
Com planejamento e visão estratégica, a aviação regional pode se consolidar como motor do desenvolvimento econômico, da integração territorial e da competitividade dos municípios do Espírito Santo
Por José Antonio Bof Buffon
A aviação regional vem se consolidando como um dos principais vetores de integração econômica e territorial no Brasil. No Espírito Santo, esse debate ganha relevância especial diante da necessidade histórica de reduzir desigualdades regionais e diversificar a base econômica estadual.
Mais do que um tema de mobilidade, a interiorização da aviação deve ser compreendida como política estruturante de desenvolvimento.
A conectividade aérea reduz distâncias internas, encurta tempos de deslocamento e amplia a integração do estado com os principais centros econômicos do país. Esse fator impacta diretamente tanto o turismo de lazer quanto o turismo de negócios. No primeiro caso, facilita o acesso a destinos emergentes, amplia a permanência média do visitante e favorece a descentralização do fluxo turístico. No segundo, cria condições para agendas corporativas, eventos, feiras e reuniões executivas, elevando o grau de atratividade das cidades atendidas.
Os efeitos econômicos da ativação de aeroportos regionais extrapolam o setor turístico. Comércio, hotelaria, eventos, agronegócio, logística e negócios imobiliários são diretamente beneficiados. Municípios com acesso aéreo passam a atrair empreendimentos que demandam mobilidade executiva e cadeias logísticas mais eficientes. Já é possível observar movimentos nesse sentido em cidades como Linhares e São Mateus, onde a conectividade aérea amplia o alcance das cadeias produtivas e reposiciona o interior como espaço competitivo. Na região das Montanhas Capixabas, o impacto potencial sobre o turismo e o mercado imobiliário tende a ser ainda mais significativo.
É importante, contudo, moderar expectativas no curto prazo. A interiorização não acontece de imediato e não produz resultados a curto prazo, mas representa um reposicionamento estratégico das regiões. Trata-se de abrir novas perspectivas de desenvolvimento, criando as bases para o fortalecimento dos arranjos produtivos locais e para a atração gradual de investimentos.
Cidades como Guarapari, Linhares, Venda Nova, Pedra Azul, Colatina e Cachoeiro de Itapemirim possuem vocações turísticas e industriais que podem ser potencializadas com maior conectividade aérea.
Outro aspecto central é a capacidade da aviação regional de desconcentrar investimentos hoje excessivamente localizados na Região Metropolitana e no Litoral Norte. Ao criar novos polos de dinamismo econômico, especialmente associados ao turismo, a aviação contribui para um desenvolvimento territorial mais equilibrado. Regiões mais distantes, como o Caparaó, também podem se beneficiar de aeroportos estratégicos em municípios próximos, como Cachoeiro de Itapemirim e Venda Nova do Imigrante, ampliando seu acesso aos mercados emissores de turistas e investidores.
Os desafios, entretanto, são relevantes. Escala de demanda, custos operacionais das companhias aéreas e adequação da infraestrutura aeroportuária são fatores críticos. A viabilidade de voos regulares depende da consolidação de um fluxo mínimo de passageiros e da integração das rotas aéreas com polos de turismo e negócios. Campanhas de estímulo ao turismo regional, integração com outros modais de transporte e políticas de tarifas acessíveis são elementos-chave que podem contribuir para a sustentabilidade do sistema.
Mesmo independentemente da consolidação de voos comerciais regulares, a aviação executiva pode atuar como um fator de impacto positivo, especialmente ao atender negócios de maior valor agregado e cadeias produtivas mais sofisticadas.
Com planejamento, coordenação institucional e visão estratégica, a aviação regional pode se tornar um ativo permanente da economia capixaba, atuando como alavanca de desenvolvimento territorial, integração regional e fortalecimento da competitividade do Espírito Santo, sobretudo de municípios interioranos.
A licitação da obra do Aeroporto do Caxixe vem em boa hora. Uma demanda antiga das lideranças empresariais e políticas da região Centro Serrana do Espírito Santo.
José Antonio Bof Buffon é Economista e Secretário Executivo da Câmara Empresarial do Turismo da Fecomércio-ES

