Adiada a Terceira Guerra Mundial: O que vem agora?

Depois de dias conturbados e troca de ameaças entre o presidente Donald Trump e o regime teocrático do Irã, no que tem sido chamado de Diplomacia do twitter, parece que os ânimos se arrefeceram. A resposta iraniana à morte do general Qassen Suleimani foi cirúrgica e muito bem planejada, não vitimando nenhum soldado ou equipamento militar relevante, uma vez que os Estados Unidos detectaram os ataques com antecipação, o que deu tempo suficiente para levar seus militares e equipamentos para locais seguros. Ficou claro que a intenção de Teerã não era retaliar os Estados Unidos, mas dar uma resposta que denote força ao seu próprio público. Prova disto foi que enquanto o líder supremo do país, Aiatolá Khamenei afirmou ter dado “um tapa na cara dos americanos” seu chanceler, Mohammad Javad Zarif, afirmou que se os americanos não revidarem ao ataque os iranianos darão a escalada de tensões por encerrada.

O evento que está mais em voga na e sua repercussão na imprensa internacional acabou por enfraquecer a posição iraniana foi a derrubada de um avião Boeing 737 da Ukrainian Airlines, o que acabou levando à morte os 176 passageiros a bordo. Inicialmente o governo do país negou sua responsabilidade, mas foi obrigado a admitir o fogo amigo à medida que foi confrontado com vídeos que comprovavam que o avião foi derrubado por artilharia antiaérea iraniana. Esse erro levou a graves implicações não só diplomáticas com os governos da Ucrânia, Canadá e Reino Unido, de onde eram a maioria dos estrangeiros a bordo, o que levou estes países a exigirem o julgamento e a punição dos responsáveis, mas houve repercussões da própria população iraniana que irrompeu em protestos culpando o regime pelo ocorrido, com as pressões populares chegando a sugerir a renúncia do Aiatolá, responsabilizando-o pela morte dos cidadãos iranianos que estavam no avião.

Voltando às tensões com os americanos, os iranianos sabem que não há como vencer uma guerra aberta e de longo prazo com os Estados Unidos dada a diferença de poderio bélico entre estes países. A morte de Suleimani foi um duro golpe na estratégia de guerras por procuração adotada pelo governo do país persa e que era gestada pelo general, guerra esta que permitia a ao regime iraniano, através de grupos insurgentes atacar desafetos como Israel, Arábia Saudita e os próprios Estados Unidos sem com isso ser responsabilizado legalmente pelos ataques, haja vista que não eram praticados diretamente pelo país.

No curto prazo os ataques destes grupos fantoches de Teerã devem aumentar, como as ações que aconteceram em algumas bases americanas no Iraque. O Hezbolla deve intensificar os disparos de mísseis contra Israel e os Houthis podem atacar os sauditas a partir do Iêmen. O fato é que dificilmente a ausência do general Suleimani será suprida e isso, no longo prazo tende a diminuir a influência dos Irã e seus ataques na região.

A retórica deve ir para as searas econômica e diplomáticas. O governo do Irã afirmou que abandonará o tratado internacional que visava impedir que seu programa nuclear evoluísse para a fabricação de armas nucleares e isto já levou o presidente Trump a aplicar ainda mais sanções econômicas, o que afetará a já cambaleante economia iraniana. Esperemos pelos próximos capítulos desta trama que deve ter mais capítulos que as Mil e uma noites, tradicional conto persa.

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