Cores ousadas, iluminação e soluções inteligentes transformam o lar em refúgio aconchegante e funcional. A arquiteta Brenda Donato fala sobre tendências e dá várias dicas
Por Thamiris Guidoni
Cores mais ousadas, iluminação estratégica e ambientes que abraçam. A decoração vive um momento de reencontro com o essencial: menos ostentação, mais identidade. Para a arquiteta Brenda Donato, os projetos recentes revelam uma mudança clara de comportamento, e ela começa pela paleta.
“Verde, terracota e azul têm sido as principais escolhas, especialmente nos mobiliários planejados. Além das cores, temos trabalhado muito com soluções inteligentes, como aproveitamento dos espaços, uma gaveta embutida na outra, por exemplo.”

Além disso, Brenda destaca que os revestimentos metrô, os famosos tijolinhos cerâmicos, voltaram com tudo e também têm sido muito utilizados com cores e desenhos.
“A iluminação tem tomado conta dos apartamentos e casas de forma útil. Uma iluminação bem planejada traz o ambiente da maneira que você deseja: aconchegante ou um espaço que precise de mais atenção. Um exemplo muito utilizado nos meus projetos são as iluminações de bancadas abaixo dos armários superiores.”

Segundo Brenda, as cores deixam de ser coadjuvantes e passam a protagonizar cozinhas, salas e quartos. Ao mesmo tempo, cresce a busca por soluções inteligentes. “Temos trabalhado muito com melhor aproveitamento dos espaços, como uma gaveta embutida na outra.”
Funcionalidade deixou de ser diferencial para se tornar premissa. Nos revestimentos, o passado retorna com nova leitura. Os tijolinhos cerâmicos, conhecidos como revestimento metrô, voltaram ao radar dos projetos. Mas, segundo Brenda, o retorno vem com maturidade.
“Na arquitetura, nada é definitivamente datado, tudo pode ganhar uma nova leitura com o tempo. Um exemplo disso são os revestimentos metrô e os tijolos de vidro. Eles já foram protagonistas há décadas, fizeram muito sucesso, depois passaram por um período de esquecimento e até foram considerados ‘bregas’.”
E completa: “Hoje, retornam com força, mas com outra abordagem: paginações mais estratégicas, combinações mais elegantes e aplicações muito mais sofisticadas. O que antes era tendência, depois virou excesso, agora volta como releitura contemporânea.”
Se as cores aquecem, a iluminação define o clima. Ela se tornou elemento central na composição dos ambientes.
“Por um longo período, vieram à tona casas com grandes dimensões e pé direito alto, algo diferente da realidade de muitas pessoas. Mas agora está voltando o desejo de ter um lar aconchegante, com uma varanda com rede, pé direito mais baixo, um espaço com menos cara de clínica e mais aparência de lar, mobiliários com tons de madeira e cores vivas dentro e fora de casa. A funcionalidade nunca deixou de estar em alta; nós arquitetos, em nossos projetos, prezamos primeiramente pela funcionalidade.”
Luzes sob armários superiores, especialmente em bancadas, são recursos frequentes. A luz não é só estética: ela organiza sensações, podendo transformar um jantar em momento intimista ou tornar o mesmo espaço mais ativo com apenas um ajuste de tonalidade.
“A iluminação bem planejada pode transformar seu ambiente. Com ela, podemos ‘brincar’ com os espaços. Em uma sala de jantar, por exemplo, você pode criar um clima mais romântico com luzes mais amareladas e um ambiente mais escuro, mas basta um clique e você pode transformar esse jantar em algo mais social, com a família e amigos. Um espaço aconchegante, mas ativo, podemos usar uma luz neutra para trazer esse contraste junto à iluminação mais quente. Uma boa escolha das cores das luzes e posicionamento delas pode mudar tudo!”
Depois de anos marcados por casas amplas e pé-direito elevado, a busca agora é outra.
“Está voltando o desejo de ter um lar aconchegante, com menos cara de clínica e mais aparência de casa. Tons amadeirados, varandas com rede e ambientes mais compactos refletem essa mudança. A funcionalidade, porém, permanece inegociável. Nós arquitetos prezamos primeiramente pela funcionalidade.”
Decorar sem estourar o orçamento

Planejamento é a palavra-chave. “Primeiro vem o planejamento. Com ele, podemos definir o que é viável ser feito. Onde vale a pena investir vai depender das necessidades do cliente. Se for o caso de uma construção, podemos reduzir esse custo fazendo escolhas inteligentes, como paredes internas em drywall, construção de pavimento único, evitar escadas, que reduz bastante o valor final, e revestimentos com melhor custo-benefício.
Para projetos de interiores, preferir móveis prontos aos planejados; móveis planejados elevam bastante o custo.”
Trocar revestimentos pode encarecer, mas há alternativas, como pintura, adesivos e painéis. Ainda assim, para quem pensa a longo prazo, investir em materiais duráveis tende a compensar.
“Atualmente, temos um leque imenso de revestimentos, marcas e valores que atendem a todas as classes. Mas também temos as alternativas de pinturas, adesivos, painéis de diversos materiais (EVA, EPS, Policarbonato). A depender do orçamento disponível, vale a pena pensar em uma dessas opções. Mas se for para longo prazo, o mais interessante mesmo são os revestimentos”, comenta Brenda.
Pequenos espaços, grandes soluções

Em ambientes compactos, o erro mais comum é o excesso.
“O mal posicionamento dos mobiliários é um grande fator para pequenos ambientes, assim como o uso de móveis muito grandes para aquele espaço. Os pequenos espaços precisam ser olhados com cautela. Organizando-os de forma funcional, evitamos acidentes, apertos e sensação de sufocamento.”
A profissional ressalta que, para ambientes pequenos, nem sempre o mobiliário planejado é a melhor solução.
“Hoje temos muitas opções de móveis prontos que podemos adaptar aos ambientes. O móvel planejado tem um valor bastante elevado e, às vezes, não compensa colocá-lo em um espaço específico. Mas é um bom investimento se você quer móveis que vão aguentar peso, umidade, etc.”
Ampliando espaço

Para quem mora em casa ou apartamento menor, é importante ficar atento às cores.
“Cores claras trazem uma sensação de amplitude no ambiente, mas também formatos estratégicos dos elementos podem ajudar, como, por exemplo, armários com recortes verticais aparentam ser mais altos, ou linhas horizontais podem trazer amplitude horizontal. Uma textura que ajuda muito nessa questão é a de madeira; a posição dos seus veios deve sempre ser intencional.”
E Brenda ainda ressalta: “Uma dica para janelas e portas de vidro é usar cortina em tom claro, do teto ao piso. Dependendo do tamanho do espaço, essa cortina pode ir de parede a parede. Usando a cortina dessa forma, temos a sensação de um espaço amplo e organizado.”
Para quem quer renovar a casa, por exemplo, a arquiteta dá dicas do primeiro passo ideal.
“O primeiro passo é sempre o planejamento, se possível com um profissional arquiteto ou designer de interiores. Esses profissionais deixam seu processo leve, econômico e organizado. Mas, se não for possível, comece planejando o que deseja fazer e pesquise para saber se caberá no seu orçamento e, principalmente, tenha em mente um limite financeiro, pois com ele você define seu teto de gastos.”
Ela ainda dá três dicas simples de mudança que geram impacto imediato: “Pintura, iluminação bem planejada e definição de paleta de cores para o ambiente (em objetos, almofadas, tapetes, etc).”

