28.1 C
Vitória
quarta-feira, 20 janeiro, 2021

A economia política das relações internacionais

Trump e Xi Jinping: Nessa história não tem vítima nem algoz. Apenas embate por poder. Entenda esse jogo! 

Por traz do embate entre Trump e Xi Jinping está uma questão chave da política internacional: a indissociável convivência entre os domínios do (poder) político e os do (poder) econômico que interpõem a autoridade política e à de mercado.

Nas relações internacionais há uma relação de interdependência entre nações e mercados em que a economia é instrumento de poder político. O problema é que o significado de poder para o estado é diferente daquele que é para o mercado.

Essa interação estruturalmente conflituosa tornou-se potencialmente imprevisível com a internacionalização dos mercados e o subsequente acirramento da competição entre eles e dentro deles.

A começar pelos processos de negociação internacional divididos em três núcleos – entre governos; entre governos e empresas; e entre empresas. Todos pautados pela realidade da interdependência entre os mercados e na necessidade de competitividade para ser parte dele.

Ocorre que essa fixação no protecionismo desconhece ou desconsidera o fato de que nenhum país (mercado) é auto-suficiente. Em todos há setores atrasados e sem competitividade.

Com isso, as convencionais políticas externas, instrumentos para enfrentar a competição internacional, foram substituídas por negociações que aumentassem a atratividade dos mercados domésticos e permitissem que as relações de comércio completassem as ofertas domésticas.

Esse processo, ao mesmo tempo que ampliou o espaço para o multilateralismo, afastou o protecionismo, e nos levou para um sistema multilateral de comércio regulado pela Organização Mundial do Comércio (OMC).

Contudo, a despeito da perspectiva de um comércio justo e inclusivo que a OMC trouxe, seus membros não conseguiram avançar na institucionalização do multilateralismo. Seja pelos excessos de barreiras não-tarifárias e salvaguardas que adotaram, e que travaram os avanços das negociações; seja pela resistência por respeitar direitos de propriedade.

Gradativamente, enviesaram decisões pró-livre e multilateral comércio, e abortaram outras. Até chegar ao ponto atual em que a eficácia da OMC está sendo publicamente questionada, e os apoios ao protecionismo ganham espaços e adesões. É um retrocesso institucional trazido pelas atitudes erradas dos agentes políticos e econômicos desde a abertura da Rodada do Milênio, em Seatle (EUA).

Ocorre que essa fixação no protecionismo desconhece ou desconsidera o fato de que nenhum país (mercado) é auto-suficiente. Em todos há setores atrasados e sem competitividade. Ao desconsiderar esse fato, incentiva setores tradicionais de baixo ou nenhum potencial para competir e crescer, e perde oportunidade para impulsionar os mais dinâmicos. No fim das contas, o tiro sai pela culatra, pois o viés da escolha limita o potencial de crescimento de seus mercados.

É esse o equívoco das falas e iniciativas protecionistas em curso. Inclusive as de Trump em relação à China. E também as da China em relação a Trump e ao resto do mundo. Ela é igualmente protecionista. Só muda na natureza da proteção.

A China adota acirrada política de subsídios para suas empresas Na realidade, uma prática dissimulada de dumping dentro e fora de seu mercado doméstico. Uma infração às regras da OMC, que está pondo em risco a eficácia do multilateralismo, e alimentando o retrocesso ao protecionismo.

Nessa história não tem vítima nem algoz. Apenas embate por poder. O problema é que, pelas lições da história, todas as vezes que essa corda esticou, uma guerra começou.

- Publicidade -

Matérias relacionadas

Maia diz que China vai acelerar envio de matéria-prima da Coronavac

Após reunião com embaixador chinês, Maia afirma que atraso na liberação de insumos é técnico e não político

Terminal de Itaparica volta a funcionar segunda-feira

O funcionamento do terminal será retomado na próxima segunda-feira (25)

Joe Biden toma posse como presidente dos EUA

A cerimônia foi realizada com forte esqueça de segurança

Rochas ornamentais: Setor manteve estabilidade em 2020

setor de rochas ornamentais brasileiro mostrou uma capacidade de recuperação impressionante e fechou 2020 com números similares aos obtidos em 2019, numa condição de estabilidade

Série histórica mostra ocupação hoteleira durante a pandemia

Já estão disponíveis no Observatório do Turismo os dados relativos à taxa de ocupação hoteleira relativa ao ano de 2020, nos municípios de Vitória, Vila Velha e Serra

Setor atacadista e distribuidor capixaba capacita mais de mil colaboradores

Essencial para a distribuição de produtos no Estado, setor não parou em 2020; informações estão presentes em relatório divulgado recentemente pelo Sincades

ES Brasil Digital

ESBrasil-184 - Retrospectiva
Continua após publicidade

Fique por dentro

Sicoob inicia 2021 com recordes de movimentações financeiras

Instituição tem atuado para facilitar acesso a produtos e serviços financeiros aos seus mais de 5 milhões de cooperados

Concessão da Codesa: o que muda!

A Federação das Indústrias do Espírito Santo promoveu uma audiência para esclarecer o setor produtivo sobre o processo de desestatização da Codesa, a Companhia Docas do ES

Produção agropecuária de 2020 alcança R$ 871 bilhões

as variáveis determinantes para os resultados estão relacionadas aos preços dos produtos no mercado interno

Balança comercial do agronegócio soma US$ 100,81 bilhões em 2020

esses setores foram responsáveis por 80% das exportações do agronegócio em 2020, contra os 78,9% de participação registrados em 2019

Vida Capixaba

Prêmio de fotografia ‘As belezas que Anchieta viu’

O Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) divulgou, nesta terça-feira (19), o resultado do prêmio de fotografia “As belezas que Anchieta viu”

Novas espécies de insetos são descobertas no Espírito Santo

Oito novas espécies de insetos foram descobertas na região norte do Espírito Santo

Festival verão sem aglomeração

O Festival de Verão sem Aglomeração acontece de 18 a 23 de janeiro
Continua após publicidade