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sábado, 18 maio, 2024

Espírito Santo produziu 4,65 bilhões de ovos

Estado representa mais de 9% da produção nacional. Conheça mais sobre a atividade que gera renda para milhares de capixabas

Por Gustavo Costa

Com uma produção que extrapola as previsões, o Espírito Santo é uma potência no setor da avicultura. A expectativa, que era de 4,5 bilhões de ovos no ano passado, acabou superada e por muito: o número consolidado da produção foi de 4,65 bilhões de ovos.

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O Espírito Santo representa mais de 9% da produção nacional de ovos. E segundo o diretor-executivo da Associação dos Avicultores do Espírito Santo (Aves), Nélio Hand, o panorama poderia ser ainda melhor. “No ano de 2021 nós atingimos a marca de 5,3 bilhões de ovos produzidos no Espírito Santo. Em 2022 o volume foi reduzido para 4,4 bilhões em função da crise e dos altos custos de insumos que já vinham ocorrendo desde 2020. Isso provocou uma redução significativa da produção no setor”.

Hand cita inclusive que muitos produtores não resistiram a essa crise, sobretudo os de pequeno porte que tiveram que encerrar suas atividades. Nos últimos meses vem ocorrendo uma recuperação, mas ainda não alcança a produção de 2021.

Atualmente o Espírito Santo conta com cerca de 120 produtores, sendo que existem grupos familiares que possuem mais de um produtor. Hand frisa que o número já chegou a 180 produtores e esse número caiu em razão da crise. “Nem sempre o pequeno produtor consegue resistir aos momentos de crise e acaba optando por sair da produção avícola. E ainda temos as adequações sanitárias que as granjas vêm tendo que fazer nos últimos anos, onde muitos produtores entendem que não é viável fazer as adequações das estruturas mais antigas e acabam reduzindo”, falou ele.

100 mil famílias capixabas beneficiadas pelo setor

Com uma produção tão grande, empregabilidade é algo natural na avicultura. Incluindo a área de frango de corte, o setor gera aproximadamente 25 mil empregos diretos. A estimativa da Aves é que o setor gera ainda renda indireta para mais de 100 mil famílias.

De acordo com Hand, é um mercado plural, que oferece oportunidade em diversas áreas à partir da produção. “Essa correlação que existe entre a avicultura e as demais atividades agrícolas é muito expressiva. Cito, por exemplo, o cinturão verde que existe na região Serrana que é totalmente dependente da produção desse esterco, além da produção de frutas, café, reflorestamento e outros segmentos da agricultura. Outro setor que também é atingido positivamente pela atividade é o de transporte”, explicou.

Nem tudo é sobra e água fresca, entretanto. O principal gargalo do setor é o custo de produção, por conta da necessidade de insumos de fora do Estado. Atualmente, por exemplo, 95% do milho e do farelo de soja utilizados pelo produtor capixaba vêm da região Centro-Oeste. “Isso é um grande desafio. Uma luta que nós travamos há algum tempo é criar alternativas logísticas que possam minimizar o impacto dos custos de transporte. Um sonho do setor é utilizar a ferrovia, mas ainda não conseguimos êxito nas tentativas de parceria com a empresa que detém o modal. Para se ter uma ideia, hoje o custo do milho do Espírito Santo é o mais caro do Brasil”, falou o diretor da Aves.

Ele lembra, que felizmente essas dificuldades não chegam a inviabilizar a produção avícola, uma vez que o Estado está geograficamente bem localizado, perto de grandes centros consumidores e com acesso a modais de transporte que podem ser viabilizados para o comércio exterior.

Outro desafio apontado pela Aves está na concorrência com outros estados produtores, que contam com benefícios e critérios que terminam valorizando mais a produção. “Nesse sentido, nosso estado precisa avançar para melhorar. Outros pontos que também estão relacionados diretamente ao poder público e que podem ser otimizados para incrementar a produção animal de forma geral, já que existe ociosidade em várias plantas de processamento e produção”, disse Hand.

Perspectivas para 2024

A despeito dos números que chamam atenção, a Aves percebe 2023 como um ano de recuperação. Mas e em relação a este ano, o que os capixabas podem esperar? Segundo a entidade, a produção de ovos vem se restabelecendo de maneira gradativa, mesmo com os produtores ainda sendo impactados pelos altos custos com variações de preço.

Para se ter uma ideia, o diretor da Aves lembra que o setor registrou, na metade de 2023, o custo da saca de milho entre R$ 60 a R$ 65. Já em janeiro deste ano, o valor alcançou R$ 93. “E essa grande variação dos custos dos insumos dificulta a produção e a indústria, tanto de ovos quanto de frango e suínos. O setor vem buscando se recuperar, mas ainda paga as contas da crise que ocorreu a partir de 2020”.

O próprio mercado e alguns fatores especulativos ainda são desafios que permeiam a produção. O setor já respira, mas ainda há muito espaço para crescimento.

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