A Suzano entende que sustentabilidade não é um destino, mas uma jornada contínua de aprendizado

Por Clara Gazzinelli Cruz
Chuvas intensas, inundações, secas prolongadas e incêndios em regiões onde antes esses eventos eram raros são sinais claros de que os impactos das mudanças climáticas se intensificaram. Essa nova realidade, marcada por uma crescente volatilidade, impõe desafios concretos à produtividade agrícola e à segurança hídrica. No Brasil, segundo o Atlas Digital de Desastres, o número de catástrofes duplicou nos últimos cinco anos, afetando diretamente o setor agropecuário, que concentrou 86% das perdas financeiras registradas.
Esse cenário exige mais do que resiliência: exige transformação. Aumentos projetados no uso da água — 30% no Brasil até 2040, segundo a ANA — e a necessidade global de produzir 50% mais alimentos até 2050, nos colocam diante de uma equação complexa.
Como produzir mais, com menos previsibilidade climática e maior escassez de recursos naturais?
Na Suzano, temos aprendido que reconhecer nossas vulnerabilidades é o primeiro passo para agir com responsabilidade. Há mais de 30 anos investimos no monitoramento climático para melhor entender como eventos climáticos, a exemplo de grandes secas ou enchentes, podem afetar nossas operações. Faz parte desse estudo considerar cenários históricos e também modelos climáticos futuros. Essas bases nos permitem entender as dinâmicas e previsões e, assim, antecipar impactos, identificar riscos e orientar decisões de planejamento florestal. Essa jornada nos ensinou que adaptação exige inovação.
Como parte dessa estratégia, entendemos que precisamos trabalhar com mudas de eucalipto resilientes a diferentes cenários e garantir a floresta em pé. Em algumas regiões temos ou podemos ter no futuro longas secas e, em outras, chuvas severas, e assim transportamos essas previsões para a genética. Selecionamos mudas com genes o mais adaptados possível ao cenário previsto para os próximos sete anos.
Para nos ajudar nesse planejamento com base em dados climáticos contamos com uma plataforma desenvolvida internamente, que otimiza a alocação de clones florestais com base em critérios como adaptabilidade ambiental e resiliência ao estresse hídrico. A ferramenta, fruto da colaboração entre áreas técnicas e digitais, nos ajuda a tomar decisões mais assertivas sobre onde e como plantar, ano após ano.
Dentro dessa estratégia também adotamos o manejo em formato de mosaico, tendo a floresta plantada em diferentes idades e conectada com as áreas de preservação e conservação. A coexistência entre o eucalipto e a mata nativa traz um efeito benéfico que protege o ecossistema contra eventuais consequências desses eventos climáticos extremos, como ameaças de pragas, erosões e degradação do solo.
Sabemos que ainda há muito a fazer. A construção de um futuro sustentável passa por ações preventivas no presente, mas também por escuta ativa, aprendizado contínuo e disposição para rever caminhos. A sustentabilidade, para nós, não é um destino fixo, mas uma jornada em constante evolução — e é com essa consciência que seguimos avançando.
Clara Gazzinelli Cruz é gerente-executiva de Sustentabilidade da Suzano.
*Artigo publicado originalmente na revista ES Brasil nº 228, de agosto de 2025. Leia a edição completa do Agro aqui.

