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É hora de brigar com a China?

É hora de brigar com a China?

Confira o que mostram os dados do Ministério da Economia sobre nossas exportações

Por Clóvis Vieira

A globalização e a internacionalização das cadeias globais de valor sofreram um revés com a pandemia. E o quadro considerado para os próximos dois ou três anos é o de comércio mundial menos dinâmico do que o visto até 2018/2019.

As dificuldades de compras imediatas de aparelhos, equipamentos e outros produtos hospitalares trouxeram à tona discussões sobre a sustentação de diversificação de fornecedores e da sustentação de indústrias locais, ainda que menos eficientes.

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E em meio a essa séria demanda, o mundo testemunha uma busca dos Estados Unidos por algum refreamento do poderio geopolítico e econômico da China. A onda de sentimentos anti-China liderados pelos Estados Unidos e outros países foi tamanha que se chegou a especular um pior cenário possível de confronto armado entre as duas potências globais. E não são poucos aqui no Brasil os defensores da ideologia de boicotar produtos chineses, como forma de “conter o comunismo”.

Mas basta uma rápida olhada nos números para entender o tamanho dessa bobagem. Fato é que a chamada “guerra comercial” é um instrumento desta tentativa de realinhamento de forças por parte dos Estados Unidos.

Brigar com a China?

A balança comercial neste ano tem um saldo de US$ 26,9 ante US$ 27,7 no mesmo período do ano anterior. Dados do Ministério da Economia apontam dados sobre as exportações brasileiras no primeiro semestre que merecem atenção. Tivemos uma grande dependência da China, nosso maior parceiro Comercial, como também dos países asiáticos. Um volume bem maior que os EUA e a Zona do Euro. Vamos aos números:

Para cada US$ 1 que o Brasil exportou para os EUA, foram exportados US$ 3,4 para a China. Temos um déficit comercial com os EUA de US$ 3,13 bilhões. E um superávit comercial com a China de US$ 17,65 bilhões.

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Por outro lado, o Brasil importou mais de EUA e Argentina juntos (US$ 16,8 bi) do que da China (US$ 16,7 bi). Ao mesmo tempo, a gigante asiática tem com o Brasil seu quarto maior déficit comercial (atrás apenas de Taiwan, Austrália e Coreia do Sul).

E tem mais: o Brasil exportou mais para Hong Kong (US$ 1,2 bi) do que para o Reino Unido inteiro (Inglaterra, Escócia, Irlanda do Norte e Gales, US$ 1,1 bi). As exportações para Cingapura (US$ 2 bi) foram o dobro do que para a França (US$ 1 bi).

Exportamos mais para a Coreia do Sul (US$ 1,65 bi) do que para França e Suíça juntas (US$ 1,6 bi). Mais para Bangladesh (US$ 914 milhões) do que para Suécia, Noruega e Dinamarca juntas (US$ 854 milhões). E ainda mais para Malásia e Tailândia somadas (US$ 2,6 bi) do que para Alemanha e Suíça juntas (US$ 2,5 bi).

Nesse ranking, exportamos mais para Turquia (US$ 1,39 bi) do que para Colômbia e Equador somados (US$ 1,33 bi). E Indonésia, Malásia e Tailândia, individualmente consideradas, são destinos maiores de nossas exportações do que Reino Unido e França individualmente considerados, ou do que os países escandinavos (Suécia, Noruega e Dinamarca) juntos.

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Agora cabe a pergunta: Dá para brigar com o “Gigante Adormecido” ?

Clóvis Vieira é economista e diretor de Vieira e Rosenberg

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