro vai resolver os outros problemas em sua vida?
Se respondeu “sim” a três ou mais dessas perguntas, você pode ser um workaholic. Relaxe! Você não está sozinho.
Fonte: site Workaholics Anônimos (www.workaholics-anonymous.org)[/important]

Luz no fim do túnel?

Os questionamentos são muitos, e Giovana Brioschi destaca alguns. Por exemplo: e se fossem incluídos nos balancetes de cada uma dessas empresas os custos dos remédios e tratamentos que sustentam todo este esforço? Será que ainda assim o resultado seria positivo? E se fossem debitados também valores intangíveis, como a perda da qualidade de vida? “Como coach de executivos e psicanalista, ouço diariamente sofisticados discursos de profissionais responsáveis por grandes empresas, que tentam justificar o seu vício. Em minoria estão aqueles que chegam com uma conduta emocional madura, que se reflete em uma estrutura de vida mais equilibrada e sustentável”, salienta.

São executivos que se cercam de gestores frágeis para comandar sem sentirem-se ameaçados, analisa a psicanalista clínica, e com isso geram uma enlouquecida rede de dependência sem a qual eles não sobreviveriam, e a qual, por sua vez, também não sobreviveria sem ele. Forma-se um circulo vicioso perfeito. O “resto” – viver -, em sua opinião, torna-se microscópico aos seus olhos.

Listando algumas das consequências desse tipo de postura, ela cita a executiva que não suporta falar em relacionamento amoroso – afinal, “adotou” a empresa e, como “grande mãe”, não aguentaria deixá-la em segundo plano. Ou ainda pais em fuga da paternidade, a qual não traz em seu escopo nada que lembre, nem de longe, quaisquer tipos de manuais, planejamentos estratégicos, índices concretos e viáveis.

Giovana alerta que a “business inteligence” não mensura a gravidade dos relacionamentos em crise, casamentos frustrados, famílias em desalinho. E vai além, afirmando que a espiritualidade torna-se questionável, não por oportunizar uma avaliação das diferenças, mas porque não é “projetizável” para que se possam avaliar riscos, tempo, recursos, qualidade, comunicação.

“Ficam assim instalados ‘buracos’ biopsicossociais que geram culpa e solidão, além de demandarem suas respectivas compensações. As mais comuns são comida, agressividade e relações superficiais. A comida para aplacar a ansiedade, a agressividade para dividir a culpa por negligenciar a própria vida e a construção de relacionamentos frívolos, que sustentam um gozo fortuito e descomprometido”, destaca a psicanalista.

No ambiente corporativo, o trabalho de coaching pode vir a ser uma ferramenta bastante útil para ajudar a diagnosticar as sofisticadas armadilhas pessoais estruturadas por estes executivos e estimular o desenvolvimento de uma consciência, uma responsabilidade e uma autoconfiança capazes de viabilizar uma efetiva mudança. Mas alguns casos requerem terapias mais profundas e auxílio psicológico.

“Trabalhar obsessivamente e compulsivamente parece o mais sensato a fazer, afinal, viabiliza a fuga de encarar a vida e comprometer-se a mudá-la e é digno de promoção e retorno financeiro”, conclui Giovana, que faz ainda uma última observação: “Preciso pontuar: este trabalho insano dignifica o homem?”.

“Worklover”

Existe também o outro lado da moeda. O “worklover” (work, de trabalho, e lover, de apaixonado), um apaixonado pelo trabalho, aquele profissional feliz e satisfeito com suas realizações. Trata-se de uma pessoa mais apta a lidar com dificuldades, que procura ajudar em vez de criticar ou desanimar. Este “apaixonado” também trabalha muitas horas por dia e nem percebe o tempo passar, mas estende esta satisfação à sua vida fora do trabalho e equilibra bem sua vida profissional com a pessoal.

Equilíbrio. É nessa palavra poderosa que reside o segredo do bem-estar. Em tudo na vida é preciso equilíbrio, mesmo quando você estiver sob pressão. Afinal, alertam os especialistas, “caixão não tem gavetas”, ou seja: você não vai conseguir levar nada do que adquiriu porque se “matou” de tanto trabalhar. Portanto, viva socialmente e trabalhe profissionalmente.

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