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quinta-feira, 13 agosto, 2020

“Detectamos um quadro bem complexo com a pandemia”, diz secretário de educação

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Em entrevista, Vitor De Angelo disse que muitos alunos da rede pública não estão tendo acesso às atividades por diversos motivos e explicou como a Educação está sendo conduzida no Espírito Santo

As aulas presenciais foram suspensas em março deste ano por meio de um decreto estadual, como medida de mitigar a transmissão do novo coronavírus, e muitos estudantes estão tendo aulas on-line na plataforma EscoLAR.

Desde então, a educação capixaba tem enfrentado muitos desafios, como levar o conteúdo aos estudantes; usar a tecnologia a seu favor; capacitar o corpo docente; além de evitar a evasão escolar.

Para falar sobre o assunto e explicar como o Estado está enfrentando a pandemia causada pela Covid-19, o secretário de Estado de Educação, Vitor De Angelo, conversou com ES Brasil e contou as ações e as expectativas para os próximos meses. Acompanhe!

Quais são os desafios enfrentados pela educação pública durante a pandemia?

Um monte. O principal desafio ao qual se desdobram os outros é manter o vínculo com o aluno. Pela razão óbvia de que a pandemia nos obrigou a fechar escolas e os alunos ficaram isolados em casa. A partir daí tem uma série de outros desafios: se usa a tecnologia ou não; no caso do uso da tecnologia, a exclusão digital que existe; no caso de materiais e recursos sem tecnologia, como fazer uso desse material, entre outras situações. Neste período, também, muitas pessoas não são localizadas. Com a pandemia, muita gente se mudou e muitas pessoas “desapareceram” porque, talvez, precisaram buscar alternativas para conseguirem o sustento ou outras razões, com isso não conseguimos localizá-las. Por isso detectamos um quadro bem complexo. Mas tudo isso está ligado ao desafio principal: a pandemia.

Quantos alunos perderam aulas até julho, com a regulamentação da carga horária das aulas?

As atividades aplicadas de abril a julho também serão consideradas. Serão feitas avaliações diagnósticas para saber se o aluno aprendeu aquele conteúdo. Se sim, será validado em termos de horas. Claro que não estamos falando somente em cumprimento de horas, é uma questão legal. Estamos falando de aprendizado. De todo modo,  neste período não há aulas, especificamente. Temos atividades remotas. Temos carga horária e não dia letivo. Por isso, é difícil responder a esse questionamento. Por meio do nosso monitoramento sabemos o percentual de alunos que foram alcançados pelo Programa EscoLAR, quantos não devolveram os exercícios propostos, quantos aderiram ao aplicativo, por exemplo. Os percentuais estão sendo adaptados à realidade em que estamos vivendo.

A Sedu tem realizado a Avaliação Diagnóstica para os estudantes do 6º ano do Ensino Fundamental à 3ª série do Ensino Médio da Rede Estadual, certo? Já tem algum resultado positivo?

Ainda não. Começamos a aplica-la na última semana e por mais que seja on-line exige um tempo para que possamos tabular os dados, e a partir daí teremos essas informações.

Até o momento, qual é o índice de evasão escolar e o que o Estado tem feito para reduzí-lo?

Ainda não. Mas sabemos que 15% dos alunos da rede estadual não participaram ou foram localizados para participar das atividades propostas. São literalmente alunos que “sumiram”. Mas eles evadiram? Não. Ainda não temos como dizer isso, pois o abandono e a evasão são dois movimentos causados quando a escola está aberta. E, neste momento, elas estão fechadas. Pode ser que eles até queiram estudar, mas não estão conseguindo. A situação é que não permite que eles participem. Agora, quando as escolas abrirem conseguiremos ter um parecer. Se eles não retornarem serão considerados alunos que evadiram. Claro que não vamos aguardar lá na frente para fazer isso. Já estamos nos planejando e sabemos que esses que não estão participando são alunos que tem maior potencial para a evasão. Não dá para dizer agora que eles abandonaram a escola, pois ainda não sabemos o motivo.

Como ficará o ano letivo antes dos 3 meses da implantação do EscoLAR? Contará como aprovação ou reprovação?

A aprovação e a reprovação é outra discussão. Em tempos normais estão ligadas a aprendizagem. Nós ministramos a aula, verificamos por meio de provas se o estudante aprendeu ou não aprendeu o conteúdo. Agora estamos em uma nova realidade. O aluno demonstra se aprendeu por meio das atividades remotas. Paralelo a isso, o Conselho Nacional de Educação (CNE) fez uma recomendação recente para que as redes não reprovassem os alunos. Vamos discutir se a partir do que estamos fazendo se vamos aplicar avaliações somativas para ver se aprendeu o conteúdo e tem condições de ser aprovado ou não. Isso não é um ponto muito simples. Tem que ter muito cuidado com essa questão.

Há a possibilidade de ter dois anos letivos em um só no próximo ano?

O CNE também fez essa recomendação. Quando falamos dois anos em um é do ponto de vista dos componentes curriculares que deveriam ser trabalhado no ano de 2020. O que não houver tempo ou não for trabalhado neste ano poderá ser incluído à carga horária do ano de 2021. Infelizmente só temos 4 meses pela frente. O que seria melhor? Imprensar esse conteúdo daqui pra frente ou guarda-lo para ser lecionado no próximo ano e diluir ao longo dos meses para que possamos trabalha-lo com calma. Ai, se fazemos uma análise uma série será feita em 4 meses, enquanto a próxima será feito em 10 meses. O aluno ficará prejudicado. Se juntarmos e fizermos dois em um, não é atraso de calendário e, sim, um ajuste do currículo.

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) será aplicado em janeiro de 2021. O senhor concorda com a data? Acredita que alunos da rede pública ficarão prejudicados com a pandemia?

Nós, secretários de Educação, manifestamos nosso apoio ao Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (inep) para aplicar o Enem em janeiro. Primeiro, defendemos que ele fosse adiado, o que aconteceu. O ex-ministro da Educação, Abraham Weintraub, lançou uma consulta pública realizada entre os alunos apontou a preferência de aplicação das provas em maio. Um grupo pequeno desejava que fosse em janeiro e um minoritário queria que fossem em dezembro. Entendemos que quanto mais tempo para se preparar, melhor. Só que em maio trariam outros problemas, pois o Enem é o primeiro passo de um processo que vai levar ao Sistema de Seleção Unificada (Sisu) e ao Financiamento Estudantil (Fies), que financia a matrícula dos cursos nas instituições superiores particulares. Pense: o Enem sendo realizado em janeiro, o resultado só sairá em março. Se fosse aplicado em maio, o resultado sairia em julho. Com isso, o Sisu seria realizado em agosto e o Fies em setembro ou outubro. Assim, os alunos da rede pública perderiam a oportunidade de cursar o primeiro semestre nas universidades. Isso seria excludente, pois menos alunos entrariam nas universidades privadas no ano de 2021. É necessário deixar explicito aos estudantes, pois eles pensam mais na preparação para o exame e não percebem a repercussão que tudo isso pode causar em termos de calendário.

A Secretaria da Educação (Sedu) vai repassar mais de R$ 12 milhões em recursos financeiros para as escolas da Rede se prepararem para a volta às aulas presenciais. Acredita que já é o momento delas retornarem?

Absolutamente não. Na verdade, só vamos retornar todas as escolas e instituições de ensino quando as autoridades de saúde autorizarem o governador Renato Casagrande e ele suspender, por meio de decreto, a interrupção das aulas presenciais. Isso não aconteceu, mas o que está acontecendo é uma preparação para que todos estejam prontos para retornar quando houver essa autorização. Temos um grupo de trabalho que eu coordeno, junto com vários setores, que conta com a participação da Secretaria de Estado da Saúde, em que estamos estabelecendo uma série de protocolos e critérios para nos planejarmos para a volta às aulas com segurança, independente de quando for. Esse repasse é para que as escolas da rede estadual comecem a sua estruturação com coisas simples que já conhecemos, como, por exemplo, a compra de álcool em gel, displays para o álcool, máscaras, produtos de limpeza, entre outras coisas. Entendemos que era importante repassar esse montante para que o gestor escolar se prepare para isso.

Mas há a possibilidade de alguns municípios voltarem antes de outros?

Essa é uma questão que ainda está em discussão no Grupo de Trabalho (GT) do governo estadual. Poderia responder a ela do ponto de vista pedagógico, se é bom ou não, mas o que interessa aqui é a saúde. Sendo assim, pode uma região voltar antes de outra que não está estabilizada na pandemia?  Esse tipo de critério o GT tem discutido sempre seguindo as orientações da Secretaria de Saúde.

Quais investimentos a pasta está planejando ainda para este ano? A pandemia permitirá esses avanços?

Temos que avançar. Nosso planejamento interno continua inalterado. Só que, claro, ele depende de fontes de recursos e nós sabemos que a pandemia trouxe um grave impacto financeiro e fiscal sobre o Estado. Somando-se a ele também veio o impacto da crise do petróleo. Precisaremos fazer um planejamento quanto governo para entender como vai ser esse novo orçamento e alocações dentro da secretaria. Isso ainda não aconteceu, mas internamente, por assim dizer, continuamos trabalhando como “se nada tivesse acontecido”. Estamos dentro do nosso planejamento com as coisas como havia sendo feitas. Lógico, com a clareza de que precisaremos mais adiante de ter prioridades. Alguma coisa no planejamento que eventualmente deveremos deixar para fazer em 2021. Vamos aguardar para ver como se resolverá.

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