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Articulações e disputas de poder movimentam o Legislativo capixaba

Deputados da base e oposição intensificam negociações e, de olho em 2026, reconfiguram alianças 

Por Denise Miranda

O clima político na Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales) tem sido marcado por articulações constantes, disputas silenciosas e movimentações estratégicas que desenham o novo equilíbrio de forças dentro do Parlamento capixaba. Em meio a um ambiente de consolidação de lideranças e preparação para as eleições de 2026, deputados da base governista e da oposição intensificam negociações para ocupar posições estratégicas e ampliar sua influência política.

Mais do que a busca por cargos e funções, o que se observa é um jogo de poder sofisticado, movido por acordos, cálculos eleitorais e uma tentativa permanente de manter relevância política diante das mudanças no tabuleiro estadual. A distribuição de emendas parlamentares, a presidência de comissões e a composição da Mesa Diretora estão no centro dessas disputas.

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A base governista, liderada pelo governador Renato Casagrande (PSB), trabalha para consolidar sua influência e garantir a governabilidade na Casa. O grupo tem costurado acordos com deputados aliados, assegurando maioria confortável em votações e o controle de comissões estratégicas, como Finanças, Constituição e Justiça, e Infraestrutura.

Do outro lado, a oposição tenta ampliar sua presença, apostando em pautas regionais, discursos críticos e aproximação com setores insatisfeitos dentro da própria base. O objetivo é fortalecer a imagem política e construir palanques eleitorais locais, aproveitando eventuais brechas deixadas por divergências internas.

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A reeleição do deputado Marcelo Santos (União) para a presidência da Assembleia, por unanimidade dos 30 parlamentares, marcou o início de um novo ciclo de reorganização política. A vitória unânime foi interpretada como um gesto de estabilidade institucional, mas também como um movimento de blindagem da base do governo e de preservação de alianças internas — especialmente com partidos que integram o arco de sustentação de Casagrande.

Logo após a eleição, as atenções se voltaram para a composição das comissões permanentes. Em abril de 2025, a nova configuração foi oficializada após intensas negociações entre os blocos partidários. A Comissão de Finanças passou a ser presidida pelo deputado Mazinho dos Anjos (PSDB), enquanto Dary Pagung (PSB) assumiu a Comissão de Constituição e Justiça — dois espaços estratégicos nas decisões orçamentárias e jurídicas do Parlamento.

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Movimentações cirúrgicas

As mudanças não ficaram restritas às lideranças. A Assembleia reduziu o número de integrantes de algumas comissões, como a de Segurança Pública, que passou de nove para sete membros, e a de Cooperativismo, de sete para cinco. A decisão, segundo analistas, reflete um ajuste preciso de forças, com o objetivo de equilibrar a representatividade e evitar dispersão política.

Essas alterações, vistas como “movimentações cirúrgicas”, mostram o grau de controle exercido pelos principais grupos da Casa. O rearranjo fortaleceu parlamentares próximos ao governo e garantiu estabilidade à condução de pautas prioritárias do Executivo, como projetos de infraestrutura, incentivos econômicos e políticas sociais.

Nos bastidores, o clima é de permanente observação e cálculo. Parlamentares buscam se posicionar estrategicamente para 2026, avaliando o impacto de suas atuações e a força de seus grupos regionais.

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Deputados da base mais alinhada ao governador têm tentado se destacar como interlocutores de obras e investimentos, enquanto outros se aproximam de lideranças municipais e empresariais em busca de projeção política.

A oposição, por sua vez, aposta em agendas de fiscalização e na defesa de temas populares, como segurança e mobilidade. Mesmo com menor representatividade nas comissões, tem explorado o plenário como espaço de visibilidade e crítica — uma estratégia de resistência que mantém viva a disputa política dentro da Casa.

O Legislativo capixaba tornou-se um verdadeiro laboratório de articulação política. As alianças, em sua maioria, são fluidas e moldadas conforme o tema em pauta. Deputados da base votam juntos em matérias de interesse do governo, mas mantêm independência em pautas regionais; já os oposicionistas transitam entre a crítica e o pragmatismo, buscando manter relevância e voz no debate público.

A vantagem para o Executivo é evidente: maior controle e menor risco de derrotas parlamentares. Esse equilíbrio, no entanto, pode ser frágil. Eventuais tensões internas, somadas à disputa por protagonismo político, podem abrir fissuras e desafiar a governabilidade do governador nos próximos meses.

Com o calendário eleitoral se aproximando, a movimentação dentro da Ales tende a se intensificar. Parlamentares articulam alianças municipais, testam nomes e projetam candidaturas — seja à reeleição, seja a novos cargos. O Legislativo, nesse contexto, torna-se vitrine e arena para o embate político que se desenha.

A disputa por espaço e poder no Legislativo estadual não é apenas reflexo da política partidária, mas também um termômetro do futuro político do Espírito Santo. Quem souber articular, dialogar e construir alianças duradouras poderá ditar o ritmo da próxima fase da política capixaba.

Em um ambiente de disputas silenciosas, mas de grande impacto, a Assembleia Legislativa reafirma seu papel central no equilíbrio político do Estado — um espaço onde o diálogo, a estratégia e a influência continuam sendo as moedas mais valiosas do poder.

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