Tarifas de 50% anunciadas por Trump terão início nesta sexta-feira (1); ES Brasil analisa impactos para a disputa eleitoral de 2026
Por Robson Maia
A poucos dias do início das tarifas comerciais anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de 50% sobre produtos brasileiros, a ES Brasil analisa o impacto que acendeu um novo alerta no cenário político e econômico do Brasil. A medida, que representa a mais alta de uma série de tarifas reveladas nesta semana, foi comunicada por Trump por meio de uma carta pública enviada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, e divulgada em sua rede Truth Social.
Na publicação, o republicano justifica a taxação com uma série de críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao tratamento dado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, do PL. “A maneira como o Brasil tem tratado o ex-presidente Bolsonaro \[…] é uma desgraça internacional”, escreveu Trump. Segundo ele, o julgamento de Bolsonaro é uma “caça às bruxas” e estaria motivando medidas econômicas contra o país.
Além da defesa do aliado brasileiro, Trump acusa o Brasil de promover “ataques insidiosos” à liberdade de expressão ao emitir “ordens de censura secretas e ilegais” contra plataformas norte-americanas. A retórica, alinhada ao discurso bolsonarista, pode trazer consequências não apenas econômicas, mas também eleitorais.
Para o analista político Darlan Campos, o tarifaço imposto por Trump teve, em um primeiro momento, efeito positivo para o governo Lula do ponto de vista discursivo. “As tarifas de Trump trouxeram uma sobrevida narrativa ao governo federal”, afirma. Segundo Campos, embora o cenário estrutural permaneça adverso para o Planalto, a medida dos EUA acabou reforçando um discurso de defesa da soberania nacional que se encaixa nas estratégias de comunicação recentes do governo.
“O tarifaço do Trump foi bem positivo para a narrativa do governo, que fez uma defesa de soberania e colocou o bolsonarismo numa dificuldade, uma vez que foi uma construção planejada e arquitetada pelo Eduardo Bolsonaro”, explicou o analista. Na visão dele, o governo conseguiu emplacar duas pautas positivas em sequência — o combate aos supersalários e a reação às tarifas — o que fortaleceu seu desempenho nas redes sociais e no debate público.
Apesar disso, Campos pondera que ainda é cedo para medir o impacto real do episódio nas eleições de 2026. “No curto prazo, ela serviu para dar uma sobrevida na narrativa do governo, mas ainda não sabemos qual será o efeito concreto disso no médio e longo prazo”, destaca.

– Foto: Ricardo Stuckert / PR
A medida tarifária imposta por Trump inclui ainda ameaças de retaliações adicionais caso o Brasil tente responder com aumento de suas próprias tarifas. O presidente norte-americano também informou que seu representante comercial, Jamieson Greer, iniciará uma investigação formal sobre o Brasil com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA — instrumento usado no passado para medidas contra países considerados desleais nas relações comerciais.
O embate pode marcar uma nova fase nas relações entre Brasil e Estados Unidos, além de acirrar ainda mais o clima político interno em um país que se prepara para mais uma eleição presidencial decisiva em 2026.

