Setores da economia, como indústria, agro e comércio exterior defendem manter o diálogo na busca por solução contra aumento das tarifas impostas pelos EUA
Por Kikina Sessa
Aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada em abril de 2025 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a Lei da Reciprocidade pode ser utilizada pela primeira vez pelo Brasil como resposta ao tarifaço de 50% aplicado pelo governo norte-americano contra produtos brasileiros.
Medida nesse sentido foi adotada em 29 de agosto de 2025, quando a Câmara de Comércio Exterior (Camex) – órgão colegiado de 10 ministérios, responsável por formular, implementar e coordenar as políticas de comércio exterior – foi provocada, dando início a um processo que tem, entre suas etapas, a de notificar os Estados Unidos sobre a resposta brasileira ao tarifaço.
De imediato, entidades que representam setores da economia impactados pela tarifa se posicionaram pedindo cautela e manutenção do diálogo.
O Sindiex, sindicato que representa as empresas de comércio exterior no Espírito Santo, entende que o caminho mais adequado é a busca por uma solução negociada entre Brasil e Estados Unidos. “O comércio internacional exige estabilidade, previsibilidade e segurança jurídica, e a negociação direta é sempre a alternativa que mais preserva os interesses dos empresários e da economia nacional, evitando a escalada de medidas restritivas que possam afetar ainda mais a competitividade das empresas brasileiras”, afirma a entidade.
Já o presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo, Paulo Baraona, disse que a Findes segue o posicionamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) na defesa da negociação como forma de reverter os efeitos nocivos do tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre as exportações brasileiras. “O setor industrial continuará buscando os caminhos do diálogo e da prudência, e avalia que não é o momento para a aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica.”
Como representante do setor industrial brasileiro, a CNI formalizou uma manifestação em defesa do Brasil, argumentando que o país não adota práticas injustificáveis, discriminatórias ou restritivas ao comércio bilateral.
A Câmara Americana de Comércio no Brasil também defendeu a busca do diálogo. Segundo uma pesquisa da Amcham, 86% das empresas avaliam que medidas de reciprocidade tenderiam a agravar o conflito bilateral e reduzir o espaço para negociações.
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) se manifestou pedindo cautela na aplicação imediata da Lei de Reciprocidade, priorizando critérios técnicos e comerciais. “A FPA defende que o Brasil atue com firmeza, mas também com sensatez. O setor produtivo precisa de previsibilidade, estabilidade regulatória e responsabilidade institucional — especialmente em tempos de elevada volatilidade comercial no cenário global”, diz a nota.

