ES Brasil Debate: os novos caminhos da logística do Espírito Santo

Durante o evento, especialistas foram unânimes em apontar e reiterar urgência da necessidade de se estruturar novos modelos de gestão, mais eficazes e eficientes. 

A 15º edição do ES Brasil Debate, realizado na noite desta quarta-feira (03), no auditório da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), trouxe à tona as diversas questões que envolvem a estrutura logística do Espírito Santo. Fatores que, cada vez mais, interferem na economia de países, estados e municípios.

Para falar sobre os diferentes pontos que envolvem o setor e apontar medidas que propiciem melhores níveis de competitividade nos cenários nacional e internacional, contamos com um renomado time de especialistas. Nossos debatedores foram: o secretário estadual de Desenvolvimento, José Eduardo Azevedo; o presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas & Logística no Estado do Espírito Santo (Transcares) e diretor Administrativo da Federação das Empresas de Transporte – ES (Fetransportes), Liemar José Pretti; o superintendente da Infraero – Aeroporto de Vitória, Afrânio Souza Mar; e a economista, consultora de negócios e professora de MBA, Martha E. Ferreira.

O evento contou ainda com a mediação do presidente da Federação Nacional das Agências de Navegação Marítima (Fenamar), Waldemar Rocha Júnior.

Na abertura do debate, o diretor executivo da Next Editorial / Revista ES Brasil, Mário Fernando de Souza, contou que o ES Brasil Debate nasceu do questionamento de um dos leitores da revista. “Há muitos anos fazíamos esse debate lá na editoria, mas sem público e depois publicávamos na revista. Certa vez um de nossos leitores cobrou que o acesso àquelas conversas fosse ampliado, a fim de que outras pessoas pudessem contribuir e não ficasse apenas reverberado nas páginas da ES Brasil. E assim chegamos agora em nossa 15ª Edição.”

Mário destacou ainda que essa é a terceira vez que tratamos do assunto logístico e sempre com “casa cheia” e um público qualificado. “E é essa nossa missão: distribuir conteúdo nas mais diversas plataformas para que elas sejam agentes transformadores, por meio da informação, do conhecimento.”

Realizado na noite desta quarta-feira (3), no auditório da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), a 15º edição do ES Brasil Debate trouxe à tona uma questão que, cada vez mais, interfere na economia de países, estados e municípios. O evento reuniu cerca de 250 pessoas.

Para falar sobre os diferentes pontos que envolvem o setor e apontar medidas para alcançar melhores níveis de competitividade nos cenários nacional e internacional, contamos com um time de especialistas.  Nossos debatedores foram: o secretário estadual de Desenvolvimento, José Eduardo Azevedo; o presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas & Logística no Estado do Espírito Santo (Transcares) e diretor Administrativo da Federação das Empresas de Transporte – ES (Fetransportes), Liemar José Pretti; o superintendente da Infraero – Aeroporto de Vitória, Afrânio Souza Mar; e a economista, consultora de negócios e professora de MBA, Martha E. Ferreira.

O evento contou ainda com a mediação do presidente da Federação Nacional das Agências de Navegação Marítima (Fenamar), Waldemar Rocha Júnior.

O prefeito de Viana, Gilson Daniel, também esteve presente e comentou sobre os recursos e as expectativas de melhorias para o município. “A cidade tem vocação natural para que as empresas queiram investir e fizemos um esforço muito grande para transformar Viana na capital da logística”, destacou.

Gilson ainda afirmou que “Viana é a terceira cidade metropolitana em território e está em ampliação.” O prefeito apontou que o município “tem o entroncamento das BRs 101 e 262, tem gasoduto, rios, uma termoelétrica que produz energia, que abasteceria o município de Vila Velha”. Portanto, destacou o gestor, ‘Viana tem tudo o que precisa para sempre estar em funcionamento em termos de logística.”

Além dos tópicos levantados pela produção do evento, o debate incluiu diversos questionamentos realizados pelo público, formado por empresários de diferentes setores, estudantes de logística e representantes de governos municipais, estadual e federal.

Embora os debatedores tenham discordado sobre a forma e o peso da atuação dos governos na estruturação de grandes obras e integração dos modais, foram unânimes em defender a necessidade de gestões mais eficientes e eficazes, que possibilitem o emprego correto de recursos e do tempo para que as melhorias sejam concretizadas.

Em resposta à pergunta inicial do debate, acerca do que é possível apontar de melhorias logísticas concretas nos últimos 30 anos, a economista Martha Ferreira apontou que
“em relação aos países desenvolvidos estamos atrasados 200 anos, e em relação aos estados brasileiros mais desenvolvidos, como São Paulo, por exemplo, estamos atrasados uns 50 anos. ”

O secretário José Eduardo reiterou que a questão é histórica e também a necessidade de políticas públicas que possam captar mais recursos, mas também garantir melhor fiscalização das verbas.

Rodovias 

As  más condições das rodovias que cortam o Espírito Santo e o fato de que os custos operacionais podem ser reduzidos em até 25%, caso as rodovias estivessem em ótimo estado de conservação, foram destacados pelo presidente da Transcares, Leimar Pretti. Mas o empresário também fez um “mea culpa” do setor privado. “Em muitos casos temos sido incompetentes em nossa forma de nos organizar e alavancar melhorias”. Pretti também destacou a necessidade de melhores políticas públicas e a urgente necessidade de integração dos modais.

A pergunta sobre o que falta para que os governos consigam firmar as PPPs necessárias para efetivar melhorias e evitar situações como a da ECO101, que em nada melhorou a via até agora, incendiou o debate. Martha defendeu um novo modelo de investimento, com o Estado participando somente como fiscalizador.

Ela citou como exemplo os Estados Unidos onde a construção de um shopping como o maior da capital capixaba é concluída em seis meses. Segundo ela, as grandes obras, coordenadas por investidores, bancos e seguradoras não permitem a corrupção que tem destruído o país. A debatedora foi ovacionada pelo público presente ao debate, que participou com diversas perguntas.

Aeroportos

Em relação às obras de ampliação do aeroporto de Vitória serem suficientes para torná-lo competitivo no cenário nacional e internacional, o superintendente da Infraero Afrânio Souza Mar respondeu que as melhorias de resultados com a nova estrutura do aeroporto serão reais e que, mesmo atualmente, com a estrutura defasada, o aeroporto é competitivo. “Ocupa a 10ª posição no Brasil em número de voos comerciais e 6º lugar no ranking do transporte de passageiros, além de ser o principal aeroporto no seguimento de importação.”

Segundo ele, a nova infraestrutura vai trazer comodidade ao capixaba e movimentará a economia. Vai melhorar em termos de turismo, além de ter a possibilidade de voos internacionais.

“Estamos buscando demandas. Não só de voos domésticos como comerciais. O aeroporto que será entregue vai triplicar a demanda existente, reduzindo o gargalo atual e aumentando a quantidade de cargas transportadas com uma estrutura eficiente.”

Ferrovias

A utilização de linhas férreas para escoamento da produção do interior para os portos reduz os custos logísticos em até 50%. A estrada de Ferro Vitória a Minas responde por 40% da carga ferroviária do país, transporta mais de 110 milhões de toneladas por ano, mas representa menos de 5% da malha nacional.

O secretário José Eduardo falou sobre o trabalho de captação de recursos que vem sendo feito junto ao Governo Federal para a construção das estradas de ferro EF-118 (Vila Velha ao Rio de Janeiro) e EF-354 (Campos a Goiás), que irão representar significativo avanço na possibilidade de conquistas de novas cargas/mercados.

“O modal ferroviário é importantíssimo, pois em outros países o transporte de carga é da última milha. Gostaríamos que estivéssemos em uma plataforma única, reduzindo o custo. O modal ferroviário é importante. É caro para ser implantado, mas tem um custo menor e favorece muito mais por tirar muitos veículos da malha rodoviária”, acrescentou Liemar Pretti.

Segundo ele, um dos maiores problemas que temos são as duas bitolas existentes nas ferrovias no Brasil e que não se unem na malha ferroviária. “Isso começou errado há anos, irá demorar para ser consertado. Temos que desbravar muito para conseguirmos essa estrutura de forma correta”, pontuou o presidente da Transcares.

Portos

As possibilidades que virão com a dragagem da baía de Vitória, ainda que não resolva o problema da falta de bacia de evolução que permita a entrada dos grandes navios do cenário mundial, também foi tema do debate. Atuando em Agência Marítima há 40 anos, Waldemar Rocha, que mediou o evento, argumentou que há muitas novas formas de se utilizar o Porto de Vitória e que o excesso de burocracia no Brasil está entre os gargalos que precisam ser resolvidos.

Ainda falando de portos, o significado da construção do Porto Central, em Presidente Kennedy, para a economia capixaba trouxe como destaque o questionamento sobre a demanda de cargas e o que será feito para que a estrutura seja aproveitada da forma correta.

Martha Ferreira destacou que certamente o envolvimento de um grupo como o de Roterdã no projeto significa que ele será bem gerido, mas alertou sobre a demanda de cargas. “Temos cargas, temos clientes para ocupar uma estrutura como a que se pretende viabilizar em Presidente Kennedy?”.

Ela destacou ainda que as cinco maiores empresas do Estado, que garantem cerca de 100 mil empregos, executam quase 90% das exportações capixabas por terminais privados e não dependem do governo para nenhuma de suas atividades. “É preciso focar o trabalho nos médio e pequenos empresários, que garantem 2 milhões de empregos. É para eles que os governos precisam viabilizar melhorias logísticas.”

O secretário José Eduardo defendeu que o  Porto Central esse é um projeto de maturação em longo prazo. A necessidade de qualificação profissional também foi ressaltada nesse momento.

Sorteio

O debate foi encerrado as 22 horas e o sortudo da noite foi o supervisor operacional da Granero Transportes, Vicker Oliveira Surita, que ganhou uma cafeteira Qool, da Delta Q!
A cobertura completa do evento você confere na versão impressa da revista, que estará nas bancas na semana que vem.

 

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