Delegado da PF relata desconforto de Torres com convocação de Bolsonaro para live sobre urnas em 2021. A declaração ocorreu durante depoimento no STF
Braulio do Carmo Vieira, ex-secretário de Operações Integradas do Ministério da Justiça e testemunha do ex-ministro da Justiça Anderson Torres na ação penal que investiga o ato do dia 8 de janeiro, afirmou que a live feita em 2021, em que foram feitos ataques à lisura do processo eleitoral, sem provas, causou desconforto ao ex-chefe da pasta, que teria sido convocado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para participar da transmissão.
Pelo que me recordo, houve uma convocação do presidente da República, afirmou o delegado da Polícia Federal, em depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira, 27. Torres então, segundo ele, procurou técnicos da Polícia Federal para que levantassem documentos sobre a segurança das urnas eletrônicas.
Houve desconforto pelo desconhecimento técnico do tema, relatou. Ainda de acordo com Vieira, o documento apresentado naquela live foi elaborado por peritos criminais da Polícia Federal.
Ele também disse desconhecer o teor desse texto. Torres é réu nessa ação penal e chegou a ficar preso preventivamente por quatro meses por ordem do ministro do STF Alexandre de Moraes. O ex-ministro é investigado sobre a atuação das forças de segurança (à época, ele ocupava a função de secretário de Segurança Pública do Distrito Federal) durante a invasão das sedes dos Três Poderes, em Brasília, e depois virou réu na ação penal sobre o ato do dia 8 de janeiro.
A PF encontrou na casa de Torres uma minuta de decreto para anular as eleições e instaurar Estado de Defesa no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Na manhã desta terça-feira foram ouvidos funcionários da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), da PF e da PRF durante o governo Bolsonaro.
O ex-diretor de operações da Polícia Rodoviária Federal (PRF) Djairlon Henrique Moura disse ao STF que blitze durante o segundo turno das eleições presidenciais de 2022 ocorreram para verificar a condição dos carros e dos transportadores, mas não impediram o fluxo de veículos de transporte durante a data.
Mais de 60% dos veículos fiscalizados não demoraram mais que 15 minutos para liberá-los, disse. Ele também negou que houve um direcionamento específico para o Nordeste, ainda que tenha confirmado que, dias antes, houve uma operação da PRF em ônibus que estavam se deslocando do Centro-Oeste e do Sudeste para o Nordeste. (Com informações da Agência Estadão, Por Levy Teles.)

