Falta alinhamento entre expectativa e realidade na cirurgia plástica

Fabio Zamprogno é cirurgião plástico

Qual é realmente o motivo de uma pessoa procurar um cirurgião plástico?

Se desde sempre o belo foi almejado, em época de mídias sociais em alta e exposição pública praticamente diária, a busca pelos melhores contornos corporais, tanto femininos quanto masculinos, segue o mesmo ritmo de ascensão.

Como consequência, a frequência em clínicas ligadas à beleza nunca foi tão crescente. O Brasil é o segundo país com a maior realização de cirurgias plásticas do mundo, com registros de 1,5 milhão delas por ano, incluindo as estéticas e as reparadoras.

Mas uma característica é preocupante e comum a muitos dos interessados em procedimentos estéticos: a falta de alinhamento entre a expectativa e a realidade que é possível proporcionar com segurança.

Querer parecer-se com outras pessoas, especialmente artistas e influenciadores digitais; solucionar problemas de relacionamento, como no casamento; e até ser mais bem aceito e admirado socialmente são desejos recorrentes e que comprometem a satisfação final dos pacientes com as cirurgias, que definitivamente não têm a função de resolver essas questões psicossociais, apesar de quase sempre incrementarem a autoestima.

O Brasil é o segundo país com a maior realização de cirurgias plásticas do mundo, com registros de 1,5 milhão delas por ano, incluindo as estéticas e as reparadoras.

Nem sempre relatados tão abertamente nos consultórios, sinais assim são um indício de que aquilo que se sonha e aquilo que é realizável estão em desacordo. Além disso, o acesso a informações de toda sorte por meio dos sites de pesquisa e dos difundidos grupos de discussão incute, na maioria dos pacientes, conceitos errôneos sobre a escolha das técnicas mais adequadas, o que só deve ser prescrito pelo médico de confiança escolhido, levando em conta uma avaliação clínica personalizada que prioriza a segurança da pessoa operada, suas características individuais e a insatisfação física a ser corrigida.

Diante desse cenário fluido, mais que operar, tem sido urgente reconhecer e lidar com emoções, alinhando expectativas, tirando da cirurgia plástica o lugar de ponto de fuga e dando à técnica o devido espaço como alternativa específica para potencializar a beleza e corrigir incômodos essencialmente físicos.


Fabio Zamprogno é cirurgião plástico

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