“Com ou sem eleição, as projeções para 2022 são de baixíssimo crescimento do PIB ou até mesmo estagnação”
Por Claudeci Pereira Neto
Os assuntos econômicos permeiam o centro das campanhas presidenciais, pelo menos dos candidatos mais sensatos. As propostas econômicas, muitas vezes, apresentam certa generalidade e elevado nível de abstração, deixando o eleitorado sem esclarecimento dos seus impactos sobre os problemas reais.
Espera-se que os debates dos próximos candidatos a chefe do poder executivo federal discutam as soluções para as nossas dificuldades atuais, que não são poucas e nem pequenas. As pessoas querem saber como o projeto político-partidário do futuro eleito impactará, por exemplo, na geração de emprego, nos preços dos bens e serviços, nos juros do financiamento da casa própria, do carro ou das empresas.
Os elevados níveis de reprovação do atual governo são também evidências de um desarranjo econômico, com altas taxas de desemprego, inflação em patamares bem acima da meta, elevação dos juros e um ambiente institucional que gera desconfiança nos agentes econômicos.
Com ou sem eleição, as projeções para 2022 são de baixíssimo crescimento do PIB ou até mesmo estagnação. O Boletim Focus do Banco Central já estima a variação do PIB próxima de zero para este ano. Diante desse cenário, e com a proximidade das eleições presidenciais, as decisões de investimento por parte das empresas podem ser postergadas até que os agentes políticos vencedores do pleito sinalizem de maneira mais clara e assertiva suas propostas econômicas, alinhando as expectativas dos agentes investidores.
Além da confirmação do projeto político ganhador das eleições, os agentes aguardam as alianças partidárias no Congresso Nacional para saber se o novo governo terá como aprovar suas proposições e assim tentar alcançar seus objetivos na área econômica.
O baixo nível de investimento da economia brasileira, agravado pelo estado de desconfiança política, faz com que a criação de postos de trabalho fique muito aquém do necessário para absorver os trabalhadores desempregados e os jovens aptos a entrarem no mercado de trabalho.
Nesse ambiente, um dos fatores de produção, o trabalho, encontra-se subutilizado, prejudicando o fluxo circular da renda na economia. De modo simplificado, se nenhuma medida de política econômica for adotada, parte das famílias continuará sem recursos financeiros para adquirir bens e serviços (inclusive os básicos para a sobrevivência), que por sua vez fará com que as empresas ofertem menos bens e serviços, e fiquem com capacidade ociosa.
Entre outras coisas, as empresas podem dispensar mais trabalhadores (o que afeta ainda mais o mercado de trabalho) e reduzir a demanda por matérias-primas e insumos (o que prejudica outras empresas), além de paralisar investimentos, essenciais para um crescimento mais sustentável.
O Estado, através do Governo Federal e do Congresso Nacional, é o agente capaz de interferir nessa espiral recessiva. Espera-se que os candidatos nas eleições 2022 tragam propostas econômicas factíveis e projeto para sairmos dos problemas imediatos e urgentes, mas que também apresentem planejamento de longo prazo, capaz de colocar o País no rumo do desenvolvimento econômico.
Claudeci Pereira Neto é presidente do Conselho Regional de Economia do Espírito Santo (Corecon-ES).

