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As mulheres e a política

Discrepâncias devem servir de combustível para a luta pela igualdade e pela liberdade.

Apesar de representarmos cerca de 52% do eleitorado nacional, a participação feminina na política ainda é pequena. Segundo dados do Mapa Mulheres na Política de 2019, elaborado pela Procuradoria da Mulher no Senado, a média nacional de presença feminina nos mais de 70 mil cargos eletivos é de apenas 12,32%. No Senado, somos 12 senadoras, o correspondente a 14,8%. E na Mesa Diretora fui a única mulher eleita para integrar uma das 11 vagas. Na Câmara dos Deputados, a representatividade é de 15%.

Para conquistar mais espaço na política, as mulheres que demonstram vocação para a atividade devem ser incentivadas a participar da atividade pública. Além disso, é preciso que as eleitoras se sintam representadas para, assim, acreditar que é possível fazer a diferença na vida da sociedade por meio da política. E esse é um dos meus objetivos no mandato!

Dediquei 25 anos à tarefa de representar o Brasil nas quadras. Nesta trajetória, disputei três olimpíadas, conquistando as duas primeiras medalhas do voleibol feminino brasileiro. Como atleta, aprendi que ninguém conquista nada sozinho. E no Congresso Nacional esse é o sentimento entre as parlamentares da bancada feminina.  Deputadas e senadoras, neste início de Legislatura, buscam trabalhar em conjunto para aprovar pautas e desenvolver ações que resultem em leis capazes de proteger e empoderar as mulheres.

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Pesquisa feita pelo Fórum Brasileiro de Segurança, em 2018, evidenciou que as agressões domésticas precisam ser tratadas com políticas públicas eficientes: 42% das mulheres entrevistadas já sofreram violência em casa.

“É preciso que as eleitoras se sintam representadas e acreditem ser possível fazer a diferença na vida da sociedade por meio da política

Em fevereiro, aprovamos na Comissão de Direitos Humanos o PLC 94/2018, do qual fui relatora. Essa proposta altera a Lei Maria da Penha, garantindo às autoridades policiais poderes para aplicar medidas protetivas de urgência que garantam a segurança de mulheres em situação de violência. A mulher não pode ser ameaçada ou agredida em casa e, depois de prestar queixa, sair da delegacia só com o registro da ocorrência. A modificação sugerida, se transformada em lei, pode significar a diferença entre a vida e a morte de um número expressivo de mulheres diariamente agredidas e ameaçadas.

Presidi, em 12 de março, uma sessão deliberativa que aprovou pautas prioritárias da bancada feminina, entre elas o projeto que garante às mães o direito de amamentar em público. Um ato simples que sem a devida regulamentação está sendo reprimido em pleno século XXI.

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Nós, mulheres, conquistamos nosso espaço, mas ainda há muito a ser feito para que, de fato, tenhamos a igualdade obtida. Direitos básicos como ir e vir sem correr o risco de ser assediada. Como atleta e ex-secretária de Esporte do Distrito Federal, recebo relatos frequentes de assédio nas arenas esportivas. Isso motivou a apresentação do meu primeiro projeto de lei (PLS 549/2019). A proposta visa a alterar a Estatuto de Defesa do Torcedor para proibir a incitação e a prática de quaisquer atos de violência ou de assédio contra as mulheres. As mudanças propostas também têm por finalidade proteger mulheres que vão aos estádios para trabalhar, como jornalistas, fisioterapeutas e massagistas, gestoras, entre outras profissionais.

Neste mês de março, é fundamental refletirmos sobre os desafios que as mulheres ainda têm pela frente. Um exemplo é a diferença salarial no mercado de trabalho. Dados da Pnad Contínua do IBGE apontam que, em média, elas recebem 20,5% a menos que os homens. Essas discrepâncias, que tanto incomodam, devem servir como combustível para seguirmos unidas, convocar amigos, parentes e parceiros para refletir e lutarmos juntos pela igualdade e pela liberdade.


Leila Barros (Leila do Vôlei), medalhista olímpica e senadora pelo PSB-DF

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