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Avançar onde o País está na fronteira

Embrapa e Petrobras são patrimônio da Nação e precisam ser vistas como importantes instrumentos para o desenvolvimento do País. A pesquisadora Alice Amsden identifica industrialização tardia como uma forma particular de desenvolvimento. Contrariamente ao ocorrido na Inglaterra, nos EUA e na Alemanha, os que vieram depois transformaram suas estruturas produtivas utilizando tecnologias emprestadas.

Observadas as especificidades de cada país, esse foi o caso da industrialização retardatária na Índia, na Coreia do Sul e no Brasil. Em cada um deles, a tecnologia foi tomada emprestada diretamente através da atração de empresas transnacionais – o caso brasileiro; indiretamente por meio da adaptação local do que já existia no exterior – o experimento indiano; ou a partir de transferência tecnológica com a sua adoção sendo feita por empresas locais – a experiência sul-coreana. Na sequência, os três países buscaram modos de desenvolver processos e produtos novos e/ou velhos de forma nova. Software sob encomenda, na Índia; eletroeletrônica, na Coreia; agricultura intensiva em conhecimento e exploração de gás e petróleo em águas profundas, no Brasil, ilustram casos bem-sucedidos nos três retardatários.

A experiência brasileira em capacitação científica, tecnológica e inovativa, voltada para a competitividade da agricultura e para a exploração de recursos naturais com crescente demanda internacional, pode ser vista como um avanço com relação ao praticado em outros segmentos da economia. Na maioria deles, prevaleceu a mal adaptada “para que reinventar a roda?”. A agricultura brasileira – seja a do agronegócio a de base familiar, a de autoconsumo ou a de práticas tradicionais – tem na pesquisa, na tecnologia, na inovação gestadas e geridas pelo sistema Embrapa importantes fontes de competitividade e sustentabilidade. É significativo o rol de processos, produtos e serviços executados diretamente pelas unidades da Embrapa na maioria dos estados brasileiros – uma exceção é o Espírito Santo; ou indiretamente por meio de processos interativos com universidades, centros de pesquisa públicos/privados/nacionais/ internacionais.

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Os avanços no conhecimento científico e tecnológico promovido pela ação deliberada e sistematizada da Petrobras vão além do caso de sucesso daqueles voltados para
a exploração de gás e petróleo no pré-sal. Em áreas como a de biocombustíveis – principalmente biodiesel e etanol de segunda geração – é de se destacar a liderança da
empresa na montagem de redes de cooperação que colocam o Brasil na vanguarda na produção de energia limpa. Em um mundo caracterizado pelo constante avanço da fronteira do conhecimento, a valorização de experimentos como o da Embrapa e o da Petrobras precisa ser colocada na agenda positiva da política nacional. São patrimônio da nação e devem ser vistas como importantes instrumentos para o desenvolvimento do Brasil. Necessário se faz transformá-los em ativos para uma inserção com maior autonomia nacional na economia do conhecimento e do aprendizado.

Arlindo Villaschi é professor de Economia na Ufes.

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