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sexta-feira, 23 abril, 2021

Crescem as exportações e importações no Espírito Santo

O presidente do Sindicato do Comércio Exportação e Importação do Espírito Santo (Sindiex), Severiano Imperial, anuncia o crescimento do setor no primeiro quadrimestre deste ano. Ele comenta a crise na Grécia e avalia o recente acordo para a criação de um pacote de estímulo ao comércio exterior.

O setor já conseguiu se recuperar da crise de 2008?
Estamos nos recuperando. A corrente de comércio do primeiro quadrimestre de 2010 apresenta crescimento de 33%, se comparada ao mesmo período de 2009. A puxada no saldo positivo é resultado das exportações, que fecharam o quadrimestre deste ano com o montante de U$ 3,2 milhões, enquanto no mesmo período do ano passado o resultado foi de U$ 1,9 milhão (crescimento de 65%). Já as importações, apesar de estarem se recuperando bem, fecharam o quadrimestre com um crescimento de 2%. O primeiro quadrimestre de 2009 foi encerrado com o resultado de U$ 2 milhões, enquanto o mesmo período de 2010 apresentou resultado de US$ 2,1 milhões no volume importado. Se observarmos o período mês a mês, notamos claramente a recuperação: janeiro (2010/2009) fechou com -28%; fevereiro (2010/2009) obteve resultado positivo: +12%; março (2010/2009) também: +3%; abril fechou com +42%. O acumulado do período é positivo: 2%. É a recuperação das importações pelos portos capixabas. Esse é o início da retomada da curva de crescimento do setor.

A crise na Grécia influenciará de alguma forma o mercado por aqui?
Obviamente que as empresas operadoras de comércio exterior estão atentas ao movimento do mercado e à crise financeira que assola a Grécia. Pode ocorrer um novo abalo nas transações de comércio internacional, esse fato não está descartado. Estamos atentos a toda movimentação e oscilação de mercado.

O Sindiex chega à maioridade. A entidade tem o que comemorar?
Temos muito o que comemorar. Chegar à maioridade sindical é um momento de muito orgulho para todos nós que vivemos o dia a dia do comércio exterior. No dia 18 de maio de 1992, nos unimos em um sindicato representativo, com um sólido ideal de fortalecimento da categoria de comércio exterior capixaba porque, desde aquela época, sabíamos que enfrentaríamos grandes desafios.

Quais são hoje os gargalos do setor?

Nesses 18 anos, observamos que houve muito investimento e desenvolvimento no Estado por conta das atividades de importação e de exportação, mas pouco ou quase nada foi feito pelo governo federal. O setor ainda aguarda a dragagem do canal do Porto de Vitória, a ampliação do aeroporto, com locais específicos para embarque e desembarque de mercadorias, inclusive para produtos frigorificados, e investimentos nas estradas. A contrapartida da classe empresarial vem sendo feita. Somente de 2006 a 2009 as empresas fundapeanas, ou seja, que recebem incentivo financeiro do Governo do Estado para importarem seus produtos pelos portos capixabas, investiram R$ 310 milhões em galpões, armazéns e pátios de estocagem de mercadorias, gerando mais de 3.045 empregos diretos. O setor gera mais de 6.400 empregos diretos e 19.200 indiretos no Estado, além de 13.960 postos de trabalhos gerados e outros 69.188 mantidos pelo Fundapsocial. Do ICMS originado nas atividades de importação, 25% do total arrecadado vão para os cofres dos municípios capixabas. Mas o setor está emperrado na logística, o que dificulta muito a competitividade das empresas capixabas.

Quanto representam, em movimentação financeira por dia, as exportações e importações capixabas?
Pegando como base a movimentação no período de janeiro a abril deste ano, ou seja, 81 dias úteis, as importações representam, em média, US$ 25.850.844,00 e as exportações o montante médio de US$ 39.767.974,00.

Os ministros da Fazenda e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior divulgaram acordo de incentivo ao setor exportador. Como avalia as medidas?
O pacote prevê que 50% dos créditos tributários novos serão devolvidos em até 30 dias, desde que a empresa cumpra cinco condições: 1) ter 30% do faturamento originado com exportações nos últimos dois anos; 2) ser exportadora há quatro anos, pelo menos; 3) declarar Imposto de Renda pelo sistema de lucro real; 4) emitir nota fiscal eletrônica; e 5) ter um histórico de baixos pedidos de pagamento de créditos recusados pela Receita. Em resumo, o Governo anunciou que vai devolver mais rápido aos exportadores os créditos tributários gerados nas vendas externas. Esses créditos correspondem aos impostos embutidos nas matérias-primas e nas embalagens utilizadas na produção.

Como as medidas afetarão o comércio exterior capixaba?
Segundo nosso entendimento e o da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), esse pacote deverá beneficiar cerca de 1% das empresas exportadoras, em todo o Brasil. São aproximadamente 200 empresas no total. Isso significa dizer que o impacto sobre a balança comercial brasileira será mínimo. O vice-presidente da AEB, José Augusto de Castro, recentemente definiu muito bem esse pacote de medidas: um “embrulhinho”, um “meio paliativo” para o setor. Em resumo, o efeito econômico será mínimo.

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